Acordamos hoje, quarta-feira, 13 de março, chocados com o massacre de cinco alunos, uma coordenadora pedagógica, uma funcionária da escola Raul Brasil, em Suzano, São Paulo, mais o assassinato do proprietário de uma locadora de automóveis e o suicídio dos assassinos. Total de 10 mortos. Como ex-professora, se é que isso existe, e sempre muito próxima das comunidades dos entornos das escolas em que lecionei por mais de vinte anos, senti um misto de tristeza e revolta, principalmente depois de ver as imagens do momento do ataque: o portão principal, por onde entraram os assassinos sem nenhuma resistência, estava escancarado,  em pleno horário de intervalo. Primeira responsabilidade: da escola.

Depois, pensei: e as famílias? Deveria ser a segunda responsabilidade, por não identificar dentro de sua própria casa um doente mental. Um deles, Guilherme, 17 anos, era problemático e fora expulso no final do ano passado da mesma escola que atacou hoje. Residia na casa da avó, recentemente falecida, portanto, morava sozinho e tinha tempo ocioso para maquinar um ataque terrorista e postar seus planos na internet. Provavelmente se formos puxar a ficha de Guilherme na escola Raul Brasil  ele deve ter recebido inúmeras advertências da direção, foi para fora de sala, desrespeitou colegas e professores, cometeu algum ato de vandalismo, pois ninguém é convidado a se retirar da escola por “perseguição” do professor. A mãe ou os responsáveis devem ter sido chamados inúmeras vezes. Devia ser uma peste, o garoto! Olha no que deu.

O vizinho e amigo Luiz, 25 anos, também havia estudado na mesma escola e morava com sua família, marcada para sempre como parentes de um assassino. Fico pensando em sua mãe, seu pai e seu irmão, mas principalmente em seu avô de 80 anos, a vergonha e o remorso de que involuntariamente foram vítimas e indiretamente colaboraram para o decorrer dos fatos. Por que não foram ver as redes sociais do filho? Teriam encontrado o que não queriam ver. Não é certo, mas se contasse apenas a educação familiar, a tragédia poderia não ter acontecido. As influências externas e a índole, esse caráter inato que os materialistas rejeitam, são outros dois fatores responsáveis. Se por um lado há, sim, algo que nasce com o indivíduo e pode ser pernicioso, também a mídia, a própria escola, os amigos, os professores e todos os que por meio de exemplo ou doutrinação vitimizam os algozes e demonizam quem estuda, trabalha e empreende, são responsáveis e têm sangue em suas mãos.

Anônimos que buscavam seus 15 minutos de fama, justiceiros ou membros de seitas, partidos de esquerda (juro que não queria levar esse tema para o campo político, mas essa é uma das lições políticas mais proveitosas que se pode tirar da tragédia), buscavam ser interrompidos em suas ações. Ninguém conseguiu ler que eles queriam ser parados. Imploraram por ajuda. Um deles postou vídeos de uma banda que estimulava ataque a escolas com bombas, a letra da música batia na cabeça dos ouvintes “Corram, meninos de sapatos caros, sejam mais rápidos que as minhas balas”. Se fosse meu aluno, irmão, neto, colega, eu levaria aos pais. Como mãe, chamaria à razão, tirava o celular, cortava a mesada, mandava estudar e trabalhar. Importante: levava à igreja, que faz bem aos doentes de espírito. Orar é bom e pode acalmar os impulsos assassinos.

Infelizmente, não houve quem denunciasse a aberração das redes sociais, nem colegas – muitos agora vítimas ou amigos de mortos e feridos – , nem a família; que provavelmente nunca entrou na rede social do filho; nem as autoridades, cuja investigação começou só depois do massacre. Deveria começar antes? Sim. O mundo está cheio de psicopatas à caça de ovelhas e é obrigação da polícia identificar perfis de criminosos e evitar que tragédias como essas aconteçam, não só no Brasil, como no mundo, a exemplo de Columbine, em 1999. Depois disso, a segurança escolar nos Estados Unidos foi reforçada e os cidadãos estiveram sempre sob investigação. Esse é o preço a se pagar pela liberdade. Eterna vigilância.

A terceira responsabilidade, portanto, credito ao poder público, que não entendeu ainda significado de “poder”, confundindo-o com “mando”. Recomendo ler meu artigo,  Leitura pela Palavra: O Poder. Por que esses psicopatas, cujas postagens abundam nas páginas de redes sociais ainda estão à solta? Enquanto o Facebook se preocupa em bloquear as páginas de conservadores como nós, que defendemos o ensino domiciliar,  Por que não foi censurar as páginas de fanáticos, psicopatas, nazistas (que também são de esquerda, partido Nacional SOCIALISTA) e suas postagens de violência explícita? O ensino domiciliar, aliás,  evitaria esse tipo de massacre, já que no estabelecimento escolar está a caça a que os caçadores cobiçam – os alunos. Hoje chegaram a mim mensagens sobre a medida urgente de se transformarem todas as escolas públicas em militares. Reação.  Agora só pra você relaxar, mas nem tanto, vou falar do circo que a imprensa armou e da incompetência dos jornalistas – Vai sobrar bronca para todo mundo.

