Recente polêmica envolvendo o posicionamento de membro da Canção Nova em relação ao ensino em domicílio reacende no Brasil o debate a respeito do homeschooling. Mas o que é homeschooling? Qual a diferença de homeschooling para um curso online (EAD ou E-learning), teleaula, videoaula, webaula ou tutoria online?

Saiba mais por meio de nossos vídeos e também em Butterfly Magazine Ed. III. que traz também um especial sobre Educação e o Duna Colligere!

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Parte I

Parte II

Parte III

Por falar em educação domiciliar… O que isso significa? Ou como dizem alguns: “que novidade é essa?”. Como visto acima não há de novo, muito pelo contrário.

A professora Clarissa Xavier realizou uma grande pesquisa sobre o tema, a qual o leitor pode conferir a seguir:

Tudo se aprendia em casa. A casa era o lugar do saber. Do aprender. Do experimentar. Do vivenciar. Lar doce lar… O lugar dos livros, da música, da arte, dos primeiros experimentos, das histórias contadas oralmente passadas de geração em geração, das tradições… Tudo se descobria em casa. Fosse a casa um palácio, uma moradia simples ou uma pequena oca era ali o lugar de ser educado, instruído e letrado. E fosse o mestre um soberano, um ancestral ou um ancião da tribo era ele o responsável pela transmissão dos conhecimentos, da cultura e da formação social, moral, espiritual e digna de cada membro da família. Sim, a casa, esse ambiente tão mágico, acolhedor, seguro, confortável e cheio de amor, o nosso castelo particular: a nossa primeira e mais querida escola! Sim, a família, essa instituição tão imprescindível a toda a sociedade, a célula mater: o lugar em que conhecemos nossos primeiros amigos e adquirimos nossos primeiros exemplos de vida.

Era desse jeito que a escola funcionava antes da chegada dos centros e institutos educacionais como nós os conhecemos hoje em dia. E foi assim até por volta do início do século XX. E, ao contrário do que muitos possam pensar, o fato de todo o conhecimento ter seu cerne no ambiente familiar, na própria casa não tornava o ensino deficiente tampouco indisciplinado. Era exatamente o oposto. Prova disso é que nos Estados Unidos os ex-presidentes George Washington, Abraham Lincoln, Thomas Jefferson e o líder da revolução americana Benjamin Franklin foram educados em casa.

Mas, afinal, o que ser educado em casa, no seio da família, tem a ver com Homeschooling? Aliás, o que é Homeschooling?

Homeschooling é um termo proveniente da língua inglesa que significa justamente ensino domiciliar, ou seja, ensino ministrado na residência da criança, sob este prisma aluna, por um familiar ou outro indivíduo que coabite o domicílio. Logo, trata-se de uma prática antiga que foi resgatada nos anos 1970, momento em que acontecia nos Estados Unidos uma mobilização em prol da reforma educacional cujos fundamentos alicerçavam-se especialmente nas teorias de Ivan Illich, Raymond Moore, Dorothy Moore e John Holt; este último, seu maior idealizador e desenvolvedor.

O movimento de reforma na educação apoiando o retorno da educação domiciliar começou nos anos 1960 e 1970 e não era favorável as leis de ensino compulsório em instituições extra lar promulgadas em fins do século XIX e início do século XX, pois viam a educação engessada, industrializada, limitadora, e política e religiosamente tendenciosa e/ou duvidosa. Um dos grandes defensores do retorno da educação em domicílio foi Rousas John Rushdoony que via o modelo de escola progressista como terrivelmente falho e temeroso. Ele era enfático ao afirmar que era urgente suspender a interferência do Estado na educação, tese esta que ele desenvolveu minuciosamente em três obras: A Filosofia do Currículo Cristão, Esquizofrenia Intelectual e Caráter Messiânico da Educação Americana.

Já o educador Raymond Morre, da Moore Foundation e da Academy Leaders in Homeschooling, considerado o “avô do Homeschooling” começou sua vida profissional como Professor e Diretor, e em seguida passou a Superintendente das Escolas Públicas da Califórnia tendo ainda servido na equipe do General MacArthur. Ele graduou-se no Doutorado em Educação da Universidade do Sul da Califórnia e assumiu a posição de Reitor acadêmico e presidente de várias faculdades adventistas nos Estados Unidos, no Japão e nas Filipinas. Juntamente com sua esposa (Dorothy Moore) ele começou uma pesquisar a fim de estimar a validade acadêmica da Educação Infantil tendo em vista tópicos como o desenvolvimento físico e mental de crianças. O estudo do casal Moore apontou que a escolaridade formal antes dos 8 anos de idade não só era ineficaz como também era prejudicial para as crianças nos âmbitos acadêmico, social, mental e até mesmo fisiológico. Os Moore apresentaram evidências de que problemas da infância tais como delinquência juvenil e  até miopia estariam ligados ao afastamento da criança de seu lar e de sua família. Segundo eles, inclusive, mães tribais analfabetas na África produziam crianças que eram social e emocionalmente mais avançadas do que as crianças ocidentais típicas pois os laços e o desenvolvimento emocional feito em casa com os pais faz toda a diferença, e que tanto a auto-estima como a alegria de viver pareciam ser melhores em crianças educadas em casa. Em 1975, o casal Moore publicou seu primeiro livro Better Late Than Early e assim se tornaram os principais defensores e consultores de homeschooling. Os clássicos Home Grown Kids e Homeschool Burnout são fontes imprescindíveis de consulta para todos os que tem dúvidas e interesse sobre o assunto.

