A que ponto chegamos no nosso país, que perfil lastimável e deprimente, como podemos nos orgulhar de ser brasileiros as vezes. Temos nos últimos vinte e nove anos, dois presidentes retirados de suas funções por Impeachment, dois ex-presidentes presos por corrupção, dois governadores de Estado presos pelo mesmo processo e outros dois que foram presos e soltos por artifícios jurídicos pouco explicáveis na sua essência.

Vemos o passado do Brasil e entendemos que a corrupção sempre esteve presente em nosso país, entranhado nos processos políticos. Desde a Colônia vemos a política sendo feita com vieses voltados apenas para as classes mais abastadas, bastando para isso ver as  divisões que temos de Oligarquias durante todo o nosso processo histórico: Inicia na Colônia com os chamados Homens Bons que eram na verdade grandes latifundiários e escravistas, donos de canaviais, de grandes propriedades, enfim, apenas a elite branca, rica e poderosa vinda de fora do Brasil. Depois, durante nosso período do Reino Unido vamos ter os nobres oriundos de Portugal e que seguiram El Rei D. João VI até aqui e agraciados com poderes mandavam e desmandavam no país. Durante nossos nove anos do Primeiro Reinado, vamos ter como exemplo claro desse desmando oligárquico a Constituição da Mandioca, a que seria nossa primeira constituição, onde, além de tolher os direitos de todos os cidadãos de votar, impondo para que tal fato pudesse ocorrer o postulante deveria ter alqueires de terra com plantação de mandiocas. Tal processo era cabível na época, visto que a mandioca muitas das vezes era usada para alimentar escravos dessa forma amarrava duas coisas, quem tem muitos alqueires de mandioca os tem para poder alimentar muitos escravos, dessa forma são ricos proprietários. Mas isso eliminava os ricos comerciantes que não possuíam nenhuma nesga de terra, mas possuíam riquezas comerciais. Além disso também queria restringir os poderes de Sua Majestade o Imperador D. Pedro I.

A constituinte caiu, mas, a oligarquia política não, e os partidos Brasileiro e Português eram na verdade celeiros de homens ricos e poderosos. E assim foi pelo período Regencial e até quase o fim do Segundo Império, que só não naufragou nessa oligarquia política por conta da figura de D. Pedro II, que havia sido bem-educado em política por José Bonifácio.

Quando da queda da monarquia temos a sequência de oligarquias de poder. Coronéis na Velha República do Café com Leite, Coronelismo esse que ainda se mantém firme no Nordeste, só que agora nas mãos de coronéis de esquerda. Depois, o Tenentismo, o Getulismo no Estado Novo, e a partir da constituinte de 1945 passamos a ter as oligarquias com cara e nome – União Democrática Nacional, Partido Social Democrata, Partido Trabalhista Brasileiro, Partido Democrata Cristão, Partido Social Progressista, entre outros, até 1964, quando passamos a ter apenas os dois partidos Aliança Renovadora Nacional – ARENA e Movimento Democrático Brasileiro – MDB.

Até 1979 vamos ter a hegemonia desses dois partidos, mas, com a volta da Esquerda após a Anistia dada pelo governo militar, voltam figuras políticas ligadas a essas oligarquias partidárias e que formam novas formas de oligarquias políticas ou partidos – PDT, PT, PFL, PSDB etc, chegando ao astronômico numero de 35 partidos em operação e mais uns quarenta querendo “sua parte no Latifúndio que lhes cabe”.

Observamos países como Noruega, Reino Unido, Espanha, Suécia, e vemos países com sete, oito nove Partidos de Ideologia e não essa colcha de retalhos políticos que temos onde cada um está mais interessado no seu bolso e nos ganhos que podem originar de um partido político. Enquanto que o país está largado as moscas.

Por isso, não culpo a “Esquerda” pela situação que o país chegou, pois, foi a “Direita” que por décadas e mais décadas, locupletou-se nas ricas tetas do governo, até perder a mamata e ter de ceder lugar a Esquerda que aí está. O problema no Brasil com seus partidos políticos multifacetados é bem explicado pela fábula da Galinha dos Ovos de Ouro, por décadas a Direita soube esperar um dia para ter um novo ovo de ouro e assim manter seus ganhos oriundos da Galinha dos Ovos de Ouro – POVO. A Esquerda, como o casal da fábula, quis ir fundo ao pote e matar a galinha para retirar de suas entranhas os outros ovos de ouro. Até hoje não sei se beijo os pés ou apenas chamo de anta certa PresidAnta. Pois, se a Lava jato tivesse naufragado ainda no Lava Jato do Posto de Gasolina, hoje viveríamos a realidade venezuelana. Mas, na sua inteligência de estoquista de vento, permitiu que o processo evoluísse, e mais, que caísse em mãos honestas como de Moro, Dallagnol e Bretas, e chegasse ao nível que estamos hoje, com a prisão de Michel Temer e Moreira Franco.

Não sei se bato palmas, ou se choro, ainda estou na dúvida. Mas, na dúvida, bato palmas chorando de alegria de poder ver esse fato histórico. Espero que o povo acorde e não deixe o STF fazer a lambança de barrar a Lava Jato, essa é a única coisa descente no Brasil hoje que não pode ser extinta.

Rio 20 de março de 2019

Luiz Gustavo Chrispino

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