“- Chiquinho, quem foi d. Pedro II?

-Foi um velho de barba branca, parecendo Papai Noel, que está em uma foto da internet.”

Pensa que é brincadeira? Então leia por que fiz essa analogia com o blogueiro – vou tratar assim porque sou jornalista, e não sei se o rapaz fez faculdade ou é um dos muitos curiosos que o grupo Folha/ UOL contrata para ocupar espaço e difamar quem não concorda com suas posições.

O Chiquinho mencionado no título deste artigo não se refere a um aluno imaginário, mas a um certo jornalista de nome Chico que ganhou de presente uma coluna no portal UOL chamada “Estilo de Vida”, uma editoria provavelmente de fofocas e futilidades, uma vez que o próprio título não especifica de qual matéria se tratará: Literatura, Cultura, Comportamento, Política, Teatro, Culinária. Achei bem ajustada a editoria com o conteúdo apresentado por Chiquinho. Vai ficar aqui como exemplo de como não ler,  para a editoria de Leituras Verticais, que aborda, especificamente, a leitura de textos e discursos. Invariavelmente, estamos a todo momento observando aos leitores sobre o que ler e também sobre que não ler, ou como uma leitura pode estar totalmente errada. Nesse caso, a leitura nem existiu.

À parte a questão das generalidades que esconde em muitos casos a incompetência de pesquisa e a falta de autoridade para falar de assuntos como História do Brasil e de Portugal, por exemplo, quero apontar por que não vou dizer que o Chiquinho leu errado a obra da arqueóloga, historiadora e professora Valdirene do Carmo Ambiel. Chiquinho não leu o livro! Chiquinho não fez a lição de casa do jornalista quando vai tratar de um assunto. Chiquinho tem que voltar para os bancos escolares e parar de brincar de ser repórter, pois assim como médicos respondem a processos por erros médicos,  fanfarrões também, pois atingem a reputação de profissionais sérios.  Mas não vou falar da questão legal aqui, quero demonstrar, com a experiência que tenho como professora de Interpretação de Textos, uma das frentes de Língua Portuguesa, que Chiquinho não leu o livro e quis, por intenção, pegar uma carona no nome da professora Valdirene e em seu recente livro, “O Novo Grito do Ipiranga”, que tive o prazer de ler logo que foi publicado e recomendo a todos, pois ele muda o foco da História do Brasil e de Portugal. A pesquisadora e sua equipe trabalharam nos restos mortais de d. Pedro I (D. Pedro IV, em Portugal), d. Leopoldina e d. Amélia, a fim de extraírem novas e relevantes informações para a biografia das personagens. Por isso, o nome da obra não poderia ser outro senão “O Novo…” pois é uma publicação que realmente traz à luz o novo, o inusitado, o surpreendente e o belo de se descobrir que sobre uma história tão contada e recontada ainda existem lacunas a serem preenchidas por fatos, e não por ideologias.

Bem, como nada disso foi levado em consideração pelo Chiquinho, pois além de ele não ler a obra também não se deu ao trabalho de ler a crítica, resta saber em que ele se baseou para falar tanta asneira em um texto de apenas uma página. No Facebook pessoal da Valdirene. No blog de um amigo. Na sua posição ideológica e pessoal, ou de seu veículo. Ai, meu Deus, que eu morro com essa geração de blogueiros que não sentaram em banco de faculdade de jornalismo, ou se sentaram, não prestaram atenção às aulas de Legislação e Ética! Sim, quem faz faculdade de jornalismo tem essa disciplina, mas há quem diga que não existe ética no jornalismo.

