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Na polêmica do nosso Hino Nacional… Jogo um pouco mais de lenha

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Todo mundo já ouviu ou cantou nosso Hino Nacional. Mas… Cantou completo? Posso afirmar que não. Não sei precisar a data que ocorreu tal mudança ou simplificação, mas nosso Hino Nacional na introdução tocada tem uma letra. e muito bonita por sinal. No Hino Nacional, original, se canta a introdução, e isso se cantava na escolas antigamente , na época da guerra e era ensinado em todo lugar. Assim é a letra:

Espera o Brasil  Que todos cumprais  Com o vosso dever.

Eia avante, brasileiros,  Sempre avante!

Gravai com buril  Nos pátrios anais  Do vosso poder.  

Eia avante, brasileiros,  Sempre avante!  

Servi o Brasil  Sem esmorecer,  

Com ânimo audaz  Cumpri o dever,  

Na guerra e na paz  À sombra da lei,  

À brisa gentil

O lábaro erguei  

Do de março de  

Eia sus, oh sus!  

A palavra “SUS” é uma interjeição motivadora que vem do latim e que significa: eia!, coragem!, ânimo!; suspender, elevar. Neste caso, deve significar “avante, em frente” – “buril” é uma peça que se usa para tirar as coisas erradas, aparar as arestas, é um instrumento usado na execução de gravuras em metal ou madeira, burilar é gravar, lavrar ou abrir com buril, é considerado por alguns gramáticos como sinônimo de polir e arredondar.

O Nosso Hino Nacional tem inclusive algumas questões interessantes. A letra é de Joaquim Osório Duque-Estrada (1870 – 1927) e a música de Francisco Manuel da Silva (1795 – 1865), agora comparem as datas, Duque-Estrada nasce cinco anos após a morte de Francisco Manuel, ou seja, não foi uma composição feita por ambos em conjunto, até por que nosso Hino data, inicialmente, de 1909, ou seja quarenta e quatro anos após a morte de seu musicista. Mas, por que isso tão complexo. Vamos colar aqui um trecho do verbete sobre o Hino Nacional que retiro da Wikipedia.

” A composição de Francisco Manoel da Silva foi feita quando da Abdicação de Pedro I do Brasil, a 7 de abril de 1831, tendo sua primeira execução no dia 14 daquele mês, no Teatro São Pedro do Rio de Janeiro; a 3 de maio daquele ano, com a instalação das Câmaras Legislativas, voltou a ser executado junto à apresentação de um drama intitulado “O dia de júbilo para os amantes da liberdade” ou “A queda do tirano”.

Em razão da dedicatória mesma que o compositor fizera, onde dizia: “Ao Grande e Heroico Dia 7 de Abril de 1831, Hino Oferecido aos Brasileiros por um seu patrício nato”, era conhecido como “Hino ao 7 de Abril” e com este fim foi registrada sua execução nesta data também nos anos de 1832 e 1833. Neste último ano uma letra, escrita pelo desembargador Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, fora publicada no jornal “Sete de Abril”, sendo esta aquela que o próprio compositor adotara, havendo um seu manuscrito de uma partitura em que esta aparece.

A letra é marcada por claro antilusitanismo, onde o povo português em certa passagem é tratado com verdadeiro racismo, ao falar “Homens bárbaros, gerados / De sangue Judaico, e Mouro / Desenganai-vos: a Pátria / Já não é vosso tesouro”; a despeito de pregar ainda uma unidade nacional pelo império, e fidelidade à monarquia, os versos de Carvalho e Silva deixam entrever ideais republicanos; deixa ainda entrever a expansão do país, face a independência do Uruguai em 1828, ao pregar uma unidade nacional “do Amazonas ao Prata”, como alusão à Província Cisplatina:

(estribilho)
Da Pátria o grito
Eis se desata;
Desde o Amazonas,
Até ao Prata.

(7ª estrofe)
Homens bárbaros, gerados
De sangue Judaico e Mouro
Desenganai-vos: a Pátria
Já não é vosso tesouro.

