A Noruega adota uma política educacional extremamente inteligente e bem estruturada. O currículo nacional norueguês propõe uma abordagem pontual, unificada e estável, o que garante que os padrões educacionais pensados pelo Reino sejam efetivamente cumpridos à risca. O calendário e a agenda educacional apresentam de antemão todo o conteúdo a ser trabalhado e a grade curricular possui disciplinas como ética na família, filosofias éticas, educação cristã e biodiversidade, disciplinas fundamentais para a promoção da igualdade. Outro dado essencial é que todo o material didático é elaborado com base nestes conceitos e construído a partir da família e da dinâmica familiar. Princípios, valores e tradições são parte integrante do aprendizado escolar, e são fortalecidos em casa a partir da premissa “escola ensina, família educa”.

Essa educação basilar enfatiza a formação do cidadão, e se apóia muito na interação que as escolas possuem com as empresas de aprendizagem. Nesse modelo pedagógico, as crianças aprendem de forma prática desde bem pequenas que todos são iguais, que todos devem ser respeitados e todos têm direitos e deveres. Elas não aprendem somente porque leram ou assistiram a um vídeo sobre isso, e sim porque testemunharam e vivenciaram. Isso constitui um conhecimento cultural fortíssimo e que aponta tanto para a democracia quanto para a noção de equidade. Muitas atuações policiais são acompanhadas pelas crianças que realizam atividades tanto no Departamento de Polícia quanto no Departamento de Trânsito, uma vez que ambas são empresas públicas de aprendizagem; e nestas atividades as crianças constatam que infratores são igualmente punidos, inclusive aqueles que são publicamente considerados milionários. Essa observação nas ações de aplicação da justiça é valiosa porque evidencia que tanto a oportunidade quanto a punição são para todos e não apenas para alguns, e isso é, certamente, um grande diferencial. Essa interação constante com os aspectos da vida social e as atividades em empresas públicas e privadas talvez seja o ponto alto na promoção da democracia e da igualdade de gênero, e sem sombra de dúvida, é uma estratégia bem inteligente para se atingir um desenvolvimento humano integral.

A jornada da Noruega na trilha da igualdade de gênero é antiga e remonta à Segunda Guerra Mundial. O país adotou leis favoráveis às mulheres em fins dos anos 1970, e depois ratificou documentos da ONU neste campo. Atualmente, o Reino da Noruega é controlado em grande parte por mulheres, que estão em todas as áreas sociais, e, principalmente, no judiciário e na política. Ainda assim, não está perfeito. A média de igualdade é de aproximadamente 83%, e, por esta razão, o país está sempre organizando consultas públicas, implantando novas medidas e realizando muitas palestras junto ao setor empresarial a fim de que muito em breve consigam chegar ao tão sonhado 100% de igualdade.

No Relatório da Igualdade, uma das principais abordagens versa sobre o poder da educação e da escola no tema da igualdade de gênero. Vale ressaltar que a equidade na visão norueguesa não está apenas em ampliar direitos de mulheres; porém também dos homens, assim a licença paternidade, os afazeres domésticos e os cuidados com os filhos são colocados em equilíbrio. A idéia primordial é que todos sejam produtivos porque ser produtivo é ótimo para a economia e se é ótimo para a economia é ótimo para o país.

A Noruega já esteve por mais de uma vez liderando o ranking de país mais democrático do mundo (The Economist Intelligence Unit -EIU), e mesmo quando não ocupa o primeiro lugar está entre os primeiros.

Logicamente, outros fatores como escolas públicas de excelente qualidade e remuneração por atividade também contribuem para avanços positivos nesta área. Contudo, assinalamos que tudo começa com uma política educacional inteligente, sem isso nenhum avanço seria efetivamente possível.

Leia mais sobre o tema em:

Ministério da Igualdade

Relatório da igualdade

Desafios da igualdade de gênero entre crianças e jovens

A igualdade de gênero da Noruega e cooperação não discriminatória com a EU

Novas medidas para igualdade

Leitura recomendada:

Gender and Power in the Nordic countries. A study of politics and business – Nordic Gender Institute.