A mulher parece sempre ter ocupado uma posição de destaque no que diz respeito à transmissão das tradições musical, literária e mitológica (ainda que em primitivos tempos não fossem assim classificadas), pois apesar de inicialmente não terem acesso ao processo de alfabetização e, portanto, a livros; como a elas lhes competia o ofício de criar a prole, o que geralmente significava dotar as crianças (especialmente as meninas) de bons costumes, boas maneiras e de um comportamento compatível à moral e às crenças locais, ficava a encargo delas ninar e entreter os infantes com canções e histórias de todo o tipo.

Diversas obras ao longo dos séculos nos trazem personagens femininas no papel de contadoras de histórias como é o caso da Princesa Sherazade (As Mil e Uma Noites), da Mamãe Gansa (Charles Perrault) e da Dona Benta (Sítio do Picapau Amarelo). A primeira mulher a ter destaque na literatura infantil foi Marie de France por volta de 1170. A respeito dela, infelizmente, não foram registrados muitos dados apenas sabe-se que era francesa, morou na Reino Unido, era amiga de Henrique II, Rei da Inglaterra e conhecia bem o latim, o inglês e as obras clássicas greco-romanas. Foi ela a primeira poetisa da França e a pioneira do gênero literário lais tendo escrito dois deles sobre a corte do Rei Arthur. Ela escreveu e publicou vários contos de fadas baseados em fábulas populares e folclore, alguns deles, inclusive, foram adaptados posteriormente por grandes escritores da literatura infantil como foi o caso de O Fresno e Laostic readaptados por Charles Perrault como A Paciência de Grisélidis e O Barba Azul respectivamente e Yonec  recriado com o nome de O Pássaro Azul  por Madame D’Aulnoy, e pelos Irmãos Grimm como Rapunzel. À propósito, foi justamente a Baronesa D´Aulnoy a mulher que sucedeu Marie na literatura infantil, mas isso somente por volta de 1690.

Após a produção intensa e cativante da Baronesa, muitas outras mulheres começaram a brilhar neste gênero literário: Gabrielle-Suzanne Barbot, Madame Leprince de Beaumont, Mary Wright Sewell, Vera Zhelikhovsky, Condessa de Ségur, Alexina de Magalhães Pinto, Kitty Barne, Sibylle Von Olfers, Harriet Martineau, Mary Mapes Dodge, Louisa May Alcott, Dinah Maria Mulock, Johanna Spyri, Anna Sewell, Kate Greenaway, Sally Lockhart, Frances Hodgson Burnett, Beatrix Potter, Selma Lagerlöf, Cicely Mary Barker, Eleanor H. Porter, L.M. Montgomery, Cecília Meireles, Alice Dalgliesh, Louise Seaman Bechtel, P. L. Travers, May Massee, Enid Mary Blyton, Nina Bawden, Ruth Chew, Hilary Robinson, Lauren Child, Astrid Lindgren, Margareth Atwood, Christianna Brand, Meg Cabot, Maria José Dupré, Mary Norton, Dodie Smith, Margery Sharp, Ruth Manning-Sanders, Ana Maria Machado, Lygia Bojunga, Teresa Noronha, Ruth Rocha, Diana Wynne Jones, Marina Colassanti, Susan Mary Cooper, Marina Warner, Socorro Acioli, Tatiana Belinky, Lenice Gomes, J.K. Rowling, Cornelia Funke, Cressida Cowell e Julia Golding. Cabe ressaltar que, aqui no Brasil, Cecília Meireles foi a responsável pela fundação da primeira Biblioteca Infantil do Rio de Janeiro e Lygia Bojunga pela criação de uma fundação que desenvolve ações para popularizar livros. Por tudo isso é que se pode considerar que são essas escritoras as verdadeiras fadas dos contos…

Crédito da imagem: Sobre Beleza