Mais uma vez lhe traremos ensinamentos do Meste quanto ao politicamente correto e a distorção que causa em nossas vidas. Esta visão é necessária, nos moldes do que acontece em todas as esferas de poderes e sociais de todos os países.

1 – Quando e porque os pobres não foram prioridade em um momento.

“Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume. Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo, fez uma objeção: “Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários”.

Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado.

Respondeu Jesus: “Deixe-a em paz; que o guarde para o dia do meu sepultamento. Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão”.”  João 12: 3-8

Tem muita gente que pensa que o Cristianismo é somente uma gigante instituição de caridade, transformam o propósito redentor em uma assistência social. Cristo ensinou a cuidar do pobres, isso é unânime, porém mais do que cuidar é pregar a salvação. E é sobre isso que essa história fala, o perfume poderia alimentar muitas bocas? Talvez até poderia. Mas a mulher como uma pecadora, preferiu oferecê-lo em oferta ao senhor, tudo por que desejava ardentemente a salvação. Cristo aceitou essa oferta, afinal, nem só de pão viverá o homem.

Agora uma pessoa que se opôs à esse sacrifício, foi Judas, com que argumento? Com o argumento recorrente no século XXI de alimentar os pobres. O propósito de Judas era carnal e materialista, por isso ele enxergou aquela atitude na carne. Quantos Judas não vemos nos tempos modernos, quantos religiosos não preferem a prioridade aos pobres do que a prioridade da salvação? Ou seja, por vezes religiões e poderosos pregam o assistencialismo como um ato “cristão”, porém como dito a salvação é o caminho e não apenas dar o que comer.

2 – Jesus criticou a moral sexual de uma mulher.

Disse-lhe Jesus:  Vai, chama o teu marido, e vem cá.

A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido; Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta. – João 4: 16 – 19

Jesus no primeiro contato com aquela mulher, já lançou uma repreensão moral, porque seria diferente com um homossexual e uma prostituta? Jesus nunca condenou, mas nem por isso deixou de apontar o erro. Ele esteve sempre aberto aos pecadores, mas nunca deixou de criticar a sua moral. O problema não é pecar, mas sim não reconhecer o pecado e não tentar melhorar, evoluir.

3 – Quem se fazia de coitado, agia com vitimismo ou o conhecido “mimimi”, não chegava e não chegará ao Senhor.

E eis que uma mulher cananéia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoniada.

Mas ele não lhe respondeu palavra. E os seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos.” – Mateus 15: 22-26

Essa história pode parecer estranha a primeira vista, a forma que Jesus tratou aquela mulher não seria a atitude que muitos esperariam dele.

Porém, a história tem um motivo, Jesus queria salvar aquela mulher, mas queria que ela tivesse fé, não que ela agisse como uma coitada. A fé não combina com vitimismos, se isso acontecesse hoje, muitas pessoas diriam que ele foi preconceituoso, quem sabe até Jesus ganharia um processo. Essa atitude só demonstra que Jesus não estava se importando em agradar os homens.

Ou seja, Cristo pregava que a própria pessoa, indivíduo, tem o poder de se salvar, e não ficar apenas esperando ou buscando um “salvador” como é nos últimos 2.000 anos.

4 – Jesus afirma que só existe uma verdade.

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. João 14:6

Para finalizar, o ponto no qual o Cristianismo é mais atacado pelo secularismo são as afirmativas de que Jesus é o único caminho. Isso soa extremamente feio hoje, quer dizer que hindus, budistas, muçulmanos e ateus vão todos pro inferno? Só por que não aceitaram nossa verdade?

Não é uma invenção dos cristãos para oprimir os não-crentes, essa dicotomia vem do próprio Jesus, se você gosta de conceber um Jesus tolerante, talvez um homem que “bateria um bom papo” com Buda ou Maomé, esqueça. Jesus disse que quem não era por ele, era contra ele, essa visão de Jesus “hippie” não passa de uma invenção.

Durante os 2.000 anos de existência do Cristianismo, os 4 evangelhos tem sido descontextualizados de acordo com os elementos de cada época. Seja na construção do Cristo medieval, na arte paleocristã ou no Jesus pregado aos nativos americanos, a figura de Cristo é remodelada a cada século para atender aos mais diferentes desejos e necessidades, por interesses escusos. Hoje a maior necessidade é a de pregar o Cristo Politicamente Correto. Porém essa visão secularista não passa de uma fraude e não está correta, por isso precisamos revê-la.

