O ensaio em apreço concerne à necessidade de mudança de perspectiva sobre a acepção da Educação para uma nação. Breves notas, porém que pretendem ser contundentes e elucidativas, notadamente no campo da Educação enquanto setor.

À guisa de introdução, é indispensável trazer à lume a etimologia da palavra educação. Segundo o Dicionário de Etimologia (*), a palavra Educação tem origem no latim – educare, educere – com significado literal de “conduzir para fora”, “direcionar para fora”, assinalando o seguinte:

O termo latino educare é composto pela união do prefixo ex, que significa “fora”, e ducere, que quer dizer “conduzir” ou “levar”. O significado do termo (direcionar para fora) era empregado no sentido de preparar as pessoas para o mundo e viver em sociedade, ou seja, conduzi-las para fora” de si mesmas, mostrando as diferenças que existem no mundo.

Em outro dicionário etimológico (**) tem-se que:

Diretamente do latim educationem (educatio) “criação, treinamento” (…) Originalmente de instrução em códigos sociais e maneiras; significando “escolarização sistemática e treinamento para o trabalho” a partir de 1610.

Sob este prisma, observamos que Educação tem uma aplicação maior do que meramente acadêmica; isto é, falar sobre Educação é muito mais do que garantir educação escolar para cada cidadão, melhorar do sistema escolar, criar escolas ou remunerar melhor professores. Tudo é Educação e Educação está em tudo, e tudo está na Educação.

Nesta esteira de pensamento, consideramos que Educação é o setor que mais alcança (e atinge positiva ou negativamente) a sociedade. Educação (lato sensu) em colapso, desestruturada e desestabilizada gera um reflexo imediato para a sociedade: caos.

Uma realidade em caos rompe um ciclo inteiro de confiança. É preciso, então, restaurar estabilidade e confiabilidade. Uma Educação planejada e bem composta transmite à população solidez e credibilidade, o que se refletirá em todas as atividades nacionais. Todo o demais é colateral. Educação é a raiz e representa identidade. É passado no sentido de compor herança; é presente no sentido de ser construção; e é futuro no sentido de representar missão a ser cumprida com êxito.

À conta de tais considerações, depreende-se que Educação é passado, é presente e é futuro. É uma linha do tempo. Uma dinâmica em crescendo (***). Cumpre assinalar que a Educação não deve ser uma questão de pegar um caminho mais curto ou de interesses pessoais. Tampouco se trata de quanto dinheiro se tem. Efetivamente tem muito mais a ver com a forma com a qual se conduz a tática aprovada. Que técnicas serão abraçadas? Que passos serão dados? Que pessoas estão dispostas a atuar desinteressadamente? Quais são os prognósticos e os diagnósticos? Que meios podem ser utilizados? Como trazer a população para si (para a participação na Educação)? Como delinear O Plano?

Educação é o plano que leva ao caminho do Desenvolvimento Humano Integral. Posto isso, urge união em uma linha em comum, em um único caminho. Caminhos diferentes levam a lugares diferentes. O destino deve ser apenas um, como dito, Educação é o Plano!

Contudo, qual é o plano?

O plano é uma estratégia que consiste em traçar uma linha de ação. Essa linha de ação envolve idealizar o plano em si, e a partir daí organizar todo um diagrama de aplicação prática para construção das bases de operação, planos pilotos de curta-duração e estabelecimento de todos os sistemas necessários. Para tanto, faz-se imperativo ter uma visão pontual sobre o futuro que se almeja e mirar o alvo. Sem distrações. Não deve ser uma tentativa. E sim uma convicção. Um trabalho para se entrar de cabeça com determinação, garra, perseverança e ganas de obter os melhores resultados.

Parte do plano é, indubitavelmente, a adoção de um modelo educacional completo, o que acastela em si elaboração e eleição de critérios. A pergunta (em visão macro): criar um modelo próprio totalmente novo e inovador; ou tomar como exemplo um modelo adotado em uma nação muito próspera e bem sucedida? Significativo apontar que na segunda hipótese não há cópia, há exemplo a ser seguido, há inspiração e não imitação. De qualquer maneira, é preciso saber para onde se aspira ir para que não se caia no “Complexo de Alice”:

“Would you tell me, please, which way I ought to go from here?”

“That depends a good deal on where you want to get to,” said the Cat.

“I don’t much care where—” said Alice.

“Then it doesn’t matter which way you go,” said the Cat.

“—so long as I get SOMEWHERE,” Alice added as an explanation (…)

“If you don’t know where you are going any road can take you there” (****)

No diálogo acima Alice não sabe o caminho a seguir e indaga por onde deveria seguir. Porém, Alice não sabe e diz “eu não me importo realmente desde que eu chegue a algum lugar” ao que recebe de resposta “se você não sabe para onde está indo qualquer estrada pode te levar até lá”.

