“Educar para a personalidade é um processo gradual de realizar as nossas potencialidades inatas através de um descobrir-se aos poucos. Um esforço, dedicação e persistência em conhecer-se plenamente.”

(Rosângela Teixeira)

Rosângela Teixeira é Psicóloga Clínica brasileira graduada pela Universidade Gama Filho, Especialista em Psicologia Analítica (UGF) e Especialista em Terapia Floral (FACIS/ IBEHE) com formação em Psicossomática (UGF) sendo Practitioner certificada e professora autorizada pela Flower Essence Society (Califórnia). Rosângela é palestrante e autora dos workshops: Uma Vida Não Vivida!; Eu Quero um Amor que seja Meu!; O Resgate do Feminino!; Raiva, Pra Que Te Quero?; Pra Culpa Não Tem Desculpa!; Limites, A Arte de Dizer Não!; 50 Tons de Sombra!; Transtornos de Ansiedade!; O Corpo Mal Amado: Anorexia, Bulimia e Obesidade!; Pra Você Eu Guardei o Amor! com artigos Publicados pela Flower Essence Society – Califórnia: “It Is Possible to Be Better – Filaree – A Flower Remedy for Melvin Udall” e “Peace for my Mind”.

Nesta entrevista, Dra. Rosângela, que além de empreendedora é também mãe e avó, divide conosco um pouco de seu sensacional trabalho.

Press Periódico: conte sobre seu trabalho

Rosângela: atuo como psicoterapeuta de orientação junguiana. Também ministro vários cursos com temas específicos, mas todos se referem a um dos conceitos centrais da Psicologia profunda de Jung, a Sombra.  Minha intenção tem sido mostrar que as dores e traumas vividos por nós na 1ª etapa da nossa vida foram reprimidos em algum lugar da nossa psique e acabaram ficando ali esquecidos, negados, criando, assim, a nossa Sombra, mas vivos e com poder de controlar o nosso Ego quando surgem à consciência. Segundo Jung não podemos ficar dissociados de uma parte da nossa personalidade, porque somos uma Unidade.

Então, esses conteúdos irão “exigir” serem reconhecidos e passam a chamar nossa atenção, disfarçados de relacionamentos conturbados, frustrações, ansiedade, sintomas psicossomáticos, separações recorrentes, insatisfações profissionais, afetivas, depressões etc. É a forma como a nossa SOMBRA sai do seu “esconderijo” e se infiltra em nossas ações, emoções, pensamentos e vida. ⠀
Meu trabalho é mostrar que a maior tarefa da nossa vida é a conquista de si mesmo ou do Si-Mesmo como preferimos na Psicologia de Jung, porque só assim podemos dar sentido a nossa vida.

Press Periódico: qual a importância do seu trabalho para a sociedade contemporânea?

Rosângela: a de formar consciência, ou melhor, tornar consciente o poder do nosso inconsciente sobre as nossas escolhas do dia-a-dia e, também, sobre o que ainda não nasceu em nós.

Trabalho para que as pessoas percebam a importância de buscarem o autoconhecimento, ou melhor, o conhecimento do “tesouro” que ficou escondido em algum lugar dentro de nós, mas repleto de “ouro”, que são os nossos dons ainda inacessíveis, a nossa Sombra.

Tento mostrar de forma prática que ela humaniza-se num relacionamento difícil; numa crise de ansiedade; nas insistentes explosões de raiva; nas escolhas autodestrutivas; numa depressão; num sintoma crônico e grave; na falta de coragem de correr riscos; na culpa que a grande maioria nem sabe que tem, mas que faz com que pouca coisa “dê certo” em suas vidas; no medo de se relacionar, uma herança que pode ter sido passada como um legado; na solidão, na carência, na obesidade, nos vícios, no abuso que você pratica contra si mesmo quando se é “bonzinho” demais. Tentativas dela nos mostrar que precisamos buscar a nossa autenticidade.⠀
Meu propósito tem sido o de “alertar” que a Sombra sabe tudo de nós e é ela que nos “conta” o que está acontecendo em nossas vidas. E a única saída é tentar conhecê-la para que possamos ter um bom relacionamento com ela e com a vida que viemos viver. 

Porque como disse Jung, “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamálo de destino.”

Press Periódico: meio ambiente e biodiversidade são temas interligados a seu trabalho?

Rosângela: sim, na medida em que Jung já no século passado referia-se ao homem como um sistema em profunda interação com seu meio e a desconexão do homem com a natureza seria fruto da desconexão dele consigo mesmo.  

Para a Psicologia Junguiana não existem problemas isoladamente ambientais, mas humano-ambientais. E o nosso trabalho de entendimento da interioridade do homem pode vir a promover sua reconexão com o meio e um profundo sentimento de ética e integração com a vida, porque a crise ambiental que vivemos só reflete o estado da psique humana.

