No primeiro domingo de setembro, mês da Independência, o Brasil sofreu um golpe sem precedentes: o Museu Nacional do Rio de Janeiro, fundado por Dom João VI, tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e guardião de milhares de peças e obras documentais, filosóficas, artísticas, científicas e naturais, virou pó. Séculos de História em fontes primárias incinerados sepultando um país em estado de coma.

O fim parecia estar próximo, afinal, o Brasil mais se assemelha a um filme deprimente da Europa no início do século XIX com educação ineficiente e carente de conhecimentos úteis, miséria, inflação, crise financeira, alta taxa de natalidade, aumento da prostituição, contaminação de água e alimentos, exposição a substâncias tóxicas, drogas, aumento de doenças, mortes, exploração, atos de machismo, discriminações, movimentos feministas, baixos salários, crianças perdendo a infância, trabalho infantil e escravo; ou seja: caos em todos os setores. Entretanto, isso não era tudo… A língua fora adulterada por um acordo controverso e a celebração da data mais significativa do país, o Dia da Independência, não tinha mais a devida proeminência, e seu Hino bem poucas pessoas sabem que existe, e menos ainda são as que sabem entoar de cor…

Agonizante, ao Brasil só restavam suas memórias, verdades as quais o país se apegava; remanescentes de tempos gloriosos e soberanos magnânimos que elevaram o território a um status de prestígio internacional por seu expressivo trabalho nas áreas de Letras e Ciências, e seu apoio incondicional à boa Cultura e Artes do Belo, simplesmente irretocável. Recuerdos que o ano de 2018 levou definitivamente. Se antes o comprometimento se dava por um certo Mal de Alzheimer, hoje, luto… Trajemos nossas vestes de nojo, pois as esperanças foram consumidas e seu verde desintegrou-se em múltiplos tons de gris.

Realmente, Milton, Paradise lost… Pergunto-me, o que diria Dickens nestes Hard Times? Great Expectations?

Ainda restaria alguma esperança a uma nação sem identidade? Uma nação desprovida de patriotismo, língua forte e agora sem História?

A medicina avançou muito… Quiçá uma ressuscitação… Uma ventilação artificial… Kiss of life…Um choque… Desfibrilador… Cardioversor…Quão bons são nossos médicos?