Entretanto, como bem observou o amigo Marcelo Magalhães, Chiquinho se revelou como ótimo repórter ao fazer uma matéria bem desenvolvida e extensa com o palhaço travesti da Rua Augusta que ele muito quer bem, pois além de tecer elogios a essa personagem só conhecida por assíduos frequentadores daquela rua, deu-se ao trabalho de entrevistá-la e a todos os seus parentes de fora de São Paulo, fazendo meses de pesquisa sobre seu verdadeiro nome. Foi até ao inferno para aprofundar a matéria, logo, ela é muito rica em detalhes supérfluos, como aspas colocadas sem contexto e o diálogo da mãe do repórter com o palhaço. Grande coisa. Pronto, revelou-se a farsa do repórter que gosta mesmo é de investigar identidade de travesti. Ele envolve até a própria mãe na reportagem! É até covardia tecer comentário.

Bem, preferências à parte, pois o livro de Valdirene deverá ser considerado fonte primária para todo material didático a ser produzido em todos os países, além de conter a única fotografia de d. Pedro, pois o resto é ilustração, queria demonstrar por que afirmo que o aluno Chiquinho não leu o livro, portanto, não fez a lição de casa, merece nota zero e repetir o ano:

  1. Em nenhum momento ao falar da autora ele cita a obra, a não ser para dar os detalhes técnicos, como editora e nome do livro, que ele pegou da internet.
  2. Para se referir à autora, pesquisou sua página pessoal e pública do Facebook, coisa que até meu sobrinho de 8 anos faz melhor. Por essas e outras, escapou à percepção de Chiquinho que a constante menção da professora Valdirene faz a Mônaco não se deve por uma “idolatria a reis e príncipes”, mas ao fato de a pesquisadora ter sido funcionária do consulado daquele país por muitos anos.
  3. Para dar ares de pesquisa, o Chiquinho quer enganar o leitor e mostrar que conhece História do Brasil! Olha que lindo…vai na internet, pesquisa na Wikipédia e blogs para falar do período imperial, a especialidade da não-entrevistada! Poderia ter perguntado a ela, não é mesmo? Afinal de contas, ele chegou a entrevistá-la e pinçou as informações que lhe interessavam para justificar suas opiniões previamente definidas.
  4. . Também utiliza fotos e imagens de Valdirene sem contexto nem legenda. As fotos são do UOL, mas toda a matéria se refere a fato ocorrido em 2013. Soube que tirou algumas fotos também do site do Paulo Rezutti, amigo de Valdirene e que esteve presente ao evento, outro excelente historiador e escritor que Chiquinho deveria ler mais. Por que demorou tanto para fazer a reportagem, Chiquinho? Gastou sua energia no computador em uma tarde de sol, e também o nosso precioso tempo de leitura, ao ocupar um espaço para o qual não tinha o que escrever. Melhor seria ter ido à praia. Deve ser falta de pauta, mesmo. Estão faltando palhaços travestis no mercado.
  5. A afirmação de que o “ganha-pão” de Valdirene é prosaico mereceria um prêmio abacaxi do ano. Prestar serviços a empresas para saber se há sítio histórico no subsolo do terreno onde algo será construído é justamente o trabalho prático da arqueologia. Assim como falar outras línguas é necessário para fazer tradução de documentos. Ou ficar no computador falando sobre o estilo de vida dos outros, perseguir parentes de palhaço, levar chá-de-cadeira de entrevistado é melhor?
  6. Pergunta: Em que momento ele cita uma única frase do livro na matéria?

Não estou sendo muito rigorosa com o Chiquinho. Estou investindo meu tempo para colocar em seu devido lugar o mau aluno que não lê e não pesquisa antes de escrever, escamoteando sua ignorância nos ataques pessoais; e a Dra. Valdirene, professora que dedica sua vida a ensinar ignorantes como Chiquinho o que é uma investigação séria com fontes primárias. Para ela, nota 10 com louvor.

Saiba mais sobre o livro “O Novo Grito do Ipiranga”,

https://nationalgeographic.sapo.pt/historia/grandes-reportagens/1041-dom-pedro-i-iv-de-portugal-o-grito-do-ipiranga-arrancado-do-subsolo?showall=1

 

Resenha do livro: O Novo Grito do Ipiranga.

Lançamento do livro o Novo Grito do Ipiranga

AUTÓPSIA DE D. PEDRO I