Quando há alguns anos o Brasil suprimiu a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da função, jornais, blogs e pretendentes a repórter sem qualificação comemoraram, visto que a revolução digital parecia prescindir de uma especialização em texto. Impedir que um cidadão publicasse suas ideias virou sinônimo de censura, ataque à liberdade de expressão e até discriminação. Claro que se fosse o caso de desregulamentar a profissão de médico ou de engenheiro, a situação seria bem diferente, pois ninguém vai a médico que não fez faculdade de medicina, nem passa por ponte planejada e construída por um curioso.

Mas foi assim que aconteceu, pois escrever meia dúzia de bobagens não mata ninguém, assim pensaram os burocratas de plantão e os oportunistas de sempre. Resultado: procurar um texto com começo, meio e fim seja na internet ou nos jornais e revistas é um garimpo, pois a qualidade fica à mercê do talento individual, e são muitos os que têm talento para escrever e escrevem bem. A maioria dos artigos, porém, está cheia de erros de Português que poderiam ser facilmente evitados com uma revisão. Ah, acabaram com a função e o cargo de revisor, também!  Se você já leu a bronca até aqui, vai ficar feliz de seguir adiante com algumas das dicas que tenho para você facilitar sua escrita jornalística.

Em primeiro lugar, o texto jornalístico é um gênero não-literário, de caráter informativo, opinativo ou interpretativo, a depender da pauta, da editoria e até do estilo do veículo. Em casos de extrema liberdade, como é o caso deste Dunapress Periódico, vale também o estilo do autor. Disposto a melhorar seu texto? Vamos lá:

  1. Planejamento é tudo quando se vai empreender qualquer coisa, seja fazer um bolo ou viajar para a Antártida. As etapas do planejamento começam com a pauta (o que vou dizer), o público-alvo (para quem), o modo como vou me expressar (como) e quais argumentos tenho para justificar o que estou afirmando (por quê). São pensamentos que podem passar para o papel ou para o bloco de notas como um lembrete ou esquema para não se desviar do assunto;
  2. Ainda antes de passar à escrita, embora todo texto deva ter um começo, um meio e um fim, pensar em começo costuma tornar um texto enfadonho e cria o que chamamos de “nariz de cera”, ou seja, um tipo de introdução, quando sabemos que hoje em dia os leitores de noticias querem ver, em primeiro plano, a notícia. Logo, deve-se iniciar pelo meio, por onde a ação acontece, para prender a atenção do leitor. Este “meio” será o começo do texto;
  3. O parágrafo é uma unidade completa de ideia, então, um parágrafo em si deve ter também um começo, um meio e um fim. O leitor precisa se sentir dono daquele texto, porque compreendeu muito bem o que foi explanado e pode participar, com seu raciocínio, criatividade, inteligência, daquilo que foi exposto. Não há um número específico de linhas para um parágrafo, mas considera-se que um parágrafo esteja entre quatro e dez linhas, como referência;
  4. Passamos à questão da coerência e da coesão. Cada parágrafo deve remeter ao seguinte, e o posterior deve ter relação lógica com o anterior. Parágrafo não serve para mudar de assunto, mas mudar o enfoque sobre o assunto. Assim, se em um parágrafo o texto apresenta o conceito ou os vários conceitos de Natal, por exemplo, o próximo pode dar exemplos do Natal ao redor do mundo. A relação lógica é de exemplificação ou ilustração, e os argumentos justificam a ideia principal;
  5. A conclusão do texto não assinala apenas o final, o fecho. A conclusão também deve estabelecer uma relação lógica com o que foi dito anteriormente e propor uma solução. Portanto, ao elaborar uma conclusão deve-se reler todo o texto para não perder a coerência e dar o próximo passo na escrita. Muitas vezes, a ideia principal está justamente na conclusão. Todos os argumentos conduzem a uma conclusão lógica, mas também podem levar a uma sugestão lúcida;
  6. Sobre questões gramaticais, é importante sempre revisar o texto ao seu término. O corretor do Word apenas revisa superficialmente, assim, é necessário que você leia até em voz alta o seu texto para pontuá-lo corretamente. Na dúvida, peça a um amigo para ler e corrigir. Se for escrever para crianças ou adolescentes, leia para eles. Se for escrever um texto científico, peça a revisão a quem entenda do assunto. O mesmo vale para os problemas da escrita.

Por fim, saber escrever é também uma questão de prática. Desde a alfabetização devemos estimular e praticar a escrita, seja em diários, em contos de aventuras, de terror, de fatos do dia a dia, escrever poemas e letras musicais, quadrinhos, para depois passar a fazer resumos de livros, resenhas, reportagens e artigos. Deve-se escrever todo dia, não importa o quê: e-mails, mensagens em redes sociais, cartas, comunicados, bilhetes para os familiares, para os colegas de trabalho. ‘Assim se escreve, assim está escrito.