Zelda é o nome do momento. Princesa, guerreira e heroína adorada pelos adolescentes e que deixou para trás nomes como Carmen Sandiego, Tyris Flare, Yuri Sakazaki, Sonya Blade, Morrigan Aensland, Jill Valentine, Lara Croft, Samus Aran , Chun-Li e até Miss Pac-Man.

Mas, afinal quem é Zelda?

Zelda nasceu na série The Legend of Zelda (1986), um jogo da Nintendo sobre um reino chamado de Hyrule, um misto de fantasia, aventura e muita ação com a participação de deusas e jovens heróis que se destacam por serem dotados de coragem e sabedoria, em uma verdadeira e constante luta do bem contra o mal, que teve como inovação a passagem por dois mundos: o mundo escuro e o mundo claro.

A partir dos anos 1990, Zelda começou a ficar mais conhecida, talvez porque a personagem e o próprio game viessem sendo aprimorados e alguns remakes começaram a ser realizados, inclusive unindo Zelda à Dinastia de Guerreiros. Além de aclamado pela crítica, A Lenda de Zelda foi o game mais vendido de 1998, e considerado o melhor jogo de todos os tempos.

Em 2003, foi lançada uma edição da saga para colecionadores, seguida de vários minigames baseados em Zelda e que obtiveram sucesso em outras séries, mas a personagem promissora seria parte ainda de outros jogos da série, incluindo um em que surge uma raça de duendes chamados Minish, e mais tarde duelos de espadas, reinos acima das nuvens, sábios, fantasmas e piratas com seus navios assombrados, o que rendeu bons duelos, fortalecendo ainda mais a presença da mitologia e do folclore na série épica.

A saga de Zelda é interessantíssima porque ocorre dentro e fora do ambiente de jogos eletrônicos. Com início nos anos 1980, ainda hoje Zelda, a musa, reina poderosa. Em 2017, The Legend of Zelda:Breath of the Wild é lançado para Nintendo Switch e Wii U e foi novamente um sucesso de crítica e apontado como o melhor jogo de todos os tempos.

Na seqüência, livros e até uma enciclopédia (Enciclopédia Zelda) baseados nos jogos começaram a ser escritos, e recentemente traduzidos para a língua portuguesa. Os livros tornaram-se febre entre os adolescentes e esgotaram-se em poucos dias. Todos os dias, de livraria em livraria, a turma teen, entra em grupos e em tom de desespero, a perguntar “Zelda chegou?”. Curiosamente, muitos jovens adultos, na faixa dos 30/40 anos também são leitores fanáticos da saga literária Zelda, e já são vários trabalhos acadêmicos nas áreas de pedagogia, psicologia e literaturas que tentam desvendar o segredo de Zelda: porque tanta fixação pelos livros sobre Zelda e seu reino? O reino de Zelda é fictício, repleto de monstros, portais, oráculos, destino, feitiços, totens, batalhas espirituais mortes e renascimentos; que arquétipos isso representa nos dias atuais? E qual o significado que Zelda agrega à psicologia e à teologia? Seriam os temas trazidos em Zelda (Monarquia, Mitologia e Heroísmo) os ingredientes perfeitos para um bestseller? Como trabalhar Zelda nas matérias de História, Literatura e Educação Moral e Cívica nas escolas? Todos esses e outros mais são questionamentos super válidos e que realmente devem ser feitos, pois nos ajudam a compreender tanto o imaginário coletivo atual quanto os anseios da juventude contemporânea.

As pessoas parecem estar sedentas, famintas e desejosas por reinos, impérios e heróis. As sagas mitológicas voltaram com força total, e os personagens folclóricos todos estão em alta. Não é mais um tempo de contos de fadas em que os heróis são bonitinhos e os vilões feiosos. Nas sagas, os reinos podem ser povoados por ogros ou guerreiros troncudos, verdes ou azuis, carecas ou de cabelos brancos e geralmente de corpos disformes, com orelhas e narizes enormes. A aparência é o menos importante, pois a coragem, a força e o heroísmo é o foco. As idéias de revolução, de luta pelo bem e pela paz e a restauração do reino é o cerne. Quiçá, o que reine entre nós, pobres mortais,  seja a esperança de que em algum momento essa cena do império restaurado, do vilão derrotado e do bem vencendo o mal seja possível e real. Quiçá, algum dia, alguma Princesa Zelda venha nos salvar a todos. Zelda… A princesa do crepúsculo, a princesa da promessa celestial reina a mais de 30 anos, soberana!

Um dia disseram “nunca houve uma mulher como Gilda”, contudo, hoje, eu ouso discordar, e Rita Hayworth que me perdoe, mas nunca houve uma mulher como Zelda…

Saiba tudo sobre Zelda no site oficial.

Crédito da imagem: Zelda

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