Escrever um livro é lembrar-se das aulas de Redação (incluindo a Escrita Criativa), Línguas, Literaturas (incluindo Poesia Científica e Poetry Film), Artes e História. Não há maneira de dissociar estas disciplinas escolares do processo de escrever um livro. Visto por este ângulo, podemos afirmar que o primeiro passo para escrever um livro é: estudar muito (leia-se ler muito, pesquisar muito, investigar muito, escrever muito). Em síntese, a idéia que melhor define o ato de escrever um livro é “escreva como se estivesse escrevendo uma tese de doutorado”; isto é, escolha uma área, um tema e afunile (é o stricto sensu). Até mesmo um livreto de fantasia ou uma poesia de meia página precisa desse conceito: sobre o que você está escrevendo?

Digamos que você vai escrever sobre a natureza. Sobre que parte da natureza? Areia. Sobre que aspecto? Areias coloridas. De onde? Do Ceará. Por quê? Porque são transformadas em artesanato. A partir desse momento, você escolherá o gênero literário (você precisa conhecer, saber bem o que é isso). Escolheu? Então você estará pronto para a etapa seguinte, que é a redação propriamente dita.

Se você não gostava das aulas de redação e produção de texto dos tempos da escola, terá de repensar e passar a gostar se o que você quer é escrever um livro, pois a base para escrever um livro é a mesma da redação: título, subtítulo, prefácio (opcional, explicações iniciais), introdução (o que – qual é o assunto?, quem, onde, quando, perguntas-chave que serão esclarecidas e respondidas), desenvolvimento (como? por quê? para quê? a quem interessa? exemplos, pesquisas, comprovações, gráficos), conclusão (retorno à introdução demonstrando que as perguntas foram respondidas), posfácio (opcional, explicações, considerações finais), notas (citações, traduções), referências bibliográficas (fontes de pesquisa, bibliografia), anexos (gráficos, imagens, relatórios, formulários, enquetes). Três pontos importantes: as fontes devem ser primárias, preferir usar originais e você mesmo traduzir (se não souber o idioma estude-o!!, e não use tradutores automáticos da internet para uma tradução em efetivo, pois eles são desprovidos de conceitos da Etimologia, Lingüística, Filologia, Mitografia; entre outros; estude o gênero literário que se propõe a escrever para conhecer suas características e detalhes próprios, e estude gramática a fundo – todo escritor deve ser também um pouco gramático e filólogo– ou tentar ser…)

Vale ressaltar que o escritor é um empreendedor; ou seja, ele não apenas escreve o livro. Ele participa de todo o processo de marketing e vendas ativamente, e colocando-se como cabeça da divulgação. Camões, Fernando Pessoa, Cervantes, Shakespeare, Machado de Assis, Dante; entre tantos outros já faziam assim. Para saber mais sobre como esses grandes escritores e outros grandes nomes da literatura como Rosália de Castro, Marquesa de Alorna, Condessa de Proença, por exemplo, atuavam, leia sobre eles, eles são as melhores referências para qualquer um que esteja iniciando a carreira literária. Aliás, como notará, todos eles guardavam traços bastante semelhantes: eram versáteis, polivalentes, escreviam sobre variados temas, em diversos gêneros, atuando em jornais, revistas, editoras e ligados a movimentos (escolas) literários, culturais e filosóficos. Eram extremamente ativos e dedicados a Literaturas, Artes e Ciências; e mantinham correspondências e encontros (saraus, tertúlias) com outros escritores e músicos.

