Em 20 de janeiro de 1996, ele, um ser “bípede de cerca de 1,6 metros de altura, com uma cabeça grande e corpo muito fino, com pés em forma de V, pele marrom e grandes olhos vermelhos” parece ter decido se mostrar. No total foram mais de 100 testemunhas, muitos relatos, produtos e livros. E a polêmica que envolveu até as Forças Armadas internacionais. E, claro, o mistério: o que aconteceu com os militares que apareceram mortos durante a “caça ao ET de Varginha?”.

Varginha é um município movimentado no sul de Minas Gerais. Originalmente paulista e terra que acolheu imigrantes da Itália, da Síria, do Líbano, do Japão e de Taiwan, já foi considerado o sétimo melhor do Brasil para se investir e é um dos maiores produtores de café do mundo, sendo referência na produção de cafés de alta qualidade.

A “Princesa do Sul”, como é chamada, está localizada às margens do Lago de Furnas e ficou mundialmente conhecida no ano de 1996 justamente com a série de aparições de naves espaciais e seres alienígenas na cidade. A atuação das Forças Armadas do Brasil e de várias partes do mundo e a exaustiva cobertura da mídia criaram uma identificação inevitável que sobrevive até os dias de hoje: Varginha, a cidade do ET.

Se Varginha tinha renome por se tratar de uma cidade conservadora, orgulhosa de suas tradições e seu trabalho duro, com direito a monumento na praça principal a este respeito; se tinha reconhecimento pelo envio de tropas para lutar na Itália, na Segunda Guerra Mundial; ou se era admirada por seus deliciosos cafés… Bom, hoje, Varginha é associada à OVNIS e extraterrestres. As homenagens encontram-se espalhadas pelo bairro central: caixa d´água em disco voador, bonecos extraterrestres, placas comemorativas, murais educativos e até um memorial.

Logicamente, nada como no ano da “aparição” quando os “greys” efetivamente tomaram conta de cada canto da cidade desde os pontos de ônibus até os uniformes dos times de futebol. O artigo no The Wall Street Journal sobre o “incidente Varginha” colaborou para a publicidade instigante e foi um dos pontos altos na época. No entanto, ainda nos dias de hoje, o assunto é amplamente comentado e os turistas que lá chegam, chegam com uma pergunta na ponta da língua: “E o ET?”.

Foi exatamente assim comigo. Ao pisar em Varginha pela primeira vez esta semana meus olhos buscaram ansiosamente qualquer coisa que remontasse ao episódio à la Arquivo X. Sinceramente, eu me senti a própria Scully. E me vinha a vontade de dizer que “a verdade está lá fora”… Quando caiu a noite fui até a janela fechar as cortinas e avistando o disco voador perguntei-me silenciosamente “serei abduzida?”. Ri muito e quando me dei conta a luz do sol já brilhava em minha face.

Não, eu não estava em um disco voador. Nenhum extraterrestre inteligente me examinava “ao vivo”. Nenhuma marca ou pegada suspeita em qualquer lugar.

Subi até o solário do hotel. O disco voador estava lá tão imóvel quanto os E.T.s na praça. Nenhum “monstros X alienígenas” surgindo abruptamente à minha frente. Que pena – pensei eu – deixarei Varginha em breve e não terei uma boa matéria para escrever.

Foi então que, sozinha naquele terraço, eu tive uma visão!

Continua…

  • Fotos por Clari Machado.

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