Em 2016 um debate televisivo bastante acalorado entre Hillary Clinton e Bernie Sanders chamou a atenção de muitos intelectuais. A polêmica começou com o pronunciamento de Sanders que declarou que os Estados Unidos deveriam procurar os reinos escandinavos – Dinamarca, Noruega e Suécia e aprender com eles; ao que Hillary replicou:

 “We are not Denmark. We are the United States of America”.

Em artigo para a Revista Forbes, na época, o economista, escritor e premiado jornalista Chris Farrell posicionou-se (e de certa forma respondeu a Sra. Clinton) de uma maneira no mínimo sensata. Sob o título “O que podemos aprender com a Noruega”, ele surpreendeu ao escrever:

“Of course, Clinton’s right; the U.S. isn’t Denmark, or Norway or Sweden. But that doesn’t mean we shouldn’t learn from public policies that work there (or anywhere else) and see if they’re worth adopting here”.

(“Claro que Clinton está certa. Os Estados Unidos não são a Dinamarca, nem a Noruega e nem a Suécia. Mas isso não significa que não devamos aprender com as políticas públicas que funcionam lá (ou em qualquer outro lugar) e ver se vale a pena adotá-las aqui.”).

A visão de Farrell reflete o olhar de um economista experiente, versado em Neuroeconomia, que escreveu diversos livros na área, colunista na Money.com, colaborador sênior de economia do American Public Media’s Marketplace, comentarista de economia na MPR, líder de programas de rádios públicas nacionalmente patrocinados pela American Public Media, sendo comentarista econômico da Rádio Pública de Minnesota. Ele é também colaborador regular da PBS Next Avenue e do Minneapolis Star Tribune, já tendo escrito para Bloomberg Businessweek, New York Times e Kiplinger; por exemplo. Ou seja, ele não é qualquer pessoa opinando.

A pergunta que cabe, então, é: o que podemos aprender com Chris Farrell? Uma resposta possível é que o dia em que Hillary Clinton disse “Não somos a Dinamarca, somos os Estados Unidos” de fato ela estava certa do ponto de vista geográfico, no entanto, não do ponto de vista político. A lição de Farrell é uma lição que deve ser ouvida e, principalmente, compreendida: não ser um reino escandinavo “não significa que não devamos aprender com as políticas públicas que funcionam lá (ou em qualquer outro lugar) e ver se vale a pena adotá-las aqui.”

Uma coisa é certa. Todo esse tema é um grande convite à reflexão. Não é possível que em pleno século XXI, tempos de Inteligência Artificial, o homem se mantenha refém da pequeneza intelectual, escravizado por pensamentos mesquinhos, em contínuo processo de rigidez mental, e sem o menor senso de auto-estima.

Que cada um é o que é, não é preciso ser gênio para saber. A questão está muito mais para capacidade de discernimento do que para genialidade. Ora, em primeiro lugar, vejamos: se os outros conseguem/ conseguiram, por que nós não conseguiríamos? Que tal ousarmos, com intrepidez, pesquisa e desenvoltura para conseguir? Registre-se que seguir exemplos é seguir os passos, não é copiar, não é imitar. Como fazer isso? Muito simples: pesquisando, investigando, analisando, realizando coleta e levantamento de dados e conversando com quem sabe, com os mais experientes na área. Se preciso for ir a campo, por que não?

Todos sabemos que os bons exemplos são inspirações, e que a vida é uma troca eterna: alguns são bons em uma coisa, e outros são bons em outras, e o mais sábio é e sempre será compartilhar. Sempre existe algo novo a ser aprendido, sempre aprendemos com o próximo. A vida é por si só uma jornada de aprendizagem. Todos somos igualmente mestres e aprendizes. Ninguém perde sua identidade ou dignidade por seguir bons exemplos, muito pelo contrário, seguir um bom exemplo, significa no mínimo boa medida, bom juízo e modéstia.

E em se tratando especificamente de governo não há falar em outra perspectiva que não seja um excelente plano de governo que vise proporcionar uma qualidade de vida melhor para seus cidadãos. Esse é ou deveria ser o real ponto-chave.

Referência: Chris Farrell. O que podemos aprender com a Noruega? (What we can learn from Norway), Forbes, 06 de novembro de 2016.

Crédito da imagem: USADK.org

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