A ditadura esquerdista deseja encarcerar a liberdade do corpo, da alma e da mente.

Quem são os inteligentinhos? São descendentes daqueles que Otto Maria Carpeaux chamava de “semiletrados” e que Paulo Francis descrevia como “frouxos e jecas”, numa versão mais violenta e estética do comportamento inteligentinho. ( Pondé)

… venham à vida intelectual com propósitos desinteressados, não por ambição ou tola vaidade… (A.-D. Sertillanges)

Analisar a língua de um povo é, de fato, analisar sua cultura e sociedade; tal verdade  amplia-se se compararmos uma língua com outra e realizarmos questionamentos da razão que determinadas culturas dão tanta importância a descrição pormenorizada de certos fenômenos naturais que, embora existentes em outras culturas, não recebem termos próprios cabendo, geralmente,  adjetivações. A palavra saudade é na língua portuguesa usada para exprimir toda a dor da perda de algo e alguém enquanto em outras línguas há expressões (saudadas / I missi you / le echaba de menos). O desenvolvimento econômico desencadeia mudanças em toda a esfera social, pois novas tecnologias necessitam de termos que as definam, como também novas formas de interação, e que sejam passiveis de ser compreendidos por integrantes de uma mesma comunidade sociolinguística. A palavra network, inicialmente,  se usava para designar qualquer entrelaçamento – net, “teia” – de fios ou material semelhante, como, digamos uma rede de canais que se apresentaria num mapa ,porém com o advento de uma nova tecnologia é usada em relação a computadores desde 1972 . A palavra pode ser criada, neologismo, ou ressignificada, tendo sua semântica alterada ou expandida. A questão é que tal processo de enriquecimento vocabular é realizado todos os dias, de modo natural, por falantes de uma língua e, em seguida, dada certos critérios objetivos (linguísticos e gramaticais) o novo vocábulo pode passar pelo processo de gramatização e dicionarização, podendo ser usado na escrita segundo a norma culta, pois  há um diálogo e entendimento sociais que tal vocábulo já faz parte do cotidiano dos falantes.  Palavras trazem significados, ideias e formas de definir a realidade, e a predileção  de certas palavras em detrimento a outras revela como uma sociedade , em linha geral, percebe a si mesma e o mundo ao redor (  comunidade local x comunidade global).  Como processo natural, todo o tratado antes é bem vindo, mas quando uma ideologia utiliza a esfera política para forçar a eliminação do uso de certas palavras, consequentemente os significados que há nelas (ideias e percepções de mundo), para endossar o uso de outras, o diálogo com o contraditório é impossibilitado.

Não perceber tal fato é coisa para inteligentinhos , vaidosos e arrogantes(  escravos e lacaios das ideologias que  mantêm a estes com bom caviar e champanhe)  que  com jocosidade e bom humor, fazem que o público não perceba a tirania ideológica que começou no cerceamento da liberdade vocabular do outro. Sim, prezado leitor, tratarei aqui do politicamente correto ou Novilíngua esquerdista.  Segundo Pondé, o politicamente correto, abreviado por ele no inserto abaixo pela sigla PC:

Aqui encerro o relato do meu pecado. A praga PC deve ser combatida não porque seja bonito dizer piadas racistas (não é), mas porque ela é um instrumento de (maus) profissionais da cultura, normalmente gente mau-caráter, fraca intelectualmente, pobre e oportunista, para aniquilar o livre “comércio de ideias” ao seu redor, controlando as instâncias de razão pública, como universidades, escolas, jornais, revistas, rádio, TV e tribunais. Nascida da esquerda americana, ela é pior do que a esquerda clássica, porque essa pelo menos não era covarde. A praga PC usa métodos de coerção institucional e de assédio moral, visando calar todo mundo que discorda dela, antes de tudo, tentando fazer dessas pessoas monstros e, por fim, tentando inviabilizar o comércio livre de ideias. Ideias não são sempre coisas “boas”. Às vezes doem.

Ao final, a praga PC é apenas mais uma forma enraivecida de recusar a idade adulta e de aniquilar a inteligência. (Pondé, 2012)

A ideologia totalitarista não deseja somente entender o mundo, mas mudá-lo para que este se adeque a uma imagem de mundo simplista e elitista( esse mundo melhor ´só serve a poucos) . Como diria Dr. Norman Doidge, psiquiatra e escritor no prefacio do livro Doze regras para a vida de Jordan Peterson:

Ideologias são ideias simples, disfarçadas de ciência ou filosofia, que pretendem explicar a complexidade do mundo e oferecer soluções para aperfeiçoá-lo. Os ideólogos são pessoas que fingem saber como “fazer um mundo melhor” antes de organizarem o próprio caos interior. (A identidade de guerreiro outorgada por sua ideologia encobre esse caos.) Isso é arrogância, é claro, e um dos temas mais importantes deste livro é “arrume sua casa primeiro”, para o que Jordan fornece conselhos práticos.

As ideologias substituem o conhecimento verdadeiro, e os ideólogos são sempre perigosos quando ganham poder, pois um comportamento simplista e sabe-tudo não é páreo para a complexidade da existência. Além disso, quando suas engenhocas sociais não funcionam, os ideólogos não culpam a si mesmos, mas a todos que desmascaram suas simplificações.

O profeta da razão… a bota ,hoje, é ideológica.

Dentro da célebre obra 1984, novilingua é um idioma fictício criado pelo governo autoritário onde através da “condensação” e “remoção” de palavras ou de alguns de seus sentidos, se buscava restringir o escopo do pensamento e nortear todos os falantes segundo o desejo do sistema politico em vigência. A ideia aqui consiste em restringir as possibilidades de raciocínio, entendimento da realidade, visões distintas de mundo, em um intuito de obrigar uma convergência ideológica através, não só da violência e revisionismo histórico tendencioso, mas pela censura e criminalização de palavras utilizadas para exprimir ideias que se contrapõem as consideradas mais “cabíveis e corretas”.

