“O acordo ortográfico é uma decisão política e como tal deve ser tratado. Não é uma decisão técnica sobre a melhor forma de escrever português, não é uma adaptação da língua escrita à língua falada, não é uma melhoria que alguém exigisse do português escrito, não é um instrumento de cultura e criação”.

A afirmação acima é do historiador e comentarista político português José Pacheco Pereira, mas ilustra muito bem a pauta que a DUNA vem levantando desde as primeiras publicações da DUNA Writers.

Diante do escândalo institucional que tomou conta da Academia Brasileira de Letras, aparelhada politicamente por indivíduos que traíram sua língua materna, seu povo e sua História, não nos resta alternativa a não ser seguir os passos dos confrades portugueses que se rebelaram contra o acordo espúrio perpetrado por uma comissão de entendidos mais em política que em Lingüística.

Não é de hoje que o marxismo cultural tem tomado conta da cena acadêmica e artística. Composta majoritariamente por elementos ligados a uma esquerda retrógrada, as intenções de se distorcer tão radicalmente a Língua Portuguesa são as piores possíveis e já trazem conseqüências para os falantes, os não-falantes (se agora quiserem aprender Português terão muito mais dificuldade, dada a confusão fonética que se instalou) e sobretudo para os jovens e as famílias, que devem se desfazer de bibliotecas para comprar novos livros de autores que escreveram em outra grafia, mesmo tendo os exemplares em casa. Os jovens também não conhecerão mais o que é um trema, os estrangeiros não saberão a pronúncia de palavras como “frequente” ou “linguiça”. Enfim, é a farra da desconstrução cultural engendrada por pessoas sem nenhum amor à língua materna. Pobre Machado de Assis! Pobre Padre António Vieira! Infelizes Fernando Pessoa, Camões e Monteiro Lobato!

Sob o pretexto de se abrigarem os países de Língua Portuguesa debaixo de um mesmo guarda-chuva, uma norma-padrão que unifique também os lusófonos da África, como Cabo Verde, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, um grupo ilegitimamente eleito impõe, sem nenhuma consulta ampla, normas que destroem não apenas a beleza da catedral que é o nosso idioma, mas condena toda a Literatura e ateia fogo em normas consagradas, pondo fim ao trema, sinal gráfico fundamental para a pronúncia, bem como os acentos em ditongos orais abertos nas paroxítonas (plateia, assembleia). O resultado é a divisão dos cidadãos e o desrespeito às diferenças regionais e dialetais de cada país.

Pois, se nossa missão é “Desenvolver projetos educacionais, culturais e empresariais para o desenvolvimento do nível da qualidade de vida”, urge nos pronunciarmos contra esse acordo espúrio, seja na Duna Writers, na Duna Press ou na Colligere Educacional, projetos que têm alcance internacional e primam pela lisura, pela ética e pela honestidade de suas propostas e de seus membros.

Todas as nossas publicações, doravante, estamparão na introdução, após a sobrecapa, uma nota dos editores: “Para respeitar a linguagem do autor e por decisão baseada em critérios editoriais, o texto deste livro não segue o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa, proposto para entrar em vigor em 2016. Foram preservados todos os acentos e sinais gráficos, bem como as regras de hifenização vigentes”.

Não estamos sozinhos. No Brasil, as manifestações ainda são tímidas, o que pode nos custar muito caro em termos diplomáticos, pois a ação dos acadêmicos encastelados tem gerado desgaste diplomático e a pecha de sermos os mandatários desse monstrengo. Em Portugal, a indignação foi às ruas em Lisboa e uma entidade intitulada “Cidadãos contra o ‘acordo ortográfico’ de 1990” propôs uma moção que já arrecadou quase 23 mil assinaturas.  Inúmeros escritores, professores e jornalistas têm se pronunciado e você pode ler as publicações que justificam a rejeição às novas normas por serem artificiais, criarem confusão e empobrecerem a linguagem. Também acrescentamos um artigo de opinião de um dos mais prestigiados jornais portugueses, o Público, que coloca o acordo de 90 em seu devido lugar: a lata de lixo da História.

 

https://www.publico.pt/2016/07/25/culturaipsilon/opiniao/carta-aberta-ao-pr-o-acordo-ortografico-do-nosso-descontentamento-1739257

 

 

https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/acordo/acordo-ortografico-acabar-ja-com-este-erro-antes-que-fique-muito-caro/2868

 

https://issuu.com/roquedias/docs/jrd_acordo_ortografico_final

 

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151007_acordo_ortografico_polemica_mf

 

https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/acordo-ortografico-por-que-o-brasil-implantou-mas-os-outros-paises-ainda-estao-esperar-69832/

 

 

http://www.dnoticias.pt/pais/manifesto-contra-acordo-ortografico-diz-que-novo-modelo-abriu-caixa-de-pandora-MK792196

 

 

 

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