Como eles chegaram ao Brasil, ainda é um mistério; no entanto, pesquisas demonstram que possivelmente vieram do continente asiático, e não apenas, pelo aspecto físico – o que teria levado os europeus a chamá-los de “índios” – como também pelo aspecto lingüístico: estudos em lingüística comparada traçam paralelos e similaridades entre as línguas tupi-guarani, japonês e chinês (*).


(**1)National Myths: Constructed Pasts, Contested Presents.

Listas comparativas especialmente entre tupi e japonês contendo palavras muito parecidas e com o mesmo significado são, no mínimo, intrigantes para os curiosos; todavia para os filólogos é um dado considerado absolutamente normal afinal há indícios de que os povos ameríndios tenham o mesmo “ancestral” lingüístico.


(**2) Displacements and Diasporas

Seja como for, o fato é que esses povos chegaram ao Brasil antes de o Brasil ser assim denominado, e foram instalando-se por todas as partes, de norte a sul, organizados em tribos, cada uma em suas aldeias, com suas peculiaridades, e particularidades lingüísticas.

A chegada destes povos foi o que marcou o nascimento deste território (ainda que não de maneira oficial) e esse é o povo que representa o país.

Sim, o Brasil é Tupi-Guarani, do Caburaí ao Chuí! (***). E todos nós, brasileiros, somos Tupi-Guarani. Alguns são cariocas, outros potiguar, outros manauaras; muitos já foram ao Maracanã, ao Pacaembu ou ao Morumbi. E a maior parte de nós, com certeza come pipoca, amendoim e paçoca, e admira araras e tatus…

A identidade do Brasil é Tupi-Guarani, essa é a nossa raiz, a nossa cultura, a nossa cara. O Brasil é indígena porque foram os povos indígenas os primeiros povos que pisaram e habitaram este solo, os primeiros que foram abraçados pela pátria mãe.

O Dia 19 de abril celebra o dia do índio, e indiretamente o dia do povo brasileiro.  E eu desejo que o Brasil possa inspirar-se no exemplo da Noruega, onde os povos indígenas, os Sami, mantém a sua cultura, língua e tradições, ao mesmo tempo em que fazem parte da sociedade moderna (****).

(*) Japonês e Tupi-Guarani e Língüítica Comparada

(**1)National Myths: Constructed Pasts, Contested Presents, Gérard Bouchard.

(**2) Displacements and Diasporas: Asians in the Americas – Wanni Wibulswasdi Anderson, Robert G. Lee.

(***) No início deste século historiadores propuseram correção da expressão “do Oiapoque ao Chuí” para “do Caburaí ao Chuí”. Em 2002, os livros começaram a ser atualizados. Fato foi noticiado pelo MP de Roraima. Leia mais em: Caburaí ao Chuí.

(****) NordNorge – Sami People