Em suma, podem-se sintetizar os passos sobre como escrever um livro em 7:

Passo 1: PESQUISA

Passo 2 : DEFINIÇÃO: área, tema stricto sensu, gênero literário

Passo 3: FONTES: bibliografia, consultas, investigações temáticas, visitas, pesquisas (inclusive de campo), coleta de estatísticas, gráficos, imagens, fotografias e dados oficiais

Passo 4: ORGANIZAÇÃO: no computador, organize as partes do livro: título, subtítulo, prefácio (opcional, explicações iniciais), introdução (o que – qual é o assunto?, quem, onde, quando, perguntas-chave que serão esclarecidas e respondidas), desenvolvimento (como? por quê? para quê? a quem interessa? exemplos, pesquisas, comprovações, gráficos), conclusão (retorno à introdução demonstrando que as perguntas foram respondidas), posfácio (opcional, explicações, considerações finais), notas (citações, traduções), referências bibliográficas (fontes de pesquisa, bibliografia), anexos (gráficos, imagens, relatórios, formulários, enquetes).

Passo 5: PRIMEIRA REVISÃO

Passo 6: FORMATAÇÃO letras, tamanhos, espaços, paginação

Passo 7: SEGUNDA REVISÃO

Uma técnica utilizada por muitos escritores é deixar o livro “de molho” por um ou mais meses, após isso reler todo o livro. Geralmente, surgem vários ajustes e correções, conforme as áreas de Crítica Textual e Análises Literárias podem comprovar: do manuscrito original à versão publicada quantas modificações…

Imagem disponível em: La casa de Robert Graves

DICAS INDISPENSÁVEIS:

  • Tenha fichas pautadas para registros diários;
  • Tenha cadernos e blocos de notas;
  • Tenha pastas e armários para arquivar coletas e pesquisas;
  • Tenha um bom computador em casa e que somente você use;
  • Tenha uma pequena estante (sua biblioteca particular);
  • Tenha bons dicionários e gramáticas;
  • Tenha calendários e agendas à mão para uso diário;
  • Mantenha-se firme em objetivos e metas;
  • Concentre-se e foque no que se dispôs a fazer;
  • Tenha personalidade para lutar pelo que estilo que se propõe;
  • Tenha uma mesa digna de escritor: cadernos, blocos, canetas, lápis, livros, pastas, fichas, luminárias, pranchetas, computador, lixeiras, óculos, calendários, mapas, lupa, café, e quem sabe até uma máquina de datilografar!;
  • Seu local de escrever deve ser agradável, silencioso, arejado, bem iluminado e o mais isolado possível dos outros cômodos da casa;
  • Dicionários de rimas, dicionários de modismos, dicionários de lingüística e dicionários de idéias afins são muito úteis;
  • Imprescindível: dicionários de termos em latim, grego e hebraico;
  • Faça cursos, assista a palestras e documentários sobre o tema;
  • Freqüente habitualmente bibliotecas, centros culturais, núcleos de pesquisa e museus;
  • Nos casos das línguas portuguesa e espanhola posicione-se quanto aos acordos ortográficos;
  • Busque interagir constantemente com escritores, compositores e tradutores;
  • Seja observador e tome nota de suas observações.

E logicamente, quanto mais autêntico e inédito for o que escrever, melhor para você!

O ofício de escritor é árduo, não é realmente divertido, mas é instrutivo e prazeroso. Todos podem escrever um bom livro desde que se dediquem e tenham plena consciência de que escritor não tem tempo para nada. Não tem horário. Não tem folga. Não tem férias. Tudo o que pode parecer lazer não é: é trabalho. Se ele assiste a um filme é parte do trabalho, se ele escuta uma canção é parte do trabalho, se ele realiza uma viagem é parte do trabalho; por isso ele está sempre anotando, gravando, registrando, fotografando.

Ser escritor é um desafio.

Há muito mais a ser dito sobre como escrever um livro e sobre ser escritor. Esse é apenas um pequeno esboço. Saiba um pouco mais lendo matérias em nosso acesso rápido: língua portuguesa e lusofonia, espaço leitura, gramática e escrita, biografias e resenhas; e não deixe de ler:

Escrita Criativa

Dicas para escrever bem e ser um ótimo escritor

Poetry Film

Crédito da imagem: Writer´s Digest