Sempre que passo em frente ao casarão onde funcionava a “Casa Aberta Livraria Alternativa” , fico com um nó na garganta e um sentimento saudosista pois neste local onde às portas estão fechados, desde abril de 2017, funcionava o único sebo na cidade onde moro, Itajaí em Santa Catarina, que tem mais de 200 mil habitantes.


A Casa Aberta esteve presente nos eventos culturais de Itajaí como protagonista nos últimos 25 anos. Um local muito lindo que conserva a estrutura original , com um interior repleto de livros e discos de vinil , que tinha o poder de nos transportar no tempo.

Acontecia saraus e encontros literários, sendo um ponto de encontro da cultura “peixeira”*. Tanto, que serviu inúmeras vezes de cenário para workshops do Festival de Música de Itajaí.


Sendo, praticante nossa parada obrigatória, quando se dirigíamos a esta parte do centro da cidade, com meus filhos. Cada um escolhia um livro para levar para casa , uma generosa parte do meu acervo foi adquirido neste local, momentos que ficaram na lembrança da nossa família.


Com a crise que assolou o país , decorrida a má administração pública , os administradores foram obrigados a fecharem as portas .

O espaço não resistiu a uma conjunção de fatores. Em especial à mudança no perfil dos consumidores de literatura, que passaram a comprar mais livros pela internet, e ao crescimento das redes de livrarias e megalojas, que conseguem oferecer um preço mais competitivo por terem maior volume de vendas.

Infelizmente o brasileiro ainda não reconhece que cultura e o conhecimento traz ao individual o poder de crescer como cidadão e principalmente como ser humano. Os políticos sabem que o conhecimento liberta, então não investem em educação, pois um povo que pensa se torna perigoso. Obviamente a planilha administrativa sempre será “pão e circo para o povo”.

Aqui em Itajaí, não é diferente, o prefeito atual libera verba sem licitação para tudo, menos para investir na cultura local. Os prédios históricos estão praticamente abandonados, lugares onde poderiam serem agregados, valores históricos e culturais, onde os jovens poderiam adquirir conhecimentos sobre a história do nosso município estão de portas fechadas.

Esta é a realidade de um país onde a consciência com o alicerce no conservadorismo, não faz parte da realidade dos cidadãos, e principalmente dos administradores públicos.

Mas fica a saudade e esperança de ver este lugar aberto novamente.

*Peixeiro: apelido utilizado aos itajaienses, devida a cidade ser um pólo pesqueiro nacional e internacional.

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