A Noruega esteve prestes a perder suas florestas depois de muitos séculos de extração de madeira e exportação sem programas para replantio ou reflorestamento. No século passado a situação ainda era muito crítica, porém com um trabalho forte de gestão, prevenção, segurança ambiental e proteção intensiva e ostensiva a Noruega conseguiu reverter esse panorama e, hoje, as florestas não só estão por todo o país como também aumentam a cada ano.

Uma das primeiras providências começou em fins de 1800: medição florestal. A cada 5 anos 15.000 regiões são medidas. É o Inventário Florestal Nacional da Noruega, uma resolução considerada extrema, mas que levou a Noruega a ser o primeiro país do mundo a avaliar o estado das florestas. Por meio deste plano foi possível estimar que áreas estavam mais produtivas, em quais havia maior crescimento, que partes da floresta poderia ser regenerada e onde era necessário preservar para beneficiar a biodiversidade e não prejudicar o habitat das espécies, especialmente o das espécies ameaçadas de extinção.

Sob esta rotina, anualmente trabalhadores florestais fazem as medições nos lotes de monitoramento espalhados por toda Noruega e transcrevem em um documento oficial todas as constatações, elaborando estatísticas. Tais resultados são reunidos em um relatório de pesquisa, que é estudado e fonte primária para todas as providências futuras. A cada 5 anos um novo relatório é gerado e investigações sobre a situação são colocadas em marcha por cientistas e acadêmicos. Aspectos como colheita sustentável, poda, corte, retirada ou não de madeira morta e programas de reflorestamento controlado são considerados. A preservação da biodiversidade é uma grande prioridade e quanto a isso não há exceções: é mandatório preservar as áreas que abrigam as espécies raras e em vias de extinção. Os insetos também são alvo de especial atenção, por isso a madeira morta nem sempre pode ser recolhida e desprezada: ela é a casa de muitos bichinhos! A análise pormenorizada de cada detalhe e a ajuda de especialistas em Bioeconomia é imperativa para que o trabalho tenha o êxito almejado.

Atualmente, a Noruega tem três vezes mais florestas do que no século passado, e as estatísticas a este respeito crescem a casa ano, o que é positivo, pois compensa as emissões anuais de gases de efeito estufa. Em 2016, o país se tornou o primeiro país do mundo a se comprometer com o fim desmatamento em todo o território nacional (Política do deforestation-free) e para isso o governo norueguês proibiu o corte de árvores e baniu a compra e a produção de qualquer matéria-prima que significasse destruição de florestas no mundo. Ademais, o governo se comprometeu em encontrar uma maneira de fornecer determinados produtos essenciais como madeira (lenha), carne, soja e óleo de palma sem causar impactos no ecossistema, produtos estes que segundo a ONU são responsáveis por quase metade do desmatamento das florestas tropicais do planeta. Outra preocupação é quanto aos povos indígenas que habitam as florestas e recebem um olhar dedicado e atento do governo da Noruega. (Saiba mais em Rainforest Foundation Norway e  Action Plan on Nature Diversity).

Para estimular empreendedores, a Noruega a cada dois anos, desde 1984, mantém o Curso Internacional de Tecnologia de Conservação da Madeira (ICWCT) que foi organizado pela Direção de Patrimônio Cultural da Noruega. O curso é realizado em cooperação com o ICCROM (Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauração dos Bens Culturais) e NTNU (Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia). O objetivo é promover compreensão cultural e pesquisa no campo da conservação da madeira. O curso é voltado para profissionais que atuam no campo madeireiro incluindo carpintaria, marcenaria e construção civil, e abrange uma ampla gama de tópicos interdisciplinares e aspectos teóricos e práticos da conservação da madeira terminando com um exame prático que concede 15 (ECT) créditos universitários. O Curso Internacional de Madeira Tecnologia Conservação (ICWCT) é realizado pela 18 ª vez em 2018, e pela primeira vez, o programa foi dividido em duas partes principais, incluindo um em formato EAD. Para participar do curso 2018 foram escolhidos 20 participantes que se inscreveram  e vindos de diferentes partes do mundo. (Informações obre o curso, entre no site ou envie e-mail para Anne Nyhamar:  any@ra.no)

Hoje, a Noruega ajuda outros países, como o Brasil, a recuperar e valorizar as florestas e a sua biodiversidade. No ano de 2008, a Noruega doou ao Brasil 1 bilhão de dólares (cerca de 3 bilhões de reais) para auxiliar no combater ao desmatamento na Amazônia.

A Noruega é um importante financiador de projetos para a conservação de florestas tropicais em todo o mundo, e também apoiador de programas de Direitos Humanos para os povos indígenas.

Leia mais clicando nos títulos abaixo:

Instituto Norueguês de Tecnologia Florestal

Instituto Florestal Europeu

Museu Florestal Norueguês

Regjeringen

 SSB

Climate Action Programme

Veja também:

Norwegian Crafts

Riksantikvaren – Wood Conservation Course