(10ª estrofe)
Uma prudente regência,
Um Monarca Brasileiro
Nos prometem venturoso
Um porvir mais lisonjeiro

(12ª, última)
Novas gerações sustentem
No Povo a Soberania
Seja isto a divisa delas,
Como foi d’Abril ao Dia.

Uma outra letra, de autoria anônima, foi registrada por ocasião da Coroação de D. Pedro II, em 1841; Francisco Manoel da Silva também compusera um hino a tal solenidade, o que levou o historiador Sousa Pitanga e consignar erroneamente este ano como de sua composição; outro historiador, Guilherme de Melo, dizia que o hino possuía várias letras, sendo aquela da Coroação a que era mais cantada; nesta ainda se conservava a ideia de unidade até “ao Prata”, além de honrar a D. Pedro II.

A coroação de Pedro II, junto à ascensão dos conservadores ao poder, levou mesmo ao ressurgimento do Hino à Independência, composto por Pedro I para ser o hino oficial da nova nação, bem como de sua figura como “herói” nacional; isto certamente levou ao esquecimento da letra de Carvalho e Silva, bem como a celebração do 7 de abril como data a ser comemorada; esta nova versão se popularizou nas décadas seguintes, através da publicação de partituras para a execução particular – então o principal meio de divulgação musical. A letra alternativa dizia (repetindo o estribilho):

Quando vens, faustoso dia,
Entre nós raiar feliz,
Vemos em Pedro Segundo
A ventura do Brasil

Da Pátria o grito
Eis que se desata
Desde o Amazonas
Até o Prata

Negar de Pedro as virtudes
Seu talento escurecer
É negar como é sublime
Da bela aurora, o romper

Com o advento da Proclamação da República o mesmo hino monarquista se manteve; uma lenda foi então divulgada até mesmo em livros escolares, onde ao ouvir composições inscritas em concurso o chefe do governo provisório, marechal Deodoro da Fonseca teria declarado “prefiro o velho”; já em outubro de 1888 fora composto um novo hino, para substituir a Marselhesa que até então os republicanos entoavam, após concurso proposto por Silva Jardim – mas, o advento do novo regime não permitiu que a composição do farmacêutico Ernesto de Souza tivesse qualquer divulgação. Desta forma, em 22 de novembro de 1889 foi aberto um novo concurso oficial para escolha do novo hino brasileiro pelo Ministério do Interior, chefiado por Aristides Lobo, e idealizado por José Rodrigues Barbosa: fizeram parte da comissão, além do próprio, Leopoldo Miguez, Alfredo Bevilacqua, Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo.

O concurso de 1889 previa a participação de músicos “eruditos e populares”; temendo a inserção de ritmos africanos em tal certame, o crítico musical Oscar Guanabarino iniciou uma campanha contrária em 4 de janeiro de 1890, usando dentre outros o pretexto patriótico de que sob o “antigo” hino os militares brasileiros, como o próprio Deodoro, haviam combatido na Guerra do Paraguai; o então major Serzedelo Correia levou este apelo ao próprio Ministro da Guerra, Benjamin Constant, no dia 15 daquele mês, sendo então atendido e o concurso, previsto para ocorrer no dia 20, passou a ser para a escolha do Hino da Proclamação da República, vencido por Leopoldo Miguez: isto foi consagrado no decreto número 171, de 20 de janeiro de 1890.

O decreto 171 de 1890 o governo provisório oficializara a música, mas, não a letra, e sua execução se dava apenas por instrumentos; mesmo esta execução, entretanto, ainda não possuía uniformidade, levando o compositor Alberto Nepomuceno a propor ao presidente Afonso Pena uma reforma do Hino, em 1906.

Um concurso realizado em 1909 escolheu a letra que deveria acompanhar a composição já aceita como a oficial do Hino; perfeccionista, Duque-Estrada efetuou daquele ano até sua oficialização em 1922, alterações em nove passagens sobre a versão inicial. A letra ainda assim não fora objeto de consenso, sendo alvo de grandes debates na imprensa e no Parlamento, de forma que sua oficialização se deu de forma apressada, a fim de a sua execução pudesse se dar na comemoração do primeiro centenário da Independência, em setembro de 1922.

