A Poesia Científica é muito mais do que um subgênero ou gênero poético, é um movimento literário; e uma nomenclatura dada à aplicação de temas científicos no gênero poético, e cuja existência data desde antes de Cristo, pelo menos a partir do Século VIII a.C., com poetas como Hesíodo, Lucrécio e Virgílio.

Grosso modo, pode-se exemplificar como Poesia Científica todas as poesias em que o grande tema seja a vida campestre, o trabalho rural, atividades agrícolas, louvor à Natureza, o homem e a natureza, Bucolismo, Teogonia, Epicurismo, Cosmologia (Cosmologia Cristã), Astronomia, Meteorologia e Ciências Naturais. Em muitos casos, a poesia científica é incorporada ao gênero Arcadismo.

Dentre os entusiastas da Poesia científica estão: Dante Alighieri, Guillaume Du Bartas, Camões, John Milton, John Philips, James Thompson, Alexander Pope, Albrecht Von Haller, Salomon Gessner, Marquesa de Alorna, Edgard Allan Poe, Emily Dickinson, Walt Whitman, Jean François de Saint-Lambert, Edward Young, Augusto dos Anjos, Rocha Lima, Sílvio Romero, Martins Júnior, Jacques Delille, Yagaurú, Marcelo Pellegrini, Natalia Romero, Elena Lafert, Mariela Laudecina, Martín Barea Mattos, Luis Bravo, Virginia Lucas, Sebastian Rivero, Tatiana Oroño, María Sánchez, Ignacio Fernández de Palleja, Antônio Ribeiro dos Santos, Elpino Duriense, Padre José Agostinho de Macedo, António Gedeão (Rómulo de Carvalho), Regina Gouveia, Luís Rafael Soyé e Clari Machado.

Os dois maiores clássicos da Poesia Científica são até hoje o Sonnet – To Science, de Edgard Allan Poe e as Recreações Botânicas, da Marquesa de Alorna. No Brasil, teve destaque o ensaio A Poesia Científica, de Martins Júnior, em que claramente ele sugeria uma espécie de fusão entre Artes Literárias, Filosofia e idéias próprias do Renascimento e do Iluminismo.

Dentro da Poesia Científica costuma alocar-se também a Poesia Metafísica (Metaphysical Poetry), trazida por poetas como George Herbert, Anne Bradstreet, Pita Amor, Andrew Marvell, Thomas Carew, Katherine Philips, Abraham Cowley, Mikolaj Sep Szarzynski e John Donne. Especificamente em relação à Poesia Metafísica, o gênero pode encontrar-se catalogado juntamente com Poesia Renascentista, Poesia Barroca e Poesia Religiosa, dado aos seus aspectos abstratos e espiritualistas.

Em toda a Europa a Poesia Científica não apenas é uma das matérias mais estudadas, como também mais debatidas em virtude do Renascimento Rural, do Ruralismo e da Biodiversidade, assuntos que estão absolutamente em alta. Ademais, gêneros “novos” como Bioliteratura, Ecopoesia, Organicliterature* (Organic Poetry) e Poesia quântica (Quantic, Quantum Physics ou Quantum Poetry) têm tido cada vez mais alcance e leitores.

* Não confundir com “organic form of literature”.

Saiba mais em:

Seminários, relatórios e artigos: European Association for the Study of Literature, Culture and Environment (EASLCE), Association for the Study of Literature and Environment, Associação para o Estudo da Literatura e Meio Ambiente e a Rede Nórdica de Estudos Ambientais Interdisciplinares (Nordic Network for Interdisciplinary Environmental Studies – NIES) e European Environmental Humanities Alliance.

Congresso Internacional de Literatura e Meio Ambiente – UFPB – João Pessoa.

Cultura Científica em Portugal. Uma perspectiva Histórica. Luís Miguel Bernardo. Porto Editora, 2013. Páginas 103 e 104. (O Valor da Ciência. A Marquesa de Alorna.)

Leia também:

Duna Press Periódico – A Poesia Científica da Marquesa de Alorna

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