O bem tem de ser praticado e procurado, o mal deve ser evitado.”

(São Tomás de Aquino)

 

Desde a Grécia antiga, os pensadores e estudiosos do comportamento humano escrutinam incessantemente duas idéias: a Ética e a Moral. São estudos intermináveis e uma vasta quantidade de livros acerca destes temas. A Ética ganhou evidência com o livro “Ética” de Spinoza e com Aristóteles em sua “Ética a Nicômaco”. Já a Moral, teve proeminência dada por Platão, Sócrates e Kant.

Virtudes! Afirmam os filósofos.

No tempo presente, venho observando um certo analfabetismo moral e ético, sob esta perspectiva, então, não seria equivocado constatar um analfabetismo de virtudes também.

Como assim?

Isso parece tão estranho e non sense.

Antes fosse. No entanto, não é.

Vejamos…

Ética é um termo que tem origem no grego e significa “bom costume” “bom caráter” estando evidente e profundamente associado ao termo latino moral, que por sua vez, significa “caráter” e concerne o conjunto de costumes e regras estabelecidos por uma sociedade, assim apontando para dois outros termos – imoral e amoral – sempre que houver uma ausência desta característica no comportamento do indivíduo. A moral é adquirida através da cultura e da educação tanto no âmbito familiar quanto no social, ou seja, em escolas e templos.

As idéias de Sumo Bem e Verdade parecem ser indissociáveis da Ética e da Moral. A escola filosófica denominada de Escola Estoica, ou Estoicismo, da qual o Apóstolo Paulo era simpático, e propagada por Zenão de Cítio (Século III a.c.), na verdade nada mais era que a Ética criada por Sêneca que era alicerçada nas idéias do uso prático da razão onde serenidade e paciência, são virtudes que se integradas conduzem à paz duradoura. Mais importante, porém, que a Ética no estoicismo está a questão da Moral, em que a felicidade humana reside na prática do bem, ou seja, na prática de comportamentos virtuosos (justiça, equilíbrio, prudência…) e no afastamento do mal (injustiça, devassidão, ignorância…). Como bem resumiu o apóstolo de Cristo, Paulo: “todas as coisas me são me permitidas, porém, nem todas me convém”, a Moral e a Ética se fundamentam exatamente nisso: o indivíduo é livre para fazer o que desejar, contudo, seu raciocínio (leia-se inteligência e sabedoria) o leva a praticar atos que o elevam enquanto ser humano e, sobretudo, ser espiritual.

Nesta linha de pensamento, temos bem claro que o debate acerca de Moral e Ética não são atuais, ainda que continuem muito atuais. O Bem segue sendo necessário e imprescindível porque no bem está a verdade, a integridade, a retidão, a união, o equilíbrio, a estabilidade, a justiça, a temperança, a sabedoria, a paz e, em última análise, a felicidade. A antítese do Bem é o Mal. No passado, no presente e muito provavelmente no futuro. O Mal… A desestrutura, a inconsistência, a injustiça, a mentira, a falsidade, a corrupção, a desunião, a depravação, o roubo, o caos, por fim, a destruição.

Ainda hoje, neste século, precisamos falar da Moral e da Ética. Porque por mais que os homens ao longo da História tenham falado delas, parece não ter sido suficiente ou parece que os conceitos ficaram perdidos no tempo e no espaço. Há um certo ar de desdém. Ou talvez a impressão de que tais conceitos estejam obsoletos, já que estamos no século XXI. No século XXI, amigos, o mundo não é dos espertos. Porque os “espertos” não são assim tão “espertos” porque se fossem agiriam com sabedoria e não com estupidez. Agir com sabedoria é pensar em si mas também no outro. É colocar-se no lugar do outro. Tentar sentir na pele o que o outro sentiria diante de uma determinada situação. É agir com o bem. Não um bem premeditado. Para auto-promoção. Mas o bem desinteressado. O bem de coração. O bem de alma. Ora, não há nada mais elegante do que agir com Moral e Ética. Porque o Bem nunca foi nem será démodé. Nunca sairá de moda. Quem não quer a “Paz Mundial”? Quem não quer o “felizes para sempre”?

O que acontece, então, que as virtudes indispensáveis para se alcançar a felicidade andam tão desprezadas, tão desvalorizadas?

Quem não quer que você seja feliz? Quem não quer que você tenha paz e prospere? Quem é esse ser dantesco que quer retirar de você a chance de você ser uma pessoa de bem, correta e completamente ditosa?

Seria…

Você mesmo?

Como vai você e como vão a Moral e a Ética em sua família?

Como vai a Educação Moral e Cívica em sua comunidade, em seu país, nas escolas que seus filhos estudam, no templo que você frequenta?

O que você tem feito em prol de resgatar a Moral e a Ética em seu meio, em seu círculo familiar e social?

Ocupado demais para pensar em assuntos filosóficos? Cansado demais para tais divagações utópicas?

Ficar sentado no sofá reclamando não ajuda muito. O que ajuda o mundo são as ações. Pequenas ações positivas em nosso dia-a-dia. O tempo que você perde falando mal de quem faz o mal, já não constitui algum tipo de mal?

Que tal falar sobre Moral e Ética em nossos lares, em nosso ambiente de trabalho, naquele papo de barzinho, no centro estético, na academia de ginástica e naquele clássico de futebol?

Que tal cobrar das escolas, dos templos religiosos, dos administradores públicos uma maior e mais eficaz propagação dos valores morais e éticos? Cobrar dos governantes que incluam matérias como Ética na Família e Educação Moral e Cívica como disciplinas obrigatórias em todas as instituições de ensino do país, isto é, como parte da grade curricular nacional.

Que tal ser um voluntário em seu condomínio, em seu bairro, em sua cidade para falar de virtudes, de Moral, de Ética. Faça cursos, estude e leve seus conhecimentos a todas as pessoas que conhecer. Aproveite a tecnologia a seu favor. Utilize as redes sociais para alfabetizar as pessoas que andam tão necessitadas de Moral e Ética. Ao invés de murmurar, apontar o dedo para culpados, ofereça soluções, crie projetos, implemente. Forme equipes de colaboradores.

Se for possível modificar seu bairro para melhor, tornar sua cidade um referencial no âmbito moral e ético, isso talvez “viralize” e muitas pessoas sigam o exemplo. E, com muitas cidades transformadas, o mundo também,será efetiva e positivamente afetado, e todos nós nos beneficiaremos disso, desfrutaremos todos de um planeta muito mais justo e equilibrado.

Nós merecemos. Nossos filhos merecem. Nossos descendentes merecem. Que legado vamos deixar a nossos sucessores?

Sejamos exemplo. Sejamos a geração que veio para mudar a história da humanidade.

Nós somos o Sal da Terra e a Luz do Mundo! Mãos à obra.

 

“Aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando.”

(Bíblia Sagrada,Tiago 4:17)

 

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