Repetindo Jung “Todos nós precisamos de alimento para a psique, é impossível encontrar esse alimento nas habitações urbanas, sem uma única mancha de verde ou árvore em flor; necessitamos de um relacionamento com a natureza; precisamos projetar-nos nas coisas que nos cercam; o meu eu não está confinado no corpo; estende-se a todas as coisas que fiz e a todas as coisas à minha volta, sem estas coisas não seria eu mesmo, não seria um ser humano. Tudo que me rodeia é parte de mim.”

Press Periódico: sobre a Educação. Qual seria a relação do seu trabalho com essa área?

Rosângela: eu poderia dizer que sou uma educadora da consciência. O processo psicoterapêutico que realizo com meus pacientes e também as aulas que ministro são maneiras de educar a personalidade.

 Há uma expansão de consciência quando as pessoas têm seus insights sobre algo que até então era visto de forma unilateral.

Tento “ensinar” que nossas “lições pedagógicas”, são, na verdade, as nossas grandes lições de vida, provações, conflitos que estão apenas exigindo de nós um profundo conhecimento da nossa dinâmica interna.

Esse “conteúdo psíquico” precisa que a personalidade reconheça e dê nomes aos diversos personagens que nos visitam (medo, a raiva, a culpa, a rejeição, solidão, vergonha, depressão, ansiedade, carência),  todos com capacidade de traçar o destino de todos nós se não “aprendermos” a lidar com eles.

Educar para a personalidade é um processo gradual de realizar as nossas potencialidades inatas através de um descobrir-se aos poucos. Um esforço, dedicação e persistência em conhecer-se plenamente.

Press Periódico: seu trabalho pode beneficiar as crianças? Como?

Rosângela: sim e muito. É sabido que as primeiras impressões recebidas pela criança, mesmo em sua vida intra-uterina, são as mais fortes e as mais ricas em influências, mesmo sendo inconscientes e, talvez, justamente por isso jamais venham a se tornarem conscientes.

É sabido também que a criança tem uma psique extremamente influenciável e dependente, identificada, ligada e unida ao inconsciente dos pais. 

Nesse sentido, não é de causar espanto se a maioria das perturbações psíquicas verificadas na infância relaciona-se a alguma perturbação na atmosfera psíquica dos pais.

O trabalho de Jung foi todo voltado para promover a autoeducação dos adultos e a atitude sincera dos pais, pois “Quanto mais impressionantes forem os pais e quanto menos quiserem assumir seus próprios problemas (muitas vezes pensando diretamente no bem dos filhos!), por um tempo mais longo e de modo mais intenso terão os filhos de carregar o peso da vida que seus pais não viveram”, dizia Jung.

Para ele o erro dos pais estaria em fugir das dificuldades da vida levando tudo para o inconsciente, forçando com que seus filhos venham a realizar aquilo que eles recalcaram e mantiveram inconsciente.

Trabalho para que esses pais se conscientizem que para que uma criança se desenvolva de forma saudável, é imprescindível que os pais olhem para dentro de si mesmos, aprimorando a relação afetiva com o seu parceiro, respeitando suas diferenças, permitindo que o outro tenha direitos iguais de ser diferente.

Que esses pais percebam que é fundamental que busquem também, a realização no que fazem; que reconheçam virtudes e que aceitem os defeitos sem precisar criticá-los; que não finjam para os seus filhos esposas/ maridos que está tudo bem, mas que saibam lidar com os momentos de adversidades de maneira construtiva.

 Para tanto é preciso que a própria psique dos adultos que convivem diariamente com suas crianças estejam em contínuo processo de educação, pois como disse Jung  “sua cultura não deve jamais estacionar, pois de outro modo começará a corrigir nas crianças os defeitos que não corrigiu em si mesmo”.

 É dessa forma que entendo que a saúde integral do ser humano, vai muito além da hereditariedade da cor dos olhos, do cabelo, dos agentes infecciosos. Urge que tenhamos mais consciência da herança psíquica de pais, avós, tios com vidas não vividas.

Press Periódico: deixe seus pensamentos e desejos para o futuro. 

Rosângela: meu desejo é que as pessoas busquem se conhecer melhor, tornando-se mais conscientes do poder do seu próprio inconscientes em suas ações e reações. Desejo que percebam que psiques saudáveis geram ambientes saudáveis e que para isso se torne realidade é necessário que um processo de autoeducação seja deflagrado por adultos maduros. Torço muito por uma sociedade mais responsável e não essa que vivemos que precisa de “bodes expiatórios” para não olhar para si mesmo.

O trabalho da Dra. Rosângela tem ajudado a muitas pessoas. Se você gostou confira um pouco mais em: www.facebook.com/ Rosangela Teixeira Psicologia Junguiana e https://instagram.com/rosangela.psi.teixeira

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