É Dia de Reis!

O dia 06 de janeiro foi feriado no Brasil até o ano de 1967, data em que se encerram os festejos natalinos e momento em que se celebra o Dia de Reis, feriado em quase todo o continente europeu até os dias de hoje cuja celebração começa na noite do dia 5 e madrugada do dia 6 de janeiro sendo conhecida como “Noite de Reis”.

O Dia de Reis, também conhecido como “A Festa da Epifânia ou Epifânia do Senhor”, é parte da tradição cristã e teria surgido por volta do século VIII, estando fundamentada especialmente no livro de Mateus 2, 1- 12 da Bíblia Sagrada, que versa sobre a visita de Magos do Oriente ao menino Jesus recém-nascido, em que eles ofereceram a ele os seguintes presentes: ouro, incenso e mirra.

Sobre estes Magos do Oriente sabe-se muito pouco. Em efetivo,  o que se encontra descrito na Bíblia é que os Magos do Oriente (no plural, porém sem menção a quantidade) encontraram Jesus algum tempo depois de seu nascimento e graças a Estrela de Belém que os guiou até o local. Alguns historiadores e teólogos propõem que a data da visita teria sido justamente por volta de 05/ 06 de janeiro, ainda que o tema das datas seja polêmico uma vez que a contagem do tempo à época era completamente distinta das datas na atualidade até mesmo porque o calendário da época do nascimento de Cristo era bastante diferente e, após o nascimento de Cristo os calendários sofreram inúmeras alterações, uma delas inclusive transformou o décimo mês do Calendário Romano (calendário lunar composto de dez meses) – dezembro – em mês doze, por exemplo. Outra possibilidade é que a data tenha sido escolhida por ser a data em que se celebra em alguns países o dia mundial do astrólogo já que antes de Cristo os temas astronomia e astrologia constituíam praticamente um único assunto e segundo estudos Egito, China, Grécia, Índia e Iraque já dispunham de conhecimentos nessa área a cerca de 2.500 anos antes de Cristo.

Outra hipótese tem seu foco na origem dos Magos. Conforme alguns estudos bíblicos os Magos representariam Jafé, Sem e Cam que eram os três filhos de Noé e que de acordo com a Torá (Torah Parashah 2, Tanakh, Bereshit) e a Bíblia Sagrada (Antigo Testamento, Gênesis 6 -9) representariam as três partes do mundo – na visão da época – as três raças existentes: o continente africano (que descenderia de Cam e cujo Mago presenteou Jesus com mirra, cujo uso na África era curativo e medicamentoso); o continente asiático (que descenderia de Sem e cujo Mago presenteou Jesus com incenso, produto que para a região das Índias tem uma ligação com fé e espiritualidade, representando a divindade) e o continente europeu (que descenderia de Jafé e cujo Mago presenteou Jesus com ouro que justamente é símbolo da realeza e era oferecido somente aos reis). Por volta do século III os Magos teriam recebido o título de Reis em uma associação aos reis de Arábia, Índia e Pérsia: Baltasar, Gaspar e Belchior (Melchior), cujos significados dos nomes, em hebraico seriam muito significativos. Tal associação parece ter sido uma tentativa de fazer uma ponte entre o conteúdo de Salmos 72 (originalmente 71, principalmente em 10 a 15) em que consta que “todos os Reis hão de adorar o Messias” e a descrição contida no livro do evangelista  Mateus. Outra suposição é que os nomes tenham sido baseados na Excerpta Latina Barbari do ano 500 ou em um documento  chamado“A Revelação dos Magos” encontrado por volta do século VIII (aproximadamente um século depois do Evangelho de Mateus) totalmente escrito em sírio antigo (e traduzido pelo Professor de Estudos Religiosos Brent Landau, da Universidade de Oklahoma, Estados Unidos), e considerado apócrifo (ou seja, que não obteve o reconhecimento da Igreja Católica e por isso não foi incluído na Bíblia Sagrada – ainda que o Vaticano segundo o que se tem notícias conserva a maior coletânea de Livros Sagrados apócrifos do mundo, inclusive disponibilizando-os a todos os que queiram estudá-los) que conteria uma boa quantidade de dados acerca dos detalhes não apenas da visita ao filho de Deus mas também a respeito dos Magos especificamente. Outro fato curioso em relação aos Magos é que na Era Medieval surgiu uma lenda que relata que 50 anos após o nascimento de Jesus Cristo, três Magos teriam se reunido na Turquia. E nesta região teriam falecido. Os corpos dos Magos, então, teriam sido trasladados para a Itália onde permaneceram até o século XII quando em 1164 o Imperador Frederico I os levou para Colônia na Alemanha, onde até hoje existe uma urna de ouro e de pedras preciosas na catedral da cidade que conteria os restos mortais dos Magos. Após isso, os Magos passaram a ser vinculados a Ordem dos Cavaleiros Templários e a coroa de Belchior (Melchior) teria sido entregue ao seu Grão-Mestre, conforme a narrativa de John Hildesheim, monge carmelita que escreveu Historia Trium Regum.

