Analisando à luz da Bíblia o que significa em efetivo ser cristão organizei uma pequena série de apontamentos. Esses apontamentos não esgotam outros escrutínios, sendo, portanto, meramente minha visão pessoal sobre o mote.

Primeiramente, cabe analisar os pensamentos de paz. A palavra “paz” (Shalom) aparece inúmeras vezes na Bíblia, e conseqüentemente na Torá (Torah). O conceito de paz é o cerne da Bíblia: o “Deus é de paz” e Jesus é “o Príncipe da Paz”, por exemplo.

A idéia da paz não comporta confusão, e essa afirmativa está em consonância com “Deus não é um Deus de confusão” e com a própria carga semântica de Shalom (Paz) que traz em si a noção de bem-estar, quietude, sossego e tranquilidade.

Nesta mesma linha de pensamento, temos outros pontos que dialogam muito bem com a proposta de Shalom, qual seja, a mansidão e o caráter pacificador.

Os mansos de coração são peculiarmente (e eu diria propositalmente) exaltados. E, o próprio Jesus assim se declara (manso e humilde). Vejamos em perspectiva:

“Bem-aventurados os mansos, pois herdarão a terra”;

“Sou manso e humilde de coração”.

Uma análise bem superficial nos conduz à conclusão de que se não houver paz, isto é, mansidão, não haverá amor, e não havendo amor, nada é possível, como nos ilustra Coríntios 13.

A capacidade de ser um construtor da paz, um manso, está intrinsecamente ligada à capacidade de amar, e por consequência, de ser caridoso, misericordioso, clemente e piedoso. O perdão só pode ser concedido por quem está entregue ao amor, o amor ágape (sacrificial) à exemplo do amor de Cristo por nós, o que está contido na frase “amar como Jesus nos amou”.

Por fim, duas características se sobressaem: a irmandade (fraternidade) entre os cristãos e o mandamento “amar ao próximo como a ti mesmo”, que, em última instância, tem uma aplicação prática, e em concordância com a própria Bíblia, cuja tradução mais singela seria “faz aos outros aquilo que desejas para ti mesmo”.

Nesta esteira de pensamento, então, temos um perfil muito bem delineado sobre como deve ser o verdadeiro cristão: manso, humilde de coração, “um coração segundo o coração de Deus” e dotado de sensibilidade para saber pedir perdão (outra palavra que se repete muitas vezes no texto sagrado, sendo associada à grandeza de caráter), isto é, saber reconhecer e arrepender-se dos erros cometidos, como nos demonstra o Apóstolo Paulo em Atos, pedindo perdão por se por acaso sua fala tenha soado desrespeitosa.

Pedir perdão (desculpas) constitui um meio de resolução de conflitos (e por esta via de construção da paz) e, ao mesmo tempo, de reconciliação com o próximo (restauração da fraternidade e da coexistência).

Fontes para consulta: Bíblia de Estudo Plenitude

Créditos de imagem: Igreja Batista da Lagoinha