Não julgueis, para que não sejais julgados”!  É provável que a maioria dos crentes já tenha ouvido isso de outro crente. O grande problema no uso dessa citação bíblica é a maneira como ela é interpretada. Será que Jesus proíbe toda forma de julgamento?

“Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disseram, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem” (Mateus 23.1-2). Nosso Mestre julgando pessoas por suas atitudes? Exatamente!

Em diversos textos (Mateus 6:2,5 e 16) vemos Jesus julgando os principais líderes religiosos de sua época por conhecer seus corações e saber que eles eram hipócritas, pois eles mesmos não praticavam o que ensinavam. Em Mateus 12.34, Jesus usa de palavras duras contra esses homens: “Raça de víboras, como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração”. Certamente, nos dias de hoje Jesus seria tido por “radical” por aqueles que não suportam ouvir a verdade. Talvez até ouvisse de muitos crentes que ele deveria “pegar leve”, que não deveria julgar os outros, ou mesmo confrontar ou criticar suas práticas e ideologias. Vivemos num tempo em que o evangelho se tornou inclusivista, em que os pecados não são tratados nem corrigidos pois não se pode perder um irmão, “escandalizá-lo” ou mesmo incomodá-lo e acusá-lo falando sobre seus pecados, enquanto o próprio Cristo quando “muitos de seus discípulos o abandonaram e já não andavam mais com ele”, perguntou aos doze: “Porventura, não quereis  vós outros retirar-vos?” (João 6.66 e 67).

Alguns podem contra-argumentar, e dizer que apenas Jesus poderia proferir julgamentos, já que, sendo um com Deus, ele poderia esquadrinhar mentes e corações de todos os homens. Porém, ele mesmo, no sermão do monte, nos mostra que todos nós podemos julgar, e inclusive nos ensina a julgar de forma correta: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura,  uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém, a árvore má produz frutos maus” (Mateus 7.16-17).

Mais tarde, Paulo, em carta aos coríntios (I Coríntios 5.11), mostra ter não só aprendido a julgar como Cristo julgava, mas reafirma a necessidade do crente proferir julgamentos: “Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais”.

Portanto, uma coisa é certa: Mateus 7.1 não nos proíbe de julgar! Ou então Jesus se contradisse. Mas se você, como eu, acredita na infalibilidade das Escrituras e na perfeição moral e doutrinária de Cristo, é necessário que entenda como devemos julgar.

A resposta é bastante óbvia, e está na sequência do texto: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (verso 3).  Ou seja, Jesus condena todo julgamento hipócrita, que não vem de um auto-discernimento, da certeza de que somos todos pecadores, todos propícios à rebelião contra a vontade de Deus. É por isso que ele continua no verso 5: “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão”.

Portanto, não devemos proferir julgamentos temerários, usando a lupa da auto-justificação para vermos o argueiro no olho de nosso irmão. Hendriksen compara essa atitude à de um oftalmologista cego, que tenta realizar uma cirurgia num olho alheio. Talvez essa figura possa parecer exagerada à primeira vista, mas na verdade é uma analogia perfeita ao homem hipócrita que condena rispidamente nos outros as atitudes que ele mesmo pratica! Como podemos ser medicina para nossos irmãos e ser instrumentos nas mãos de Deus para uma cirurgia tão delicada e precisa quando somos até mais cegos do que ele?

A  relativização do pecado e o discurso politicamente correto são extremamente destrutivos à igreja de Cristo, pois sem o confrontamento do pecado, não pode haver arrependimento, e sem arrependimento, continuaremos a dar motivo para que blasfemem o nome de Deus, quando na verdade deveríamos exaltá-lo e fazer sua santidade conhecida por toda a terra.

Fonte da imagem: http://colunadolam.blogspot.com/2016/06/a-tirania-do-politicamente-correto-por.html/

Leia os artigos anteriores sobre o tema:

  • O politicamente correto – Uma visão Cristã – clique aqui.
  • Apanhado histórico e o politicamente correto – clique aqui.
  • Uma Visão Bíblica e Cristã do politicamente correto – clique aqui.