Em 21 de março o mundo inteiro celebra o Dia das Florestas. As florestas têm uma importância sui generis para toda a biodiversidade, por isso, devemos não apenas celebrar, mas também encontrar políticas inteligentes de gestão e manejo para que todos saiam ganhando: a natureza, os animais e nós.

Uma das maiores inspirações que o planeta tem no momento é a política ambiental adotada pelo Reino da Noruega cuja História comprova que superar dificuldades é possível. O reino esteve a ponto de ficar sem suas florestas em decorrência de muitos séculos de extração de madeira e exportação sem programas para replantio ou reflorestamento. No século passado a situação perdurava extremamente preocupante, no entanto, com um trabalho intensivo de gestão, prevenção, segurança ambiental e proteção ostensiva a Noruega conseguiu reverter o drástico quadro e, atualmente, as florestas além de estarem por todo o reino também aumentam a cada ano.

Hoje, a Noruega tem três vezes mais florestas do que no século passado, e as estatísticas a este respeito crescem a cada ano, o que é positivo, pois compensa as emissões anuais de gases de efeito estufa. Em 2016, o país se tornou o primeiro país do mundo a se comprometer com o fim desmatamento em todo o território nacional (Política do Deforestation-Free) e, para isso, o governo norueguês proibiu o corte de árvores e baniu a compra e a produção de qualquer matéria-prima que significasse destruição de florestas no mundo. O governo também se comprometeu em encontrar uma maneira de fornecer determinados produtos essenciais como madeira (lenha), carne, soja e óleo de palma sem causar impactos no ecossistema, produtos estes que segundo a ONU são responsáveis por quase metade do desmatamento das florestas tropicais do planeta. Outra preocupação é quanto aos povos indígenas que habitam as florestas e recebem um olhar dedicado e atento do governo.

Uma das primeiras providências da bem-sucedida política ambiental norueguesa começou em fins de 1800: medição florestal. A cada 5 anos 15.000 regiões são medidas. É o Inventário Florestal Nacional da Noruega, uma resolução considerada extrema, mas que levou a Noruega a ser o primeiro país do mundo a avaliar o estado das florestas. Por meio deste plano foi possível estimar quais as áreas estavam mais produtivas, em quais havia maior crescimento, que partes da floresta poderia ser regenerada e onde era necessário preservar para beneficiar a biodiversidade e não prejudicar o habitat das espécies, especialmente o das ameaçadas de extinção.

Sob esta rotina, anualmente trabalhadores florestais fazem as medições nos lotes de monitoramento espalhados por toda Noruega e transcrevem em um documento oficial todas as constatações, elaborando estatísticas. Tais resultados são reunidos em um relatório de pesquisa, que é estudado e é fonte primária para todas as providências futuras. A cada 5 anos um novo relatório é gerado e investigações sobre a situação são colocadas em marcha por cientistas e acadêmicos. Aspectos como colheita sustentável, poda, corte, retirada ou não de madeira morta e programas de reflorestamento controlado são considerados. A preservação da biodiversidade é uma grande prioridade e quanto a isso não há exceções: é mandatório preservar as áreas que abrigam as espécies raras e em vias de extinção. Os insetos também são alvo de especial atenção, por isso a madeira morta nem sempre pode ser recolhida e desprezada: ela é a casa de muitos bichinhos! A análise pormenorizada de cada detalhe e a ajuda de especialistas em Bioeconomia tem sido vital para que todo esse trabalho tenha o êxito almejado.

Esse ano, Oslo, a capital da Noruega, receberá o título “Capital Verde da Europa 2019”. A vitória deu-se graças aos seus investimentos em Educação nas áreas de biodiversidade, segurança viária, energias renováveis e saúde.

O interesse, aparentemente súbito por países mais verdes e a disputa das cidades pelo título, segundo especialistas, deve-se ao fato de idéias e ideais comunistas terem se afastado da Europa. Richard Fuchs, pesquisador holandês da Universidade de Wageningen, contou ao jornal The Washington Post a respeito de um projeto de estudo que ele desenvolve em que a Europa é um continente mais verde hoje do que há 100 anos atrás, e que após a II Guerra Mundial muitos países começaram programas para arborização. Para o estudioso e seus colegas acadêmicos o fim do comunismo tem a ver com o crescimento das florestas na Europa Oriental. Eles verificaram que as florestas voltaram a ser cultivadas e houve um crescimento razoável justamente após o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Muitas fazendas, especialmente na Polônia e na Romênia, voltaram a ser cuidadas e as florestas que cresceram ali seguem preservadas. Estônia, Lituânia e Letônia também começaram a reflorestar suas áreas de campos abandonados. Os reinos da Escandinávia, Reino Unido e Países Baixos igualmente seguiram um padrão de recomposição florestal. Para tudo o que é consumido ou explorado em termos de lenha, por exemplo, é replantado, de modo que as reservas próprias não se esgotam, uma medida que além de inteligente, torna essas nações auto-suficientes.