Repercussão pífia e sensacionalista – Este artigo foi motivado por considerar o leitor merecedor de uma leitura mais qualificada. A imprensa em geral menospreza o espectador, considerando-o apenas isso: um receptor passivo para as inúmeras bobagens que criam, recriam, repetem como papagaio ou falseiam em nome de convicções políticas e pessoais ou de seus editores. Mas chega a ser ridícula, por exemplo, a postura dos jornalistas na coletiva de imprensa dada pelo Secretário de Segurança Pública de SP, gen. João Camilo Pires dos Santos. Cada duas palavras, meia dúzia perguntava: “Cleber com C?” “Souza com S ou Z?”. Farto das interrupções por nada, o general deu um basta digno de professor do primeiro ano de Jornalismo: “Todos os nomes e idades vocês pegam com o assessor de imprensa”. AlÔOOO! Nossa! A Secretaria tem uma Assessoria de Imprensa, não foi ela que convocou a coletiva e dá mais detalhes? Nenhum jornalista ali sabia e teve que pagar esse mico?

Pior foi a tentativa ridícula do Jornal Hoje, da Globo, de repercutir as redes sociais por meio de um vídeo que qualquer um de nós já recebeu até antes dele, mas como são um “jornal”, as imagens apareceram fora de foco, em nome de um suposto “decoro” (esse termo nem vou comentar!). Os telespectadores tiveram que se contentar com som e borrões, uma perda de tempo e espaço. César Tralli, querido colega da minha classe na Cásper Líbero, constrangidamente comentou: “Não dá para ver, mas se tem uma ideia pelos gritos” … ah, velhos tempos em que o Tralli era repórter da Jovem Pan, só precisava do áudio. Agora tem vídeo para atrapalhar a Globo e os jornalistas.

Ainda na Globo, como as transmissões ao vivo realmente revelam a qualidade do profissional, se eu fosse editora ia mesmo estranhar ter um repórter in loco no hospital, informando que mais um aluno morreu e outro estava em estado gravíssimo e logo depois, voltando ao estúdio, os apresentadores, que deveriam ser âncoras do telejornal, dessem o mesmo número de mortos declarado anteriormente, sem considerar as informações que receberam do repórter de campo, um “furo de reportagem”. Não, simplesmente ignoraram a informação que vão esperar para confirmar em outros veículos. Deviam estar conversando ou arrumando o cabelo enquanto o repórter estava no ar. “Deixa os outros darem a informação, nós vamos depois deles para não correr riscos”, acho que os editores pensaram. No meu tempo de rádio, essa postura gerava demissão, ou pelo menos advertência.

E como amadorismo não escolhe emissora, na Record, a chamada do Cidade Alerta, um mimo da notícia policial sensacionalista, apesar dos muitos esforços para prestar serviços de informação, exibia uma legenda estranha; “Urgente: motivo do ataque ainda é um mistério”. Mas se é urgente não deveria ser um fato importante, prestes a ser consumado? Em que é urgente o motivo ser um mistério? Até um adolescente se espanta com essa chamada mal escrita. Sugestão: vamos manter o foco na prestação de serviços de trânsito, aeroportos, bombeiros, estradas, mudança na aposentadoria, preços e promoções dos supermercados, coisas úteis. A Cidade tem que ficar alerta para o que muda sua rotina.

Por isso, mesmo sendo formada em jornalismo, nunca defendi a obrigatoriedade do diploma. A ignorância é democrática: atinge a todos, mas a incompetência fica para os vaidosos e arrogantes que julgam ter o monopólio da informação. Vou esperar a cobertura na internet, mais fiel aos fatos. Aliás, todos aqui em casa já receberam por WhatsApp o vídeo que a Globo passou borrado, agora na íntegra e sem cortes.

Só um comentário final:a diretora de uma das escolas em que lecionei chamou os pais de um aluno que praticava vandalismo, agredia os colegas, insultava os professores e não estudava, e recebeu como resposta da mãe: “Diretora, ele é impossível, faz o que quer, eu mesma não posso com ele em casa, ele é que manda em tudo, somos obrigados a fazer o que ele quer. esperava que a escola resolvesse isso”. Detalhe: o menino tinha oito anos. Imagino como está hoje.