Seja como for, três ou vários Magos. Magos ou pastores de ovelhas. Reis ou pessoas comuns, o fato é que em muitas partes do mundo, especialmente em Espanha, Praga, Hungria, Bulgária, Grécia, França, Portugal, Galícia, Guiné-Bissau, Alemanha, Filipinas, Chipre, Itália, Canadá, México e Colômbia o Dia de Reis é comemorado em grande estilo. Na Colômbia o desfile de Dia de Reis já foi declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Na Espanha, o destaque é a Cabalgata de Reyes que ocorre há mais de 150 anos e que refaz a caminhada dos três Magos até Jesus. No Vaticano, a data é marcada pela Missa da Epifânia celebrada pelo Papa na Basílica de São Pedro. Cristãos ortodoxos também celebram a data com missas em que o crucifixo é erguido e exaltado.

Já no Brasil, a tradição do Dia de Reis foi trazida pelos Portugueses na época da colonização. Em Portugal até os dias atuais a data é celebrada com várias festividades e pelo tradicional “Cantar de Reis” (Reisadas) em que se cantam as passagens bíblicas relativas ao nascimento de Jesus. Algumas cidades do Brasil, notadamente as do interior, festejam o Dia de Reis com a típica Folia de Reis, uma festa popular em que três pessoas devidamente caracterizadas como Magos do Oriente levam de porta em porta as bênçãos do menino Jesus e relembram o caminho dos Magos até o Filho de Deus. Posteriormente, a Folia de Reis foi convertida em uma festa pertencente ao folclore brasileiro.

Na Noite ou no Dia de Reis, em alguns lugares, as crianças recebem doces e presentes e por todas as ruas há muita festa e alegria, até mesmo com marchas ou paradas acompanhadas por fanfarras e luzes. E em todos os lugares o Bolo-Rei ou o Bolo de Reis não pode faltar. O Bolo-Rei é um bolo especial porque em seu interior há um brinde e quem o achar tanto é coroado Rei quanto será quem irá oferecer o Bolo-Rei no ano seguinte. Algumas regiões confeccionam um bolo-rei gigantesco que é colocado à disposição da população, nas ruas, para que todos o comam e o compartilhem vivendo o verdadeiro espírito do cristianismo.

O Dia de Reis é um dia de festa mas também e, sobretudo, de espiritualidade e de paz. Um dia para reflexão e leitura da Bíblia em família sobre questões importantes como sabedoria, fraternidade, compaixão, generosidade e coexistência. É um dia para lembrar a visita de pessoas, que em amizade e harmonia visitaram o Rei dos Reis. Para alguns, no entanto, a data marca somente uma festa como outra qualquer ou apenas o dia em que são desarmados os presépios e guardadas as luzes e toda a decoração natalina, o que é realmente uma pena já que a reflexão proposta pela ocasião é vital e precisa urgentemente ser resgatada.

Celebre hoje com sua família o Dia de Reis. Compartilhe o bolo, leia a Bíblia e converse acerca de valores como amor, respeito, verdade, esperança e fé. Amar é doar um pouco de si todos os dias ao próximo. Amar é fluir em amor e Deus é amor.

Feliz Dia de Reis!

Saiba mais em:

https://www.bibliaonline.com.br/nvi/mt/2/1-12

https://www.bibliaonline.com.br/acf/sl/72

http://www.chabad.org/library/bible_cdo/aid/8165/jewish/Chapter-1.htm

VIEMOS PARA ADORAR O SENHOR Mateus 2, 1-12)