Em abril celebramos duplamente o livro. No dia 02, o Dia Internacional do Livro Infantil e no dia 23, o Dia Mundial do Livro.

O livro, aquele conjunto de textos reunidos, manualmente transportável e que hoje pode ser completamente móvel, segue sendo a mais poderosa ferramenta de informação e conhecimento.

Como nasce um livro?

Para um livro existir pelo menos três profissionais são necessários: o escritor (autor) responsável por passar as idéias de forma organizada da sua mente para o papel (ou a tela); o editor, encarregado de tornar os manuscritos comercializáveis, editando o texto e tornando-o atrativo e compreensível para o público; e o diagramador, incumbido de organizar toda a estrutura visual do texto, desde a paginação até a inclusão de ilustrações (artes).

Qual a importância do livro?

Considerada a maior invenção humana esse hábito de reunir dados (palavras, gráficos ou imagens) em um único documento ajuda o homem a conservar informações e preservar histórias. Por isso, o livro é freqüentemente usado como fonte de consulta e pesquisa.

Por meio da leitura, que é vital para o melhor desenvolvimento do processo de comunicação e expressão, pois é através dela que tanto falamos como escrevemos melhor, nosso cérebro trabalha conexões ligadas à imaginação, criatividade, capacidade de interpretação e ao senso crítico.

E o livro é um meio de transporte. E muito peculiar: o livro permite viajar sem sair do lugar!

Livro, fonte inesgotável de conhecimento

Um livro é um mundo. Um mundo real, um mundo em analogia, um mundo de fantasia, um mundo de relatos. E, por vezes, um mundo de tradução de culturas. Tradução é arte e ciência. Mais ciência do que arte. Um ofício dos mais importantes quando o assunto é levar conhecimento a outros povos.

Os primeiros escritores-tradutores do Brasil

No Brasil, alguns escritores contribuíram grandemente para que obras de outras nações fossem lidas em língua portuguesa. Em destaque:

Dom Pedro II

Machado de Assis

Álvares de Azevedo

Carlos Drummond de Andrade

Cecília Meireles

Clarice Lispector

Érico Veríssimo

Manuel Bandeira

Mário Quintana

Monteiro Lobato

Mas…Vale a pena ser escritor?

Muitas pessoas se perguntam se vale a pena publicar um livro, se é válido estudar artes literárias. A resposta é e sempre será: SIM!

São os escritores que ajudam a transpor a história de um povo para o papel (outrora para paredes), o que significa eternizar os fatos. Outros, com seus “olhos de lince” registram soluções e possibilidades que o tempo demonstrará sábias e acertadas ou não…

Escritores não são criaturas excêntricas de caderninho na mão, lápis atrás da orelha e que bebem café freneticamente. Escritores são acadêmicos, estudiosos, com vasto conhecimento em idiomas, filosofias, belas artes e artes liberais (letras), estudos sociais, culturais e ciências em geral. São eles que estão se não à frente, nos bastidores de processos de “ebulição” cultural, filosófica, artística e política.

Quem é (ou deveria ser) o escritor?

Escritor é o criador, o autor, o real protagonista de valor imensurável. Ele é um dos únicos profissionais capazes de estar a par de tudo ao mesmo tempo. Versátil, polivalente, visionário e muito eclético, um escritor tem o dom de abrir caminhos. Ele é, na verdade, o próprio “rompe-caminhos”, aquele que veio ao mundo com a missão de escrever para fazer pensar. Escritor intriga, instiga, causa estranhamento, tira o leitor da zona de conforto, obriga a enriquecer-se de cultura, exige raciocínio e força o pensamento crítico e lógico. Escritor não dá ponto sem nó. Cada palavra tem uma razão de ter sido escolhida e estar ali. (Por isso, o ofício da tradução pode ser muito difícil…) Nada é por acaso… E escritor é aquele que sabe. Sabe por intuição, por instinto, por sinergia, por sintonia, por energia, por vibração. A sensibilidade de um escritor é incomparável.

E o que o escritor tem a ver com a construção literária e lingüística do seu país?

Graças ao escritor é que, muitas vezes, a língua avança positivamente. No caso da língua portuguesa não é segredo que João de Barros, Camões e Machado de Assis, por exemplo, foram em boa parte responsáveis por enriquecer o vocabulário trazendo palavras ou conceitos que existiam em outras línguas, mas não em português. O mesmo fizeram os grandes Chaucer, Shakespeare, Cervantes, Rosália de Castro, Dante; entre outros.

Essa performance está ligada à sensibilidade extrema do escritor. Ele sente a forma, a carga das palavras, dos termos, das expressões que variam de uma cultura para outra inevitavelmente. E, por conhecer profundamente outras culturais e ler em vários idiomas é que eles têm necessidade de, de alguma maneira, transpor aquela idéia com aquele exato significado. É como a idéia de “saudade” (português); “ha det bra” (norueguês); “lovesick” (inglês); chérir (francês); querer (espanhol); entre muitas outras palavras. Esse é o motor que tantas vezes move o escritor, a urgência em transmitir aquela emoção perfeitamente em um único termo. Nem sempre, evidentemente, foi / é possível; razão pela qual estrangeirismos e suas adaptações (aportuguesamentos) acabam por ser incorporadas. O que seria do português sem saga, cantina, cordilheira, garagem, sanduíche… Como imaginar a vida sem serendipitia? E não pensar sobre ombudsman… É… nos tempos atuais, não dá para imaginar.

A construção da obra literária é fácil?

A construção da obra literária não é fácil. Não se trata de colocar no papel tudo o que vem à mente. É preciso ordenar idéias, dar sentido, fazer sentido. Urge saber escrever em todos os aspectos que escrever traz em si: ortografia, acentuação, pontuação, paragrafação, com coesão e coerência. Conhecer bem filologia, lingüística, mitografia, simbologia, morfologia, sintaxe, registros e usos, estética e plástica textual, para dizer o mínimo. Qualquer texto por menor que seja necessita de um personagem, um tempo, um local. Tudo isso por si só significa minimamente: estudos sociais, estudos culturais, ciências. E para responder as perguntas básicas típicas da construção de um texto – O quê? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? Para quê? – é mandatório um profundo conhecimento sobre o que se escreve. Isso não é apenas relevante é imperativo.

Escrever sobre o que já existiu (passado) ou existe (presente) é mais fácil do que criar / inventar (futuro condicional / imaginado)?

Não existe o que é mais fácil em literatura. O estudo e a pesquisa são indissociáveis. Escritor que é escritor sabe bem disso. Escrever é traduzir mundos reais ou possíveis em todos os seus pormenores.

O mundo sem escritores?

Sem os escritores nenhum livro poderia ser escrito, e sem os livros as histórias se perderiam, se inverteriam, se distorceriam. Telefone sem fio… Livro é documento, é testemunho, é prova, é história, seja do que aconteceu ou do que poderia acontecer…

No mês dos livros, lembremos dos escritores, prestigiemos esses indivíduos dotados de um dom fenomenal capaz de transformar vidas. Se o livro é o que é, é graças ao escritor.

Crédito da imagem: Conexão Lusófona