O mesmo está sendo desenvolvido na sociedade através do politicamente correto, onde a intelectualidade só existe em indivíduos de linha marxista , onde a diversidade é bem vinda se for pra contribuir com a esquerda e sua visão absolutista e excludente de mundo, onde o diálogo e democracia são verbalizados como alicerces de partidos políticos progressistas, contanto que reforcem os dizeres marxistas. Trataremos de algumas palavras:

A ditadura está as portas mas , desta vez, o povo , parte dele ao menos, a ovaciona.

Privilegio

A palavra “privilégio” vem do latim “privilegium” composta pelas raízes “privus” (privado) e “lex” (lei). No famoso livro do autor Bruno Garschagen, Direitos máximos, deveres mínimos-O festival de privilégios que assola o Brasil, o autor mostra como o brasileiro abraça os direitos e privilégios, mas se recusa a entender suas obrigações e responsabilidades como cidadão. Aqui, tratarei de como a esquerda usa esse termo para silenciar o outro.

Para a esquerda ser branco é privilégio, ser heterossexual também, como ser de família estruturada. Quem nasce branco não pode versar sobre racismo, mas pode sofrer racismo (qualquer descriminação baseada em cor e raça é racismo) de uma militância negra fanática e que se apoia em mentiras e distorções históricas para promover sua narrativa. Quem nasce heterossexual não nasceu baixo o medo de ser morto nas ruas, de ser espancado e de fingir ser heterossexual para não sofrer nas mãos de um estado homofóbico que o persegue através da lei (isso é Brasil ou certos países islâmicos? acho que nem a esquerda sabe…), portanto não pode questionar as atitudes do movimento LGBTI+ seja no campo legal, moral ou ético.  Quem nasceu e cresceu dentro de uma família estruturada, organizada e de posses está em divida social com os desfavorecidos e deve calar-se diante da voz destes e sentir-se culpado por sua “sorte”. Soa ridículo? Soa Injusto? No discurso o esquerdista segue essa lógica embora o negue veementemente, pois difícil é ao tolo e desonesto reconhecer sua miserabilidade.

Aqui percebemos a lógica falaciosa da luta de classes funcionando; opressores versus oprimidos. O que eles desejam é cercear a liberdade de expressão alheia, de punir socialmente o pensamento enquanto não podem, efetivamente, criminalizá-lo. Mesmo negros, gays, mulheres, enfim, todos que a esquerda diz defender estão isentos da perseguição caso estes ousem pertencer ao outro lado do espectro politico, direita, ou de divergir quanto a atuação das militâncias de esquerda (feminismo, militâncias negras, grupos LGBTI+ etc).

Lugar de Fala

Já tratei um pouco disso no artigo Um diálogo com Aristóteles sobre o Ethos e o Pathos na retórica tota/litarista, mas convém repetir: lugar de fala é o modo pelo qual a esquerda diz que alguém que discorda de algum argumento imposto por ela deve calar-se , pois somente através da experiência do SER é que se pode chegar ao conhecimento e a verdade dos fatos. Ser negro, Ser gay, Ser mulher já é toda a autoridade e sabedoria necessárias para se compreender a realidade e qualquer dado e argumento contrário a essa autoridade do SER é um ataque ao próprio individuo. Não há separação entre a ideia do ser que a propaga ao ponto que a critica é algo doloroso e intolerável, claro que toda ideia surge do individuo e se torna representante da psique deste em relação a sociedade e pode tornar-se parte da mente coletiva, claro e obvio, mas a relação entre o ser e a ideia projetada por este é tão inseparável que um argumento que vá de contra a ideia, vai de contra ao ser que a cria e a razão desse “ataque ao ser” é fruto do preconceito e do desejo de impedir a liberdade de existir. Loucura? Bem, isso é retorica esquerdista.

Jordan P. Peterson estava certo ao dizer que gera temor a ação de buscar, de fato, ouvir e entender o outro, pois isso quando é efetivado pode levar a mudanças. O medo que a esquerda tem em ouvir o outro é patológico. Não há diálogo onde entendo que somente meu EU absolutista é a única fonte a ser ouvida.

O que fazer? Ousadia e coragem somadas a conhecimento. Não permita que alguém proíba você de se expressar e de utilizar certas palavras, de apreciar certas artes e diversões, através de termos como não cabe mais, você não tem lugar de fala, mainsplaning etc. Mude por causa dos argumentos e dados do outro, mas não pela cultura do vitimismo usada pelo esquerdista. Ceda diante da razão e bom senso, tenha empatia sempre ,mas não confunda com simpatia ou submissão . Ouse ser diferente em um mundo onde a esquerda deseja tornar o individuo em mero representante do coletivo, sem espaço para nuances próprias e únicas. Ouse questionar. E lembre o que Pondé diz :

A praga PC é uma mistura de covardia, informação falsa e preocupação com a imagem. Combina com uma época frouxa como a nossa.

Em resumo, não seja frouxo.

Bibliografia :    

PONDÉ, Luiz Felipe. A era do ressentimento : uma agenda para o contemporâneo .  São Paulo: LeYa, 2014.

PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da filosofia. São Paulo : Leya, 2012

PETERSON, Jordan B. 12 Regras Para a Vida – Um Antídoto Para o Caos. Alta Books 2018

RECOMENDACAO DE LEITURA

Direitos máximos, deveres mínimos-O festival de privilégios de Bruno Garschagen