Vincent Van Gogh

(Clari Machado)

 

Suas cores

Em sua dor

A dor de ser

Um jarro sem par.

 

Sol, luz

Girassóis

E mesmo em meio a noite

Estrelas!

 

Mas eles não quiseram acreditar

Eles não puderam entender

Que a luz está

Onde a beleza estiver.

 

Seus tons

Em seu pranto

O pranto que ninguém quis ouvir

Nem mesmo você.

 

E na casa amarela,

Lírios

E no quarto,

Um auto-retrato.

 

Retrato do martírio

Do calvário de ser

Excluído

Preterido

Nunca escolhido.

 

O esquisito

O esquecido

O ultimo da fila.

 

Eles falam a mesma coisa toda vez

Eles repetem tudo o dia inteiro

E você, Vincent, você não quis ouvir

Nunca mais!

 

Eles fazem tantas promessas

Eles nunca dizem a verdade

Eles estão estragando tudo

E destruindo o mundo.

 

Eles deixam tudo para depois

Tudo é sempre depois

E as coisas ficam cada vez mais amarelas

Tão amarelas quanto as batatas que eles comem.

 

Não é possível aguentar muito

É insuportável ver pessoas que enxergam – cegas

É intolerável ouvir pessoas que escutam – surdas

E você, nobre Vincent, viu o mundo ficando cada vez mais…

 

Sem cor.

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