A pataca é uma fruta. Quem diria? Aposto que dessa você não sabia! E digo mais: aposto que não sabia que essa fruta tem uma relação próxima com Dom João VI e com Dom Pedro I.

Eu, Clari Machado, estive investigando. Encontrei a famosa pataca em São Lourenço, no sul das Minas Gerais, coração do Brasil. E, de acordo com a tradição abri para encontrar o dinheiro. Infelizmente, não tive sorte!

Espere um momento. Imagino que o nobre leitor não faça a menor idéia do que eu estou a glosar! Pois bem, vamos lá, vou contar a vocês um pouco sobre a história dessa fruta misteriosa.

A pataca é uma fruta originária da Ásia, que também é conhecida como fruta-do-dinheiro, fruta-cofre, maçã-de-elefante, bolsa-de-pastor e dillenia (dilênia), e é facilmente encontrada nas Filipinas, Índia e Bornéu.

O Brasil deve ao nosso Rei Dom João VI a chegada da pataca em solo brasileiro, já que as primeiras mudas foram plantadas juntamente com outras espécies asiáticas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro em 1808 (Jardim esse criado pelo próprio Rei).

Pronto! Aí está a vinculação de Dom João VI com a planta. Mas, e o Imperador Dom Pedro I? O que ele tem a ver com a pataca?

Para falar sobre este ponto farei uma breve descrição sobre essa fruta. A pataca tem uma estrutura complexa e verdadeiramente diferenciada. Após a fecundação da flor da árvore (árvore-da pataca ou árvore-do-dinheiro), começa a se formar no miolo um fruto, e as partes externas do que seria a flor se voltam para o centro de uma maneira que podemos jurar trata-ser de uma bola.

Quando você pega uma pataca na mão ela é firme, compacta e dura. Nem quero imaginar o que aconteceria se uma fruta dessas caísse na cabeça de alguém… Ao tentar abrir as partes externas, que como eu mencionei seria a flor, uma surpresa: é muito gosmenta. Parece uma cola. Grude total. Não tem um cheiro muito definido, mas a mim, lembrou-me o odor da jaca (que por coincidência também é uma fruta asiática). Justamente é nestas partes externas que estão as aberturas, e onde se encontra a gosma é que nosso Imperador entra em cena. Não que ele tenha sido aprisionado pela gosma, isso seria demasiado ficção! Na realidade, era Dom Pedro I que deixava a todos “cativos” da pataca.

Como? Colocando moedas (as patacas – daí o nome!!) nestas aberturas. Por quê? Bem, existem algumas teorias a este respeito: a primeira era para que pessoas desfavorecidas ao pegar a fruta que estava sempre pelo chão por não ser comestível e considerada tóxica inclusive, pudessem desistir de comer a fruta e pegar o dinheiro a fim de comprar alimento. A outra tese é de que bastante brincalhão, Dom Pedro I teria decidido “pregar uma peça” em seus compatriotas: ele teria dito que no Brasil dinheiro nasce em árvore, e, para tanto, era preciso provar… Seja como for, dillenia, a fruta asiática, entrou para a História do Império do Brasil, ficando mais conhecida como “a pataca de Dom Pedro I” do que por suas propriedades terapêuticas, estudadas até hoje devido à complexidade da fruta.

Como supracitado, a pataca não é comestível, e seu uso é restrito à produção de especiarias para acompanhar molhos, e como tintura para o alívio de dores musculares e das articulações, sendo indicado como tratamento alternativo para a artrose. Consoante a sabedoria antiga, um pouco de tintura de pataca no local é “tiro e queda”, a dor passa em um “piscar de olhos”.

Para aqueles que desejam conhecer de perto, pegar a pataca na mão e procurar pelas moedas, o Parque das Águas de São Lourenço possui uma árvore enorme. Quem tem criança, uma dica: conte essa história e depois deixe as crianças se divertirem!

A história da pataca é muito rica uma vez que reúne Ciências, Geografia e História; além de ativar a imaginação e a criatividade dos infantes. Portanto, professores, está aí uma dica de aula bastante completa e divertida e que pode muito bem ser dada ao livre. 

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Pensado para o público infanto-juvenil

Quer saber mais sobre São Lourenço? Leia nossas matérias anteriores clicando nos títulos abaixo:

Destino São Lourenço I

Destino São Lourenço II

Destino São Lourenço: a cidade mais francesa do sul de Minas

São Lourenço: a capital espiritual do Novo Milênio

Aniversário de São Lourenço: 91 anos

Campeonato de iô-iô agita São Lourenço

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A Fonte da Juventude

*Todas as fotos por Clarissa Xavier Machado

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