Outras filosofias educacionais surgiram como as de Susan Sutherland Isaacs, Charlotte Mason e Kenneth Robinson e, atualmente, existe uma quantidade razoável de livros cujo foco é o homeschooling. Um dos principais benefícios do homeschooling é primeiramente que os pais têm o controle sobre o que e de que maneira seus filhos aprendem, e também, que sob sua supervisão é possível atender os talentos e as habilidades individuais de criança, além de motivos filosóficos e religiosos, motivos preocupantes para muitos pais já que há materiais e métodos pedagógicos considerados incompatíveis com o estilo de vida deles. Outro fator é que em casa a criança está mais protegida de bullying e assassinatos nas salas de aula os quais tem aumentado assustadoramente bem como aliciamento para o consumo de drogas e/ ou prostituição, abusos sexuais e raptos. Ademais muitas escolas têm demonstrado um declínio na qualidade do ensino e as salas de aulas muitas vezes encontram-se superlotadas com 30, 40, 50 alunos. Os currículos e os horários são pouco flexíveis, o sistema de avaliação ineficaz em que o aluno decora mas não aprende. Repete mas não compreende. Gradua-se mas não está preparado para o mercado de trabalho e não sabe ou sabe muito pouco sobre empreendedorismo e trabalhos manuais. Outro ponto positivo apontado para o ensino domiciliar ou parental é que a saúde da criança é melhor já que a probabilidade de se contaminar com doenças infectocontagiosas e vírus são menores. Também, o fator mobilidade é mais benéfico pois a criança não é submetida a engarrafamentos, travessias de ruas perigosas, assaltos em vias públicas ou  certas dificuldades como calor ou frio excessivo, tempestades, enchentes e deslizamentos.

Homeschooling é um método mais natural e espontâneo em que os tutores ou professores são pessoas da própria família ou comunidade, normalmente os próprios pais, podendo ou não ter respaldo de uma instituição escolar, que pode inclusive oferecer atividades extras, desportivas, artísticas, e técnico-profissionalizante alguns dias da semana. O currículo pode ser livre e é habitual que exista uma avaliação anual podendo efetuar exames de equivalência à freqüência. As famílias recebem visitas e tutorias em domicílio por meio de membros de associações locais ou a visita de um inspetor à residência do educando a fim de analisar o rendimento pedagógico desta criança. Em alguns países é oferecido aos pais um pequeno curso para que eles possam ser treinados para a árdua porém gratificante tarefa de educar. Neste particular, ainda mais gratificante uma vez que o homeschooling permite uma maior interação e diálogo entre pais e filhos, o que também estreita os laços afetivos entre todos os membros da família.

O Homeschooling já possui uma boa quantidade de métodos e materiais modernos que mantém os princípios conservadores e valores cristãos que tantas famílias desejam para seus herdeiros bem como sites de organizações educacionais com fóruns e atividades que informam e norteiam os tutores. Muitas famílias optam, ainda, por participar de aulas por correspondência ou por meio de ensino à distância (EAD, online). Alguns países têm programas de educação domiciliar muito bem estruturados e regulamentados. Em Taiwan, por exemplo, foi fundada uma Organização de apoio ao Homeschooling, com o objetivo de fornecer suporte didático e jurídico às famílias. Através do apoio e do respaldo recebidos pela Organização, as famílias decidiram estender o Ensino Doméstico também a crianças maiores. Em muitos países Cooperativas foram criadas. É a ideia do Homeschool Cooperative  que proporciona uma oportunidade para as crianças aprenderem com outros pais  bem como fomentar a interação social, ou seja, a tão importante socialização extra domiciliar em que os infantes estudam juntos e realizam visitas a museus, bibliotecas, centros culturais, jardins zoológicos, parques, delegacias, hospitais, laboratórios, instituições judiciárias e estabelecimentos ligados as Forças Armadas. Portanto, fica evidente que a socialização se dá por meio de participação comunitária, social e política. Já pelas redes sociais as pessoas ligadas tanto as cooperativas quanto ao homeschooling têm a oportunidade de manter contato, criar fóruns, partilhar informação, assistir a congressos e seminários à distância e até mesmo participar de aulas online através de sistemas bastante parecidos com os usados ​​por algumas universidades. Há cooperativas que também oferecem bailes de conclusão de curso (Promenade Dance, Prom School Dance) e graduação (homeschooler graduation). E não para por aí. Essas cooperativas estão tão bem elaboradas que através do programa  Web 2.0 já é possível realizar simulações de cooperativas de homeschooling online.

