Muito Prazer. Para quem não me conhece, sou a professora e jornalista Vera Helena, e criei este blog dentro da Dunapress para dar vazão a algumas ideias que insistem em sair da cabeça e ir à tela. Quero ensinar a todos como fazer uma leitura vertical de um texto independentemente do gênero, seja informativo, poético ou argumentativo. Uma das minhas poucas vaidades intelectuais é saber que não há ideia que possa se esconder na cortina das palavras, que elas revelam pensamentos e sentimentos que o próprio autor quer ocultar. Outro objetivo bem mais prosaico é preparar você para provas e concursos. Não é novidade para ninguém que hoje todas as questões versam sobre Interpretação de Texto, sejam elas de Português, História ou Matemática. Vem comigo que você vai se dar bem.

A leitura vertical é bem próxima da reflexão, mas são conceitos que partem de pontos essencialmente diferentes. Refletir é enxergar-se a si mesmo, como pelo espelho, em que o conteúdo está ali, basta vê-lo, é reflexo. A leitura vertical nos obriga a ver o outro.

Apaixonada pela linguagem, aprecio todos os gêneros literários. Embora tenha o costume de ler a Bíblia, sermões e cartas de padre Vieira, textos acadêmicos e poesia, o que realmente gosto de escrever é jornalístico. Gosto de escrever como quem fala pela janela com os vizinhos ou vendedores da rua, ou como quem discute política na mesa dos cafés, ao ar livre, vendo o movimento da rua.

E quando leio esse mundo que passa e fica nos meus olhos, ele, por si, descortina outras leituras, de modo que aquilo que era horizonte e me permitiria mover a visão para trás ou para frente, em movimento cronológico, passado e futuro,causa e efeito, desloca-se para o alto e abaixo: entre as linhas há outro texto, abaixo esconde-se o que a palavra quer ou não quer deixar transparecer, acima está o significado que irá perdurar. Esse é apenas um exemplo, não a regra de uma leitura vertical.

Essa terminologia surgiu de uma entrevista que dei ao Jornal Folha Dirigida, especializado em concursos públicos. O repórter me perguntou qual era a principal característica de um bom redator. Como associo a boa redação à leitura(embora existam excelentes escritores não tenham tempo para ler nem mesmo o jornal do dia), respondi-lhe que era fazer uma leitura vertical. Acho que o rapaz não entendeu muito bem, porque eu mesma não entendi na hora em que falei. Deixei o conceito pendurado no ar, sem cabide nem varal. Costumo ter estalos assim, ao dar uma aula, ao conversar, pois gosto e preciso de pessoas, são elas as interlocutoras com as quais posso compartilhar ideias, ouvi-las e aprender muito. Entender o que digo e ser quem eu sou.

Foi só mais tarde, ao refletir (agora, sim! Nesse caso, foi reflexão)sobre a interpretação de textos, ao colocar a mão na massa da linguagem, que compreendi melhor o termo. A leitura vertical nos proporciona, em termo mais comum, “pensar fora da caixa”, pois há uma mensagem que o próprio texto, e não o autor, nos quer transmitir. Escritores, acredito que a maioria deles, leem verticalmente o mundo, bem como filósofos ou qualquer pessoa que possa entender a realidade de forma criativa. Portanto, o exercício da leitura vertical é, acima de tudo, um exercício de criatividade.

Portanto,faço-lhe o convite: Se você já sabe ler, não repouse seus olhos sobre a linha contínua que vai desembocar, como rio, no nada das ideias, acompanhe-me na aventura de deslocar a perspectiva para dentro da palavra, como cachoeira, acima e abaixo da linha. Será, certamente, um grande aventura radical.

Website Comments