(Inspirado em As Cidade Invisíveis de Ítalo Calvino)

 

O firmamento transforma seus matizes

A cada solstício e equinócio

Na cidade de Clarisse.

 

Nas ruas estreitas do Oriente

As mulheres de burca são cópias

Não tem identidade

São completamente anônimas.

 

Então, uma mulher de burca

Pode ser qualquer mulher

Pode ser todas as mulheres

E pode não ser ninguém.

 

Talvez uma delas seja duas

Em algum lugar, ela mesma

Em outro lugar, aquela que deseja ser.

 

E troca sua identidade

Muda sua história

Inventa memórias.

 

Tudo pode ser dito

E tudo pode estar

Ao revés…

 

Também, os rios alteram seu feitio

A cada inundação e estio

Na cidade de Clarisse.

 

Nos becos acidentados das Arábias

Uma dama com xador

É apenas mais uma matrona que passa

Não há porque olhar nem mesmo se ela fosse Tamar

 

Então, talvez uma delas seja muitas

Em poucos lugares, ela própria

Em muitos lugares, aquela que pensa ser.

 

E forja um passado

Acha um presente

Prediz um futuro.

 

Tudo pode ser substituído

E tudo pode ser um idílio

Tudo pode ser…

 

Tudo!

Até o que não é

Na cidade de Clarisse…

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