Sim, Eu fui à pré-estreia do filme 1964 – O Brasil entre armas e livros, documentário  do Brasil Paralelo, uma produtora do Rio Grande do Sul que tem abalado as estruturas da internet e do mundo acadêmico. Não sou crítica de cinema, muito menos historiadora, mas basta assistir a cinco minutos do filme para entender que a política e a historiografia são assuntos que devem alcançar do mais simples trabalhador até formadores de opinião, passando pela classe média, minorias, estudantes e todos que muitas vezes torcem o nariz para o debate.

O filme se propõe a expor os fatos e documentos que comprovam a influência da esquerda, dentro de um contexto de época, para a revolução de 1964 e todas as suas consequências, seja no campo da luta armada, seja no campo da guerra intelectual que sobreveio logo após.

Fontes primárias inquestionáveis – O Brasil Paralelo se destaca no cenário jornalístico não apenas pela linguagem inovadora, que tem ao mesmo tempo um caráter pedagógico e cinematográfico, mas pela lisura no tratamento da informação. Todo o discurso é acompanhado de documentos históricos de arquivos oficiais, seja do Brasil como da Tchecoslováquia, onde a equipe de pesquisadores foi para registrar a influência da STB, a agência secreta de inteligência daquele país, no Brasil entre os anos 50 e 80. Nomes de agentes infiltrados, de instituições e formadores de opinião que eram simpatizantes e receberam recursos, informação privilegiada e treinamento estão nos papéis que podem ser conferidos na própria imagem. Sem fonte terciária, sem fortuna crítica, sem argumento “de autoridade”. Só o documento.

Além do duro argumento factual, que não só ilustra o filme, mas é parte da linguagem precisa e do modo de produção do conhecimento que pauta o Brasil Paralelo, depoimentos-aula e testemunhos qualificados de pesquisadores que tiveram contato direto com as fontes primárias ligam os fatos e projetam o que seguiu à infiltração dos agentes de pequenos países da Europa Leste, que capitanearam, a mando da KGB, um plano de espionagem e recrutamento de simpatizantes da esquerda, seja no campo das Artes, da Educação e da Cultura, além de formadores de opinião e lideranças em postos-chave da organização política brasileira, incluídos nessa lista Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, explicitamente nomeados em documentos oficiais do serviço secreto.

Outro ponto alto do documentário 1964  são as imagens e depoimentos que antecederam a contrarrevolução, como as manifestações com Deus pela Família e que proporcionalmente tiveram número de participantes e repercussão superior aos do Brasil atual. Tudo é pesado para não errar a mão nas cores e na emoção que poderiam facilmente levar ao sentimentalismo e saudosismo. Ao contrário, 1964 afasta-se do anacronismo desde a primeira tomada, pois é um documentário que ensina a pensar na (dentro da ) História.

Uma aula entre amigos – Por fim, a participação humana, com a escolha de depoimentos em que intelectuais como Rafael Nogueira, Flávio Morgenstern, Olavo de Carvalho , Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Bernardo Küster, dentre outros, chapam seu rosto junto à câmara para uma conversa quase íntima com o interlocutor soa como uma conversa entre amigos. Sem nenhum tom professoral, mas com autoridade, recupera-se também o papel do professor universitário, cuja função é ser um orientador de leitura, apontador de fontes confiáveis para a pesquisa e sobretudo alguém que alerta para o que não ler, o que não fazer, o que não pesquisar,  fazendo o legítimo contraponto negativo para que a Verdade seja protagonista das ideias.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança, cientista político e deputado federal, declarou que “ o filme é um marco na História e deveria ser transmitido em todas as universidades, e os que estão fazendo boicote demonstram preconceito e vão se envergonhar, porque  o documentário é uma catarse de um momento histórico que não estava bem explicado. O brasileiro sobrevive, sim à Verdade e trata-se de equilibrar os fatos nessa balança em que a extrema esquerda sempre teve o monopólio do discurso”

Já para para Caio Coppola, jornalista, “o filme é importante porque ataca o mito fundador da esquerda hegemônica: de que há agentes políticos lutando contra uma classe de tiranos, quando na verdade em um contexto de guerra fria os interesses americanos, de mercado, estão claros, mas os interesses do outro lado, do bloco comunista, abarcam questões geopolíticas, muito mais graves e que não foram contemplados em matéria de informação”. Veja a live completa  em forma de react no final da matéria.

Livros que são armas – Os principais flancos em que a Verdade é atacada são as universidades e a mídia. Não por acaso o Brasil Paralelo tem sua audiência maciça na internet, por meio de seguidores e assinantes. Os últimos anos colocaram a nu todas as estratégias que a esquerda elaborou, de forma piramidal e extemporânea, abusando das falácias e da coerção para doutrinar pelo menos cinco gerações.

O documentário identifica as fontes da doutrinação e revela o plano para controle global do socialismo/ comunismo mesmo nas formas mais brandas e sutis de manipulação: Dos festivais da Record à censura prévia, de Woodstock ao movimento feminista, ninguém é poupado.

O papel dos militares também é questionado no tocante à responsabilidade cultural e educacional que foi gentilmente cedida às esquerdas (isto também está devidamente documentado). Universi(o)tários que se julgam cidadãos críticos têm se recusado a assistir às produções do Brasil Paralelo, demonstrando mesmo porque o trabalho de emburrecimento gramsciano deu tão certo no Brasil. Entretanto, há entre eles muitos de nós, que promovem a revolução pela Verdade.

 

Luiz Philippe e Caio Coppola assistem a 1964, do Brasil Paralelo.

 

 

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