Quando chega o mês de dezembro… Quanto encanto no ar! Por toda a parte um espetáculo de cores e luzes até mesmo em países em que o inverno é rigoroso e, portanto os dias têm tudo para ser escuros e sem cor. Uma atmosfera repleta de símbolos invade as ruas das cidades que se enfeitam tal qual uma nubente no dia de seu matrimônio. As casas surgem em um misto de glamour e bom gosto sendo belamente decoradas por fora e por dentro. Aliás, por dentro a magia reina! Coroas, grinaldas, guirlandas, flores, presépios, bolas coloridas, candelabros, velas, estrelas, árvores, sapatinhos na janela e, por vezes, aquelas tão divertidas piñatas cheias de guloseimas! As crianças nas escolas vivem seus dias mais felizes produzindo as mais diversas artes manuais e protagonizando espetáculos que contam a história dos pais de Jesus e de seu emocionante nascimento.

Exposições variadas e até concursos de canções marcam essa temporada única e fantástica. Feiras e bazares em todos os rincões. Nas praças, a tradicional contagem regressiva para a ligação das luzes das árvores e encenações sobre o nascer do Salvador. As igrejas, respeitosamente adornadas, ora em vigília, ora ecoando os sons apaixonantes dos coros e das cantatas, vibram fé e renovação. As rádios tocam clássicos temáticos e interpretações especialmente compostas para aquele ano. Em muitas localidades, as salas de cinemas estréiam curtas e longas pertinentes à data, e as emissoras de TV exibem séries especiais em 24 capítulos, com início no dia primeiro de dezembro, e uma coletânea de filmes sobre o tema nos finais de semana que precedem o “grande dia”. E é assim que deve ser, afinal, isso tudo só ocorre uma vez por ano.

Há um quê de graça na Graça divinal da estação. Um toque encantador de gratidão, de fraternidade, de esperança e até de nostalgia que nenhuma outra ocasião aflora. E tudo isso costuma florescer com o Advento – eu digo costuma, pois em alguns países, a animação é tanta que os preparativos começam em setembro! – que, tradicionalmente, tem início em 01 de dezembro e perduram até 06 de janeiro, tendo o seu ponto alto a noite de 24 de dezembro. Faz pelo menos uns 500 anos que o Advento teve seu début, no norte da Alemanha, uma tradição protestante posteriormente incorporada também por católicos, e que há cerca de 5 séculos criou a ideia do candelabro de 24 velas que deveriam ser acendidas a cada dia que passava até a véspera do Natal. Uns dois séculos mais tarde, luteranos iniciaram a distribuição de “santinhos” às crianças contendo algumas palavras do Evangelho em uma tentativa lúdica de explicar a elas o significado do Natal. No início do século XX estas práticas já eram tão populares que chegaram às Américas e, ainda, passaram a fazer parte do calendário litúrgico, como um período de preparação, oração, louvor e reflexão.  Desde então, na maior parte dos lares há uma Coroa, símbolo da nova aliança de Deus com a humanidade, com quatro velas coloridas, representando cada uma delas, uma semana do mês e a cada domingo uma vela é acesa, o que, de certo modo, relembra que Jesus é a luz do mundo. A Coroa do Advento tornou-se um selo especial a partir de 1946 e passou a ser emitido todos os anos em alguns lugares como um selo comemorativo de Natal. Já os Calendários de Natal são compostos por 24 dias, na forma, em geral, de uma caixa dividida em compartimentos que possuem cada um 1 elemento natalino no formato de doce ou chocolate, e podendo oferecer para cada dia uma tarefa ligada ao Natal (contar uma história, cantar um hino, fazer biscoitos típicos e por aí vai). Cada dia um dia é “aberto”. Algumas famílias divertem-se produzindo em casa estes calendários e substituindo os doces por livros. Por falar em livros, Hans Christian Andersen trouxe o tema natalino para alguns de seus contos de fadas: O Pinheiro, A Mãe do Sabugueiro, A Pequena Vendedora de Fósforos, Doze com os Correios e O Aleijado.  E, há países em que a propósito, a tradição é dar livros de presente e passar o pós-Ceia lendo recém-lançados contos natalinos!

Além do Advento, os dias 06 e 13 de dezembro dão uma agitada a mais na temporada. No dia 06 de dezembro é comemorado o dia de São Nicolau e as crianças deixam seus sapatinhos na janela para receber um presentinho; isto é, se tiverem se comportado bem. Do contrário, receberão um “trote”. Já no dia 13 de dezembro, que já foi considerada a noite mais longa do ano, celebra-se a festa de Santa Luzia (Lúcia), que simboliza a vitória da luz sobre a escuridão e constitui o ápice dos festejos do Advento, ocasião em que as crianças também tem suas meias ou seus calçados preenchidos por pequenos “mimos”. Assim, dezembro é realmente um mês de festa, de vida em família e de união. As famílias, inclusive, na véspera e no dia de Natal, em praticamente todo o mundo, reúnem-se na casa de um parente e, juntos, preparam a Ceia de Natal que, geralmente, conta com comidas típicas. Depois, todos de mãos dadas recitam poemas e cantigas de Natal, e trocam presentes, podendo acontecer jogos e brincadeiras como amigo-ocultos. A figura responsável por trazer os presentes varia de um lugar para o outro podendo ser o São Nicolau (Santa Claus), o Pai Natal, o Papai Noel e até mesmo um Leprechaun! Em muitas regiões é recesso natalino o período que vai de 24 a 26 de dezembro, ocorrendo ao meio-dia do dia 24 a mensagem da Paz que é transmitida por todos os meios de comunicação, uma tradição que remonta à Idade Média e perdura até hoje. Em nações monárquicas há ainda a tradicional Mensagem Real de Natal, em que o Monarca dirige-se a seu povo com palavras inspiradoras e encorajadoras, motivando-os a crer em Deus. A mensagem é transmitida ao vivo e em rede nacional.

De 01 de dezembro a 06 de janeiro ocorrem algumas celebrações mais como o Dia da Sagrada Família (30/12), o Dia de Santa Maria (01/01), o Dia do Santíssimo Nome de Deus (03/01), o Dia de Reis e a Festa da Epifania (ambos em 06/01). Diretamente ligada ao Dia de Reis, e igualmente cristã, a Festa da Epifania celebra a manifestação de  Jesus como Deus encarnado. Já o Dia de Reis, relembra a visita que os Três Reis Magos fizeram a Jesus. Nesta ocasião, há um bolo típico: o bolo-rei (ou bolo de Reis)  que é um bolo ou uma torta que contem um brinde surpresa no recheio. A pessoa que o encontra é quem vai trazer o bolo-rei no próximo ano, e ainda ganha uma Coroa (feita de plástico, pano ou papel). Em várias partes do mundo, as pessoas costumam, ainda, participar dos autos de Reis Magos e de festivais como Folia de Reis. A Noite de Reis é celebrada na noite do dia 05 de janeiro durando até a madrugada do dia 06. Em muitos lugares, é neste dia que as crianças recebem as prendas de Natal, porque de acordo com a tradição cristã, os Reis Magos é que trouxeram os presentes a Jesus. O Dia de Reis e a Festa da Epifania dão encerramento aos festejos natalícios: enfeites e presépios são guardados carinhosa e cuidadosamente para figurar lindamente no Natal seguinte.

Crédito de imagem: Vortex Mag

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