Nélida Cuiñas Piñon, cujo prenome é um anagrama do nome de seu avô, Daniel, é uma importante escritora brasileira.

Nélida Piñon, segundo ela mesma relata em entrevistas, começou a escrever aos 7 anos de idade a partir dos livros que ganhava de presente de seus pais: ela os lia e depois criava suas próprias histórias. Aos 8 anos, ela se auto-proclamou escritora, afinal ela escrevia muitas histórias em papéis, todas ilustradas por ela mesma, e cujas folhas ela costurava para realmente parecer um livro. Depois de pronta a obra era vendida ao pai. O pai era um grande entusiasta que sempre comprou os livros escritos pela filha; isto significa que o pai de Nélida foi seu primeiro comprador (cliente) e seu primeiro leitor.

A família de Nélida era bilíngüe e isso em muito contribuiu para sua educação diferenciada, o que também despertava nela desde a tenra idade a curiosidade em relação a outros países. Aos 10 anos, ela teve a oportunidade de ir para a Europa e de viver lá. Nélida morou por dois anos na Galícia, uma experiência única que a impactou muito uma vez que ela tinha acesso a um universo repleto das mais antigas histórias; ou seja, o “Velho Mundo”, e a Galícia em específico, berço da língua portuguesa e, de certa maneira, uma ponte entre português e espanhol. Toda a História da Península Ibérica estava ali. Isso, sem mencionar que da Galícia para qualquer outra parte da Europa é “um pulo”. Na Europa, Nélida teve a chance de ver com seus próprios olhos obras autênticas e de pisar lugares que fizeram história, história para o “Novo Mundo”, e para boa parte do mundo. Nélida gostava justamente de estudar a história do mundo e estudava diversos séculos. E também era apaixonada por livros de Artes, especialmente os sobre Velazques e Vermeer; e passava horas ouvindo Mozart, Beethoven, Wagner e Verdi enquanto fazia os trabalhos de casa da escola.

Outro fator de grande relevância na infância de Nélida foi o fato de ela viajar nas férias de verão para São Lourenço, Minas Gerais, com os pais e os avós. No Parque das Águas, o pai lhe contava diversas histórias sobre os continentes enquanto tomavam as águas minerais, especialmente da Fonte Vichy. O Parque das Águas lhe despertava muitas possíveis histórias. As águas milagrosas, a natureza abundante e as lendas locais eram por si só um pretexto sem igual. Brincar nos caramanchões era um hábito que se tornou inesquecível. Lembrar do parque é lembrar das inspirações que lá surgiram, de viagens em famílias, de ouvir histórias sobre o mundo; e degustar de doces em compotas e dos queijos do sul de Minas.

A magia do Parque e das águas minerais de São Lourenço a marcaram tanto quanto a viagem para a Europa, e Nélida jamais deixou de declarar isso publicamente.

Em 2015, Nélida recebeu a “Comenda das Águas”, uma Comenda Ambiental da Estância Hidromineral de São Lourenço:

“Nélida Pinõn é frequentadora de São Lourenço e já demonstrou seu carinho pela cidade em várias oportunidades, dando destaque nacional à estância hidromineral mineira”.

(Jornal O Popular – Rogério Brasil)

Em 2017, Nélida foi agraciada com mais uma homenagem em solo são-lourenciano:

“Nelida Piñon, cultora das Letras, formou-se em Jornalismo, deu aulas de Criação Literária, escreveu contos, romances, ensaios e discursos. Lecionou no mundo todo, ganhou vários prêmios, e foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras (…)Nos livros da autora, São Lourenço é a caixa da memória. É a utopia da infância, o território da invenção. É o lugar, ao lado de Borela, na Espanha, em que ampliou o gosto por ouvir histórias”.

 (Discurso de Saudação a Nelida Piñon em Sao Lourenço, Minas-Gerais)

A entrega da Comenda foi noticiada pela Academia Brasileira de Letras:

Em 30 de julho a 2 de agosto de 2015, a Acadêmica Nélida Piñon esteve em São Lourenço, Minas Gerais, onde foi agraciada com a Comenda Ambiental Estância Hidromineral de São Lourenço, em reconhecimento ao seu afeto pela cidade e os inúmeros registros que faz em sua obra advindos das diversas visitas a São Lourenço, desde a sua infância. A entrega da Comenda se deu no Fórum Municipal”.

(ABL)

Nélida Piñon já foi considerada pela New York Review of Books a melhor escritora brasileira e a revista World Literature Today dedicou a ela um número no ano de 2005. Em outubro de 2014, ela entrou para a Real Academia Galega.     

Obras: 

A casa da paixão

A doce canção de Caetana

A força do destino

A república dos sonhos

A roda do vento, romance infanto-juvenil

Aprendiz de Homero 

Até amanhã outra vez 

Até amanhã, outra vez 

Fundador

Guia-mapa de Gabriel Arcanjo

Madeira feita cruz

O calor das coisas

O cortejo do divino 

O Livro das Horas 

O pão de cada dia, fragmentos

O presumível coração da América 

O ritual da arte 

Sala de armas

Tebas do meu coração

Tempo das frutas Vozes do deserto 

Para saber mais sobre as águas de São Lourenço clique no título abaixo:

Encontrada a Fonte da Juventude em São Lourenço, MG

Todas as fotos por Clarissa Xavier Machado

       

                

          

            

            

             

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