À luz dessa compreensão, cabem os questionamentos: para onde se precisa ir, aonde se quer chegar, qual caminho seguir?

Essas respostas ajudarão a definir qual modelo educacional deve ser acolhido, o que, naturalmente envolve pesquisa, investigação, análise, levantamentos estatísticos prévios, visitas in loco e conversação com experts no assunto a fim de que se possa ter plena ciência e consciência de todos os detalhes, dos pontos positivos e negativos, e partindo de um ponto de equilíbrio e considerar fases de adaptação.

Oportuno assinalar que o modelo de Educação a ser adotado não deve ser pensado para ficar somente nas escolas, nas instituições educacionais, mas também e, sobretudo, deve compor um modelo que abrace toda a sociedade, por todos os setores, tudo conectado, integrado e interligado. E tudo partindo da Educação para todas as demais áreas, como se Educação fosse uma mãe com muitos filhos e netos…

Tudo na nação precisa de apoio forte da Educação. Educação é superior a tudo, e está interligada a tudo, tudo parte dela para todos os outros ramos. É quase que um sistema de parceria dos setores com a educação. Sem Educação à frente é possível fazer bem pouco, se não houver o alicerce, o pilar na educação, nada do que venha a ser feito vai resolver em efetivo, será mero paliativo, mas não atuará na raiz das conturbadas questões atuais. Seria como construir um castelo na areia, em que em surgindo uma onda maior do que o normal toda a construção que levou (por vezes) anos para se erguer (e geralmente gastou-se milhões ou até bilhões) cai por terra literalmente.

Todos os setores da Educação encontram-se dentro da sociedade e é possível movimentar muitas indústrias a partir da Educação. Por exemplo, tradições podem movimentar ao mesmo tempo comércio, turismo, indústrias e empreendedores, e com isso prestigiar a indústria nacional, quase sempre preterida ou deixada em segundo plano. (Um dado curioso é que há euforia maior com a chegada de indústrias internacionais muito mais do que com a de indústrias nacionais… Por quê?)

Quanto à instituição de qualquer que seja o modelo educacional é certo que gerará dificuldades e resistência. À frente dessa implantação é preciso ter pessoas de temperamento firme, arrojado e dotado de conhecimento de causa, e ao mesmo tempo, humildade, ganas de aprender e fazer o melhor para seu povo. Tudo isso sem jamais perder princípios, ética e soberania nacional.

Muito mais que números em estatísticas, Educação deve ser realidade e vida. Educação é desenvolvimento. É povo culto, ético e preparado. Educação é atitude. A única capaz de erradicar a pobreza, a fome, a violência, a corrupção e a ideologia.

Acreditar que é possível é a primeira de muitas etapas.

Será rápido? Não.

Será fácil? Não.

Será de fato muito difícil. Por isso, é preciso coragem, intrepidez, desenvoltura, entusiasmo. E ser constante, moderado, seguro. Problemas, obstáculos, entraves sempre surgirão, portanto, não são impeditivos.

No mais, é emergencial cercar-se de uma equipe positiva, operante e de soluções possíveis. As ações frutificarão pouco a pouco, é preciso paciência, temperança, serendipidade. Nada de bom acontece a qualquer custo, à força, de qualquer maneira, de improvisação. As melhores ações são as programadas, bem pensadas, organizadas, assíduas, compromissadas e feitas com a certeza de lograr êxito. Nada é impossível para quem acredita que é possível.

Tenha-se presente que mudança dá trabalho, é desgastante e ocasiona choque. Um choque de caráter prático, longo prazo. E lembrar o trivial: não há falar em ser diferente em modo repetição…

Fazer diferente e dar certo é possível?

Sim, é possível!

Com conhecimento, ética, união e força de vontade tudo é possível. Um país soberano é sempre capaz. Um Ministério com pessoas carismáticas, vibrantes e motivadoras é imprescindível. Uma população bem instruída sobre os passos dados e chamada a participar (de alguma maneira) terá mais condições de se adaptar.

Por fim, impende observar que Educação não se trata do que eu preciso; Educação trata-se do que nós (enquanto nação) precisamos. Contemple-se deixar vaidades, egocentrismos e individualidades de lado. Educação é assunto de todos e para todos. Impreterivelmente.

Esse é o plano.

As questões abordadas neste pequeno ensaio refletem opinião particular, portanto, averiguações estatísticas não se fizeram relevantes. 

(*) https://www.dicionarioetimologico.com.br

(**) https://www.etymonline.com

(***) termo próprio da dinâmica musical, gradação de intensidade

(****) Lewis Carroll, Alice’s Adventures in Wonderland.

Education is the Plan: short essay on Education by Clarissa Xavier Machado.

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