Para quem deseja ser escritor, mas não sabe como começar organizamos algumas dicas super simples com alguns aspectos importantes de redação. Siga este pequeno roteiro e comece já!

Como começar? Que tal pelo título? Ou tema? Ou assunto? Tem diferença?

Tem! Veja a esquematização gradativa:

Assunto: é a idéia mais geral, abrangente que engloba uma série de aspectos.

Tema: é uma idéia mais específica, um aspecto dentro do assunto.

Título: é um aspecto dentro do tema. É a idéia que sintetiza, simplifica o que vai ser escrito. (Resume toda a redação).

Desta maneira, primeiro é preciso pensar: Qual assunto? Em seguida: Sobre esse assunto, o que eu gostaria de falar? E, só então, decidir-se por um título, que além de sintetizar o tema deve ser atrativo para o leitor, despertando sua curiosidade e seu interesse.

E se o assunto for genérico demais? Como me decido sobre o tema?

Nesse caso, existem dois caminhos possíveis: optar se o tema será aberto ou fechado:

Tema aberto: é o tema livre, apresenta somente o assunto sem propor um tema sobre ele.

Tema fechado: é o tema que propõe, sugere uma opinião, apresenta uma posição assumida.

Assunto, tema e título definidos. Oba! Posso começar agora? Mas… Como começar?

O primeiro passo é a pesquisa acompanhada de anotações. A partir daí, você deverá organizar suas observações de acordo com o que deseja escrever, por exemplo, uma tese, um romance, uma ficção. Neste processo, a argumentação será fundamental. Mas o que é argumentação? A argumentação é o uso de argumentos ao longo de um discurso, visando persuadir (convencer) o leitor. É utilizar a linguagem de forma a conquistar a atenção do público, emocionar ou empolgar.

Para uma boa argumentação, alguns aspectos são imprescindíveis:

  1. Partir sempre do pressuposto de que os outros não sabem do que você fala;
  2. Ter unidade: centralizar o assunto, não fugir dele e nem muda-lo. É aquela máxima: um livro que fala de tudo, acaba não falando de nada;
  3. Comprovação: é o que pode oferecer credibilidade ao texto, reforçar, confirmar e enfatizar certas afirmativas. Para isso, pode-se usar: citação de fonte primária e/ou estatísticas ou pesquisas reconhecidas internacionalmente. Mesmo em um texto de ficção é preciso fornecer alguns dados que convençam o leitor de que estão em um determinado lugar, em um determinado tempo… ;
  4. Explicação: um texto ganha mais confiabilidade quando as afirmativas vêm acompanhadas de exemplos ou explicações. Detalhes são necessários desde que não haja redundâncias (repetições);
  5. Refutação de argumentos contrários: um texto para ser convincente não deve ignorar a existência de argumentos contrários; isto é, opiniões ou realidades opostas às suas. É preciso conhecer o tema sobre o qual se escreve em sua totalidade; ou seja, a parte que você “concorda” e a parte que você “discorda”, isto porque até para discordar é preciso demonstrar conhecimento;
  6. Cuidado com noções confusas, vagas e indeterminadas, idéias sem lógica e articulação, desorganizadas; ou seja, sem coerência. Da mesma maneira, o emprego de noções abrangentes e subjetivas, afirmações genéricas e com sentido ambíguo devem ser explicadas para que o leitor não contra-argumente ou questione, pois se isso ocorrer você acabará perdendo o poder de persuasão;
  7. O texto deve sustentar determinada idéia até o fim; isto é, começar e finalizar afirmando a mesma opinião. No caso de narrativas como romance, fantasia, ficção ou até poesia é preciso ter cuidado com os nomes dos lugares e dos personagens. O ideal é fazer uma lista e tê-la sempre à mão.

Eu não escrevo tão bem assim… Cometo muitos erros. Ainda assim, posso ser escritor?

Primeiramente, o dicionário é sempre o melhor amigo do escritor. Na dúvida consulte. A língua portuguesa não é uma língua cuja gramática seja muito simples de maneira que é importante ter acesso a uma gramática para pesquisas. Uma visita ao site da ABL (Academia Brasileira de Letras) ou à própria ABL é de bom tom.

Outros dois detalhes vitais são:

  1. Reconheço o Acordo Ortográfico de 1990? Escrevo em que ortografia? Pesquise sobre a situação do AO90 e a ação na justiça de Portugal contra ele. Decida-se e defina uma linha de trabalho;
  2. Estrangeirismos (ou barbarismos): palavras estrangeiras (empréstimos lingüísticos) usadas em nossa língua e/ou aportuguesadas. É desejável que se investigue se a palavra foi realmente aceita pela língua portuguesa e qual a sua grafia. Palavras estrangeiras devem ser grafadas entre aspas ou em itálico. Fique atento, pois nem todas as palavras aparentemente consagradas são aceitas: otimizar, agilizar, implementar, estartar, printar; entre outras, especialmente jargões do meio corporativo não são aceitas pelos gramáticos.

