A saudade não mata
Mas faz chorar muita gente!

(M. Grisalde, a Condessa de Proença)

Nascida em 8 de junho em Famalicão, Anadia em Portugal, filha de Francisco Augusto Furtado de Mesquita Paiva Pinto, 1º. Conde de Foz de Arouce e Maria Joana de Bourbon Melo Giraldes de Sampaio Pereira, Maria de Melo Furtado Caldeira Giraldes de Bourbon foi uma importante escritora e compositora que assinava suas obras sob o pseudônimo de M. Grisalde, sendo Grisalde, um anagrama para Giraldes.
Nascida e criada no Palácio dos Condes de Foz do Arouce, em Famalicão, Anadia, Grisalde passou a infância em Portugal, nas propriedades tanto da família de seu pai, que era Conde, quanto na de sua mãe, que era irmã do Marquês da Graciosa (Fernando de Melo Giraldes Sampaio de Bourbon) juntamente com seus irmãos Francisco, Emília e Luíza. O palácio da família fora construído em 1860 após o casamento de seus pais, e foi erguido a partir de uma das casas de seus avós maternos (Maria José Caldeira Pinto de Albuquerque Leitão – Irmã de Francisco Caldeira Leitão Pinto de Albuquerque de Brito Moniz, 1.º Visconde da Borralha – e Fernando Afonso Geraldes de Melo de Sampaio Pereira, 1.º Visconde , 1.º Conde e 1.º Marquês da Graciosa).
Grisalde casou-se com o bacharel em Direito João Filipe Osório de Meneses Pita, 2º. Visconde e 2º. Conde de Proença-a-Velha, com quem teve seis filhos. Em virtude deste casamento Grisalde tornou-se a 2ª. Condessa de Proença-a-Velha. Grisalde, então, Condessa, residiu a maior parte do tempo em Lisboa, no entanto, passava temporadas em Anadia, o que lhe proporcionava o convívio cultural entre várias casas da Fidalguia Portuguesa. Nestas temporadas em Anadia era que a Condessa de Proença costumava oferecer serões em que recebia cantores e instrumentistas ligados à Canção de Coimbra, onde muitas vezes ela mesma acompanhava os cantores ao piano e musicava poemas.
Grisalde era extremamente culta, apreciava a literatura e o fado. Gostava de organizar divertimentos nos solares de suas residências a fim de promover boas músicas e boas trovas. Ela foi uma grande incentivadora de novos escritores, poetas, músicos e cantores de sua região, oferecendo a oportunidade de novos e desconhecidos talentos se apresentarem para membros da nobreza local. Ela ajudou muitos estudantes de música e literatura a se consolidarem, especialmente aqueles ligados ao fado e a literatura nacionalista do romantismo e do ultra-romantismo. Os saraus na “quinta de Famalicão” ganharam notoriedade por seu bom gosto e elegância. Por seu talento e trabalho literário e musical, Grisalde ficou conhecida como a “Condessa do fado de Coimbra”.
Como escritora, Grisalde era bastante versátil, pois escrevia histórias infantis e também poemas e canções a partir do lied schubertiano com uma dimensão patriótica que invocava restauração nacional trabalhando a realidade histórica. Seu ponto forte era que poesia lírica e as trovas que discorriam sobre a alma portuguesa com bastante sentimentalismo. Ela compôs músicas sobre poemas de autores como Almeida Garrett, Correia de Oliveira e António de Cértima.
Grisalde era uma mulher extremamente simpática, discreta, cativante e carismática; muito alegre, criativa e dotada de múltiplos talentos. Era também excelente pianista e musicista, e gostava de unir literatura e música como se as duas artes fossem na verdade apenas uma. Estudiosos acreditam que ela compunha estórias para crianças com o objetivo de semear nelas o gosto por poesia lírica e fado.
Grisalde foi responsável pela organização de matinês em seu palácio entre os anos de 1899 e 1903, que constituíam eventos marcantes na história da música portuguesa. A Condessa foi a única mulher portuguesa que durante todos aqueles anos era notícia na imprensa de seu país como compositora e como anfitriã ilustre que recebia em sua própria casa eventos sociais ligados a música e poesia bem como eventos para divulgação de apresentações que aconteciam fora de sua casa como os do Salão do Conservatório de Música de Lisboa. O público era sempre numeroso e sempre contava com uma boa quantidade de jornalistas para noticiar os acontecimentos. A peculiaridade dos eventos no palácio da Condessa era que, diferentemente dos que ocorriam habitualmente em Lisboa à sua época, em seu palácio poesia e música contavam com forte presença feminina, e, aliás, a presença feminina era bastante aceitável, e muitas vezes, tinha o objetivo de auxiliar as mulheres a alcançar uma colocação social e até mesmo profissional.
Em 1900, Grisalde fundou, contando com a colaboração de um professor de canto e um pianista, a Sociedade Artística de Concertos de Canto, e, além disso, foi pioneira quando introduziu em Portugal do modelo de concertos temáticos precedidos por conferencias e apresentações acompanhadas por notas explicativas.
Em 1904, Grisalde foi convidada de honra de um grupo de quintanistas da Universidade de Coimbra para escrever a balada de despedida. Na segunda década do século XX conviveu com grandes nomes da música local como Alexandre de Rezende, António Menano.

Obras:
As Minhas Asas (solo e coros, sobre um poema de Garrett)
As Nossas Poetisas
Auto do Fim do Dia (solo e coros sobre o poema de Correia de Oliveira)
Avé Marias (sobre poema de Teófilo Braga)
Cânticos Religiosos
Ecos do Passado
Fados e Encantos
Histórias da Tia Lilly
Melodias Dispersas
Melodias Portuguesas
Na Renânia
No Calvário (também solos e coros)
Nocturno
Os Nossos Poetas
Os Nossos Concertos e Alguns Séculos de Música (impressões de Arte)
Quem Quer Linhas, Agulhas e Alfinetes
Vibrações de Hoje

Crédito da imagem: Guitarra de Coimbra

Referências:
https://www.geni.com/…/D-Maria-de-Melo-…/6000000020159083112
http://portocanal.sapo.pt/noticia/22240
http://autorconcelhio.webs.com/mariademelofurtado.htm
https://www.cambridge.org/…/B062192C47E19BEB7739BD10A970E56E
https://www.geni.com/…/Maria-Joana-de-B…/6000000020159083106
http://www.campusvirtual.unirioja.es/…/TCascudo_ParisEmLisb…
http://autorconcelhio.webs.com/mariademelofurtado.htm