A excelência norueguesa no âmbito ambiental é tanta que o país oferece apoio para empresas com idéias de projetos na área ambiental. A pesquisa e a inovação nas empresas são aspectos importantes para o desenvolvimento especialmente da Bioeconomia, também chamada de Economia Ecológica ou Economia Sustentável (não confundir com Economia Ambiental), que é uma economia inteligente capaz de reunir todos os setores da Economia que utilizam recursos biológicos e conhecimento tecnológico. É, na verdade, a união de Ciências, Tecnologias e Artes (criação, invenção e inovação) para produzir tudo o que é necessário para o ser humano de um modo que seja plenamente favorável ao Meio Ambiente. Quem não segue ainda a linha da Bioeconomia está na contramão da História mundial contemporânea. O mundo hoje é bioeconômico e o planeta agradece.

Para a Noruega produtos de construção de base florestal são essenciais para a Bioeconomia, pois são ambientalmente amigáveis. O país busca incentivar iniciativas nesta área incluindo a tecnologia de aeração em que a madeira que de outra forma seria descartada pode ser transformada em produtos completamente novos, adequados, por exemplo, para o isolamento térmico e a barreira contra o vento em edifícios.

A Noruega se faz fortemente presente em tudo o que se relaciona à natura e à biodiversidade e hoje, ajuda outros países a valorizar e recuperar as suas florestas.

Mas, e o Brasil?

O Brasil também teve seus momentos de excelência ambiental. Nos tempos do Brasil Império, o Brasil foi pioneiro a partir da implantação de várias medidas ambientais. Em destaque, e no que concerne o tema florestal, assinala-se:

Dom João VI

Além de transformar um engenho de fabricação de pólvora em horto real (o Imperial Jardim Botânico do Rio de Janeiro, cujas palmeiras-imperiais plantadas na época existem até hoje) criou, entre 1817 e 1818, decretos reais ordenando o fim do corte de árvores junto a mananciais e margens de riachos próximos à capital.

Dom Pedro I

Em 1828, promoveu os primeiros dispositivos legais de relevância Ecológica fazendo constar no Código Penal de 1830, artigo sobre o corte ilegal de árvores.

Dom Pedro II

Em 1861 ordenou reflorestamento do Parque Nacional da Tijuca onde se localiza a maior floresta urbana do mundo. A vegetação da Floresta da Tijuca, que se encontrava na época do Império totalmente devastada, foi completamente regenerada. Foi também ele que criou o serviço de administração das florestas cuja Função crucial era a de justamente proteger as nascentes e reflorestar todas as regiões importantes para melhorar o abastecimento de águas. Ele ainda ordenou que a Polícia fiscalizasse rigidamente os cortadores de árvores e mandou recrutar presidiários para que trabalhassem em atividades ligadas ao plantio e reflorestamento. Em lei 1850 ele assinou lei que proibia a exploração florestal nas terras descobertas e, em 1886, incluiu como crime de dano o incêndio e de forma taxativa, e em 1890, o crime de incêndio teve suas hipóteses ampliadas para as plantações, colheitas, lenha cortada, pastos ou campos de fazenda de cultura.

As gestões da Monarquia brasileira em temas ambientais é um ponto alto na História do Brasil. Um verdadeiro divisor de águas, que demonstrava a supremacia do país neste setor, e o transformava em um exemplo irretocável para o mundo inteiro.

Que no Dia Internacional das Florestas possamos compartilhar com as crianças do Brasil e do movimento cultural Brasil-Noruega todos esses dados históricos que tanto honram o Brasil e a Noruega, e que não deixam de constituir um ponto de semelhança entre as Histórias do Império do Brasil e do Reino da Noruega.

Saiba mais clicando nos títulos abaixo:

Watch: How Europe is greener now than 100 years ago. Clique aqui para ler.

Para saber mais sobre o prêmio basta acessar o site da Comissão Européia – clique aqui.

Outras fontes de interesse:

Rainforest Foundation Norway

Action Plan on Nature Diversity

Instituto Norueguês de Tecnologia Florestal

Instituto Florestal Europeu

Museu Florestal Norueguês

Regjeringen

 SSB

Climate Action Programme

Para saber um pouco mais sobre a atuação do Rei Dom João VI e os Imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II do Brasil, adquira:

Indicado para público infanto-juvenil

Livro à venda em: Amazon

Para conhecer as semelhanças entre as primeiras constituições da Noruega (1814) e do Brasil (1824) adquira:

Direito Constitucional Comparado

Livro à venda em: Amazon

Fotos por Clarissa Xavier Machado.