Amanhã, dia 14 de abril de 2019, comemoramos 188 anos da primeira execução da Música do Hino Nacional, que na época foi chamado “Hino ao 7 de Abril”, ou Hino da Abdicação de D. Pedro I. Na época a letra foi marcada por claro antilusitanismo, onde o povo português em certa passagem é tratado com verdadeiro racismo, ao falar “Homens bárbaros, gerados / De sangue Judaico, e Mouro / Desenganai-vos: a Pátria / Já não é vosso tesouro”; a despeito de pregar ainda uma unidade nacional pelo império, e fidelidade à monarquia, os versos de Carvalho e Silva deixam entrever ideais republicanos; deixa ainda entrever a expansão do país, face a independência do Uruguai em 1828, ao pregar uma unidade nacional “do Amazonas ao Prata”, como alusão à Província Cisplatina. Lembramos que o Período Regencial que se sucede ao Reinado de Pedro I foi o período mais REPUBLICANO de nosso período imperial de 1822 a 1889.

Parte da Letra desse primeiro hino feito em 1831 coloco abaixo:

(estribilho)
Da Pátria o grito
Eis se desata;
Desde o Amazonas,
Até ao Prata.

(7ª estrofe)

Homens bárbaros, gerados
De sangue Judaico e Mouro
Desenganai-vos: a Pátria
Já não é vosso tesouro.

(10ª estrofe)

Uma prudente regência,
Um Monarca Brasileiro
Nos prometem venturoso
Um porvir mais lisonjeiro

(12ª, última)

Novas gerações sustentem
No Povo a Soberania
Seja isto a divisa delas,
Como foi d’Abril ao Dia.

Era a resposta a saída lusitana do poder como muito falavam, pois, uma boa parcela da população política não queria a subserviência aos Bragança, pois, D. Pedro I havia limitado seus poderes com o fechamento da Assembleia Constituinte de 1823 e ele mandado fazer uma constituição que fosse digna dele e do Brasil. O período que advém após sua abdicação, o Período Regencial, foi marcado por três governos – Duas Regências Trinas e uma Una, que deixava claro, a tentativa de retomada do poder pelos Políticos, visto ser nosso imperador Pedro II uma criança, mas, que esqueceram estava sendo educada pelo maior dos maiores Brasileiros – José Bonifácio de Andrada e Silva, que deu a D. Pedro II todo o cabedal de sabedoria política que fez dele o maior de todos os monarcas de seu tempo e posteriores.

Por muito tempo, esse foi apenas um hino referente a Abdicação de Pedro I, em 1890, por conta da Proclamação da República no Brasil necessitava-se de um Hino Nacional que fosse a imagem sonora de nossa pátria, dessa feita os republicanos retiram do marasmo a Música composta por Francisco Manuel da Silva em 1831 e evocam a autores que letrassem tal composição melódica, visto que o Hino cantado pelos republicanos traduzida do francês era a Marselhesa, Hino revolucionário republicano da época da Revolução Francesa.

Para tal foi feito um concurso público para que fosse criada a letra do novo Hino, visto que a música seria aquela composta por Francisco Manoel. Como não se conseguiu nenhum vencedor de tal concurso o governo então faz o decreto 171 de 1890, onde o governo provisório oficializara a música, mas, não a letra, e sua execução se dava apenas por instrumentos. Porém, nem esta execução, entretanto, possuía uniformidade, levando o compositor Alberto Nepomuceno a propor ao presidente Afonso Pena uma reforma do Hino, em 1906.

Um novo concurso foi proposto e realizado em 1909, onde escolheu-se a letra que deveria acompanhar a composição, já aceita como a oficial do Hino feita por Osório Duque-Estrada que venceu tal concurso, porém, manteve consigo o direito da posse da letra do Hino. A propriedade plena e definitiva da letra foi adquirida em 21 de agosto de 1922 pela União por 5:000$ (cinco contos de réis) pelo decreto n.º 4.559 expedido pelo então presidente Epitácio Pessoa.

Perfeccionista, Duque-Estrada efetuou, daquele ano de 1909 até sua oficialização em 1922, alterações em nove passagens sobre a versão inicial. A letra ainda assim não fora objeto de consenso, sendo alvo de grandes debates na imprensa e no parlamento, de forma que sua oficialização se deu de forma apressada, a fim de a sua execução pudesse se dar na comemoração do primeiro centenário da Independência, em setembro de 1922, ficando então a versão final a que conhecemos e até hoje é executada, porém, com a retirada de uma parte significativa do Hino, a letra de sua introdução, que segue abaixo.

Espera o Brasil que todos cumprais com o vosso dever
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante

Gravai com Buril nos pátrios anais o vosso poder
Eia! Avante, brasileiros! Sempre avante

Servi o Brasil sem esmorecer, com ânimo audaz
Cumpri o dever na guerra e na paz
À sombra da lei, à brisa gentil
O lábaro erguei do belo Brasil,
Eia! sus*, oh, sus!

Lembrando apenas que esse sus é uma interjeição que vem do latim sus: “de baixo para cima”; que chama à motivação: erga-se!, ânimo!, coragem! Neste contexto é sinônimo de “em frente, avante”, e não o nosso BRIOSO “SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE”.

Desta forma comemora-se o dia 14 de abril como o Dia do Hino Nacional, por ter sido esta a data que temos registrada como a da primeira execução da música de nosso atual Hino Nacional

Rio 13 de abril de 2019

Luiz Gustavo Chrispino.