Sou escritor. Posso escrever do jeito que eu quiser e inventar palavras!

Não é bem assim. É certo que todos os artistas sejam eles escritores ou compositores têm a chamada licença poética (ou liberdade poética), porém, há limites. Um erro de ortografia como, por exemplo, trocar S por Z; ou um erro de pronúncia trocando L por R não se inserem em licença poética e sim em falta de conhecimento.

Quanto à criação de novas palavras, este fenômeno realmente existe e é classificado como neologismo; no entanto, também neste caso há restrições: se uma idéia para definir uma ação, qualidade ou estado já existe não há porque criar outro ou aportuguesar uma expressão oriunda de outra língua. Chaucer, Shakespeare, Dante, Cervantes e Camões foram escritores que em muito contribuíram para a língua de seus países inserindo palavras que não existiam em suas línguas maternas, mas que existiam em outras, como por exemplo, parece ter sido, segundo alguns filólogos, o caso de Shrew criação atribuída a Shakespeare e que intitulou uma de suas obras mais admiradas “A megera domada” (The Taming of the Shrew).

E de onde vem a inspiração?

Escritor que é escritor inspira-se com qualquer coisa. Até uma pedra pode transformar-se em uma ótima história. Ser escritor é em parte dom, vocação; em outra intenso e incansável trabalho de investigação e pesquisa. Vale lembrar que um escritor trabalha muito e, geralmente, vira noites escrevendo e reescrevendo. Balzac, um dos mais renomados escritores franceses chegava a comer pó de café para que pudesse produzir mais. Ele chegava a trabalhar mais de 15 horas por dia, de domingo a domingo. Logo, ser escritor é também um ato de amor e muita determinação.

A Crítica Textual é uma área que trabalha em reunir e estudar manuscritos de obras, em que realiza comparativos entre o rascunho e o que foi publicado. Em tais comparativos, vê-se de tudo um pouco, desde muitos rabiscos, desenhos, partes de textos desprezadas e partes que só aparecem na versão final (publicação); uma prova de que até os melhores escritores encontram erros e defeitos em suas próprias criações. Portanto, não ter medo de escrever e de errar é um passo crucial assim como a disposição para revisar e reescrever algumas ou muitas vezes.

Outro dado importante é a leitura. Quanto mais lemos, mais criativos e imaginativos nos tornamos. A leitura enriquece e, especialmente a leitura de obras de outras culturas. E, como a prática leva à perfeição, obrigue-se a ler muito e a escrever também.

Escritor só escreve…

Só escreve parece ser bem pouca coisa, todavia, na verdade, escrever é muita coisa. Um trabalho tanto mental quanto braçal. A propriedade intelectual é um dos mais difíceis ofícios e é intransferível. Ninguém mais no mundo pode fazer exatamente igual. Não é possível pedir a outro que escreva um livro para você; pois neste caso, o livro seria dele e não seu; donde ter-se-ia um caso clássico de plágio… Se pensarmos bem só houve um um Machado de Assis… Por mais que outros escritores tenham se inspirado nele não conseguiram escrever como ele. Por isso, ser escritor é uma ocupação única.

Outra questão é que o verdadeiro escritor é acima de tudo um empreendedor. Uma rápida pesquisa pela biografia de Fernando Pessoa nos oferece um bom panorama sobre isso. Escritor não apenas escreve, mas também e, sobretudo divulga e vende de porta em porta a sua obra.

Vou lançar meu livro e ser um bestseller em uma semana!

Não podemos nos deixar levar por casos isolados de celebridades ou figuras públicas. Para o escritor comum, especialmente iniciante, raramente é assim, até mesmo porque o que parece a nós ser um tema magnânimo pode não ser para o público. Ademais, a venda de livros varia muito com o tipo de público. Em alguns países como Noruega, Finlândia e Islândia as pessoas tem o hábito de ler muito; em outros países já não é bem assim, e este é um dado estatístico que deve ser levado em consideração.

Lembremos ainda que muitos escritores que hoje são muito famosos e campeões de vendas somente tiveram sua ascensão post-mortem.

Vale a pena ser escritor?

Para esta pergunta deixo como resposta a frase de um dos maiores escritores da língua portuguesa, o multi-talentoso e polivalente Fernando Pessoa:

Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena

 

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