Considerações Finais sobre Conservadorismo

 

É obvio que existe uma proximidade natural em que os conservadores estão mais próximos aos liberais do que aos socialistas, por motivos históricos e também pela natureza individualista, não que os conservadores sejam individualistas, mas no caso do coletivismo, ele pressupõe a ideia da coerção e da autonomia interior, e isso é inadmissível para o conservador. Na pré-segunda guerra mundial não existia ponto de intercessão neste sentido. Enquanto para o liberal e o socialista há intercessão possível em vários momentos.

Para ficar um pouco mais claro vou exemplificar: O liberal se pauta por sistemas universais que priorizam situações de liberdade. Em uma situação concreta podemos citar o exemplo da Polônia na segunda guerra mundial. Era um país próspero, liberal e com economia livre. No caso do conservador, ele vai observar o contexto e dizer: “olha, a gente tem que se preparar, a gente tem que se armar ou teremos problemas. Tem que aumentar a burocracia estatal aqui, montar um ministério de defesa e comprar o maior número de armas possível ou vamos ser invadidos”.

O liberal observa essa mesma situação e sob sua perspectiva, ao ver a realidade de aumentar o Estado, diz “não! Não à intervenção estatal!”. O liberal vai sempre priorizar a liberdade acima de todas as coisas, vai ser sempre contra a guerra, contra a ideia de proteger fronteiras, enfim, a realidade imediata. Hitler invadiu a Polônia e nesse ponto o livre mercado não ajudou em nada. Mesmo com a propriedade que os poloneses tinham, seu país foi destruído, muitas pessoas morreram, 35% dos judeus foram para o campo de concentração e sua teoria econômica não serviu pra nada, então, não faz sentido para  o conservador ser dogmático com relação ao livre-mercado.

Se for necessário aumentar o tamanho do Estado porque a situação assim exige, o liberal vai fazê-lo sem pensar duas vezes, pois ele não é dogmático nem em relação à liberdade, pois não enxerga isso como um bem em si, inclusive costuma afirmar que a liberdade necessária é a falta da mesma para alguns. O único regime onde existe a liberdade plena é a ditadura, pois o ditador tem liberdade plena à custa da liberdade do resto da  população. Em qualquer outro sistema você será limitado, você não pode fazer tudo o que quer.

Existem certas liberdades que precisam ser bloqueadas para que outras mais importantes possam ser protegidas. Nós, conservadores, podemos seguir o mesmo discurso dos conservadores do século 18, mas todo discurso segue uma orientação interna ou externa, pois temos que manter nossa unidade interior e ao mesmo tempo nos sentirmos livres para conversar com outras pessoas, como por exemplo, vai ser muito difícil você explicar em detalhes o conservadorismo num bate-papo de bar.

Leituras recomendadas:

  • A politica da prudência
  • Porque virei à direita
  • Ser conservador
  • Ideias conservadoras
  • A nova ciência politica

 

O livro Admirável Mundo Novo é um bom exemplo, quase profético, sobre os dias atuais, pois apresenta informações privilegiadas. Abaixo, a sinopse.

Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras “pai” e “mãe” produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório e adestradas para cumprir seu papel em uma sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento. Um mundo no qual a literatura, a música e o cinema só têm a função de solidificar o espírito de conformismo. Um universo que louva o avanço da técnica, a linha de montagem, a produção em série, a uniformidade e que idolatra Henry Ford. Essa é a visão desenvolvida no clarividente romance distópico de Aldous Huxley, que ao lado de 1984, de George Orwell, constituem os exemplos mais marcantes, na esfera literária, da tematização de estados autoritários. Se o livro de Orwell criticava acidamente os governos totalitários de esquerda e de direita, o terror do stalinismo e a barbárie do nazifascismo, em Huxley o objeto é a sociedade capitalista, industrial e tecnológica, em que a racionalidade se tornou a nova religião, em que a ciência é o novo ídolo, um mundo no qual a experiência do sujeito não parece mais fazer nenhum sentido, e no qual a obra de Shakespeare adquire tons revolucionários. Entretanto, o moderno clássico de Huxley não é um mero exercício de futurismo ou de ficção científica. Trata-se, o que é mais grave, de um olhar agudo acerca das potencialidades autoritárias do próprio mundo em que vivemos.

 

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