De acordo com o “HSLDA – Homeschooling Grows Up” em 2003, o National Home Education Research Institute realizou uma pesquisa nos Estados Unidos com 7.300 adultos que foram educados em casa (5.000 deles por mais de sete anos) e o resultado foi que os graduados via Homeschool são mais ativos e envolvidos em assuntos cívicos e em suas comunidades onde 71% participam de alguma atividade de serviço comunitário invariavelmente, qual seja, treinando uma equipe de esportes ou trabalhando junto a uma associação de igreja ou de moradores. Já apenas 37% de adultos americanos, de idades similares, oriundos da educação tradicional realizam tais voluntariados.

Além dos Estados Unidos, a prática do Homeschooling tem sido cada vez mais difundida em: Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Egito, Espanha, Havaí, Hungria, Itália, Japão, México, Noruega. Nova Zelândia, Portugal, Reino Unido, Rússia e Taiwan.

Em 1996, a Noruega teve a sua primeira Conferência Nacional sobre Homeschooling em Ullvik, Hardanger. O Movimento Cultural Brasil-Noruega de Duna Global empresa comprometida  com a promoção da família, da ética, da paz, do respeito à vida, da proteção ao Meio Ambiente, dos valores cristãos, históricos, patrióticos e nacionalistas bem como o desenvolvimento do D.H.I. (Desenvolvimento Humano Integral) e do D.E.P.A. (Desenvolvimento Eco pró-ativo) dispõe do DUNA COLLIGERE que tem como conceito pedagógico a educação de alta qualidade e onde é possível ter acesso a e-books e aplicativos educativos voltados para homeschooling e pautado em princípios e valores cristãos e cívicos. Muitas famílias, inclusive do Brasil, têm grande interesse em homeschooling, por isso, Duna Colligere pretende ajudá-las a entender como funciona e oferecer material confiável e de qualidade.

DUNA COLLIGERE inspira-se na grade curricular norueguesa que tem como disciplinas: norueguês, inglês, matemática, música, ginástica, ciência social, ciências naturais, alimentação e saúde, artesanato, trabalhos manuais, filosofia e ética, e ética na família. Recentemente as escolas da Noruega receberam implementações de vários procedimentos tecnológicos cujo escopo é auxiliar o estudante em diversas atividades, todavia, vale ressaltar que a tecnologia não substituiu os livros impressos nem o uso dos cadernos.

Não deixe de conferir:  DUNA COLLIGERE – https://www.duna.global/grade-educacional

https://www.duna.global/edu

Grade escolar norueguesa em: https://www.udir.no/ (https://www.udir.no/in-english/)

ENTRE CIDADES E PAÇOS: MEMÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE DUAS PRINCESAS BRASILEIRAS em: http://www.ixcbhe.com/arquivos/anais/eixo5/individual/5266-5283.pdf

AGUIAR, Jaqueline Vieira de. Princesas Isabel e Leopoldina: mulheres educadas para governar.
Curitiba: Appris, 2015.

AGUIAR, Jaqueline Vieira de.; VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. ‘Meus caros paes’: A
educação das Princesas Isabel e Leopoldina. Revista Educação em Questão (UFRN. Impresso),
v. 44, p. 6-35, 2012.

BLAS, Verónica Sierra. Aprender a escribir cartas: Los manuales epistolares en la España
contemporânea (1927-1945). Gijón: Ediciones Treal, S. L., 2003.

GARCIA, Rodolfo. Os mestres do Imperador. Anuário do Museu Imperial. Petrópolis, v. 1, 1946.

GOMES, Angela de Castro (Org.). Escrita de si, escrita da história. Rio de Janeiro: Editora FGV,
2004

VASCONCELOS, Maria Celi Chaves. A casa e seus mestres: a educação no Brasil de oitocentos.
Rio de Janeiro: Gryphus, 2005.

Moore, Ramond e Dorothy. Home-Grown Kids: A Practical Handbook for Teaching Your Children at Home. Waco: Word Books, 1981

https://www.hslda.org/research/ray2003/

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