É indiscutível a importância do sol na vida do planeta Terra. Essa estrela magneticamente ativa que orbita o centro da Via Láctea, possui uma massa gigantescamente maior do que a dos planetas em seu entorno, que são Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, além de outros planetas anões como Plutão, Eris, Ceres, Makemake e Haumea, e corpos celestes e fontes de cometas.

Nas civilizações pré-históricas, o sol era considerado uma deidade e, por isso, fervorosamente venerado. Maias, astecas, incas, egípcios, nórdicos e celtas deixaram registrados em vários monumentos e pinturas a importância e o poder de cura do grande astro luminoso.

Nos tempos do Império Romano, foi instituído o “aniversário do sol”, que era um feriado muito importante em que as pessoas celebravam a alegria, a luz e a fartura. Com o passar dos séculos, teorias foram desenvolvidas acerca do que era e onde estava o sol. Os principais responsáveis pelo desenvolvimento de tais teorias foram os povos árabes, indianos e babilônicos. Tanto na antiguidade quanto na era medieval, estudos vinham sendo organizados por meio da observação astronômica.

No século XVI, Nicolau Copérnico apresentou novas teorias que foram aprimoradas nos séculos seguintes graças à invenção do telescópio. Um grande destaque no século XVII foi Galileu Galilei que confirmou a presença de manchas solares, anteriormente observadas pelos astrônomos chineses na época da Dinastia Han. Tempos depois, foi a vez de Isaac Newton contribuir com seus estudos e demonstrar que a luz solar era composta por mais de uma cor, o que era provado pelo uso de um prisma que foi usado em 1800 por William Herschel para demonstrar que havia raios na luz do sol, raios vermelhos, que foram denominados de radiação infravermelha. Daí em diante inúmeros estudos foram desenvolvidos constatando que a luz que o sol emite é poderosa, uma fonte de energia essencial para a vida de plantas e animais; ademais de poder ser capturada e utilizada para produção de eletricidade. A energia solar substitui de maneira absoluta a energia elétrica, além de ser muito mais econômica e favorável ao meio ambiente.

O sol tem uma magia enigmática. Ele tem uma forte influência em nossas vidas promovendo incontáveis benefícios para o ser humano, talvez o mais importante deles seja a Vitamina D, que atua no corpo humano auxiliando a fixação do cálcio e fósforo no organismo, o que fortalece dentes e ossos (prevenindo de certa maneira a osteopenia e a osteoporose), aumenta e equilibra a imunidade, melhora a disposição e a sensação de bem-estar. Os raios ultravioletas do sol atuam na pele e nos músculos de modo que ativa a produção de vitamina D, que é considerada um hormônio (D3): o hormônio da felicidade, que é equiparado à endorfina, por evitar quadros depressivos. Então, o sol é felicidade. Sol é vida! Certo?

Não exatamente… O sol que durante anos foi visto como herói passou a ser visto por muitos como vilão. Recentes teorias apontaram para um possível lado sombrio do sol: a exposição excessiva aos raios ultravioletas provocaria rugas, envelhecimento precoce, insolação e a ativação de certos vírus como o do herpes, de doenças autoimunes como lúpus, e câncer de pele (melanoma). Será o sol ou será o excesso do sol? Será que generalizar e apontar o pobre astro como culpado é justo? Ou o grande culpado seria o excesso? Quiçá nos falte certa ética aristotélica, e no final, o sol não seja assim tão mal…

Em 2018, a NASA anunciou que passaria a dedicar mais pesquisas voltadas para o sol, e que lançaria uma sonda para estudá-lo mais de perto. De fato, uma navegada pelo site da NASA revela que o sol nunca foi seu foco primordial tanto é que são bem poucas imagens do sol registradas no acervo da web da agência. O sol é muito conhecido. Todas as pessoas em todos os tempos falaram do sol alguma vez na vida, porém superficialmente. O sol até a atualidade permanece como um ilustre desconhecido, e cercado dos mais incríveis mistérios: o sol tem irmão gêmeo? O sol é um só ou vários? O que é o segundo sol? O sol provoca tempestades? O sol está perto ou está longe? O sol cai no mar quando se põe? O sol casou com a lua? O sol representa o homem e a lua a mulher? E por aí vai…

As escolas não comentam tanto sobre o sol como poderiam e estimulam pesquisas muito mais voltadas para o sistema solar do que para o astro em si. O ideal seria que os alunos desde pequenos pudessem acompanhar os documentários (NASA TV) e as pesquisas lideradas pela NASA. Vejo como essencial preparar as novas gerações para trabalhos como os desenvolvidos por agências espaciais.

A missão da NASA – Missão Parker Solar Probe – tem o escopo de escrutinar, dentre outras coisas, as tempestades solares e a atmosfera do sol, e segundo a NASA a idéia é poder tocar o sol com uma sonda. Essa e outras iniciativas com a finalidade de investigar o sol devem seguir continuamente até 2024.

O sol é um tema cada vez mais em alta não apenas em razão de benefícios ou malefícios, mas em razão da transição energética e a conseqüente implantação da energia solar.

Outrora, o sol teve dia de aniversário, hoje, o chamado de o “astro-rei” tem um dia só para ele, celebrado internacionalmente. Em uma parceria da ONU com a NASA o dia 3 de maio foi escolhido acompanhado de um site criado pela NASA chamado Sun-Earth Days, cujo objetivo é ajudar as pessoas a entender a relação do sol com o meio ambiente e os acontecimentos no sistema solar.

Para saber mais sobre a Missão Parker Solar Probe visite o site oficial da NASA.

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Créditos da imagem: Clínica Crepaldi