A propriedade plena e definitiva da letra foi adquirida em 21 de agosto de 1922 pela União por 5:000$ (cinco contos de réis) pelo decreto n.º 4.559 expedido pelo então presidente Epitácio Pessoa.

Em 1917 o cantor Vicente Celestino foi quem primeiro gravou o Hino Nacional, tendo por acompanhamento a Banda do Batalhão dos Fuzileiros Navais e, nas passagens de refrão, também por um coro; esta versão, em si bemol, deu um tom de difícil interpretação pelas pessoas; a Banda deu andamento mais lento e solene nas passagens do cantor, enquanto mantinha o estilo tradicional (mais rápido e vibrante) apenas durante os refrões,  o que veio a motivar apreciação oficial por uma comissão de reavaliação do Hino em 1936 e, durante algum tempo, insatisfação por parte das bandas militares da época; a despeito disso essa versão foi oficializada em 1922.”

Vemos então que tal reavaliação do Hino em 1936, retirou da parte tocada inicial o texto visto a cima e montou o tom marcial que nosso Hino possui. Tais detalhes fogem ao povo de forma mais contundente. Vemos que nosso Hino Nacional na verdade foi montado de 1909 à 1922 por Duque-Estrada, e a música, esta, havia sido feita ainda nos idos do Império. 

Um hino é antes de tudo a expressão musicada do amor a pátria, da exaltação dos feitos dos heróis da pátria ou de expoentes relevantes, vejam que para o nosso Hino Nacional foi tida toda uma preocupação de que o mesmo estivesse TOTALMENTE PRONTO em 07 de setembro de 1922 ano do Centenário de nossa Independência. Mesmo o Regime Republicano da época se preocupava com datas expressivas como a Independência, o Descobrimento e o Treze de Maio (sobre estes assuntos vamos tratar num outro artigo).

Desta forma vemos que nosso hino nacional não foi apenas um produto de republicanos como muitos tentam falar, mas, algo que exaltasse a grandeza do país, algo que a muito tempo deixou-se de pensar, visto que tudo hoje é exaltado dentro do contexto Imbecil do Politicamente Correto. Com isso, abre-se essas feridas morais e cívicas em nossa história e nosso Hino, um dos quatro Símbolos Máximos de qualquer pátria, é discutido como se fosse algo abjeto, enquanto letras de FUNK com apologia a crime, drogas, sexo, desvirtuamentos que todo Cidadão de respeito deveria execrar, é tocado sem nenhum pudor, inclusive em Escolas, em festinhas para as crianças.

Em um vídeo do Vlog do Professor eu lembro, que falta nos faz a Educação Moral e Cívica, mas, essa  Aberração de Matéria, na cabeça dos que querem o Brasil no buraco é algo impensado e jamais desejado voltar, pois, foi mal usada no período do Regime Militar, reconheço, tinha seu valor cívico, patriótico, moralista, mas, não era Isenta, pois, devemos amar o nosso país e seus símbolos por que SOMOS BRASILEIROS, não por que somos de esquerda ou de direita, Monarquistas ou Republicanos, Petistas ou PSListas, mas, por que somos Brasileiros e o sentimento pátrio tem de ser mais alto e mais pujante que tudo. O Dia que o brasileiro descobrir de novo esse caminho do Nacionalismo, e não do Alienismo, do Civismo e não do Cinismo, deixar de lado essa baboseira de Esquerdas e Direitas que só desejam o povo para Massa de Manobra de suas artimanhas, nesse dia o povo não precisará de Bolsonaros, de Forças Armadas, de STFs tortos ou não, pois, o povo terá algo muito maior e muito mais verdadeiro: O ORGULHO DE SER BRASILEIRO E DE MORAR E MORRER PELO BRASIL.

Rio, 09 de março de 2019 

Luiz Gustavo Chrispino

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Luiz Gustavo Chrispino

Colunista associado para o Brasil em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades sócio-políticas e econômicas da região.
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