Maio, o mês das noivas: uma tradição que remonta à antiguidade e que tem origem nos países do hemisfério norte, onde maio é o mês em que a primavera se instala e as flores estão por toda a parte.

Maio é sinônimo de flores e flor é inevitavelmente associada à mulher devido as idéias de beleza e fertilidade. Em muitos países, maio recebeu o status de mês consagrado a Santa Maria, mãe de Jesus, e em decorrência disto, também mês das mães. Por esse motivo, maio ostenta o título de mês mariano.

Em São Lourenço, um espaço dentro do Parque das Águas, dedicado a Maria de Nazaré, fica repleto de mensagens, homenagens e de fiéis.

Nas antigas civilizações pagãs, o período em que chegava a primavera era marcado por dois aspectos interessantes: a passagem do sol pelo signo de touro, planeta regido por Vênus, a deusa do amor e da fertilidade, que representava para eles abundância e força, especialmente a reprodutora; e também o festival de Beltane, em que celebravam o casamento cósmico entre o feminino e o masculino degustando de um bolo de cereais, geralmente de aveia.

Das tradições destes povos é que herdamos os hábitos de associar flores aos rituais matrimoniais e às nubentes. Grinaldas, coroas de flores, tiaras, buquês, arcos e arranjos florais, pois as flores representavam tanto a exuberância e a fertilidade quanto a fartura.

Era sinal de muito boa sorte casar-se em maio: o clima estava mais quente, as flores perfumavam naturalmente o ambiente, o desabrochar da natureza e o calor do sol deixavam as pessoas mais felizes, o que muito favorecia os casais apaixonados, e a prosperidade era vivenciada na fartura das colheitas.

Na Idade média, o uso das grinaldas era símbolo de futuro próspero,uma vez que carregar flores na cabeça era uma imagem que remetia a uma aura de natureza, ou seja, de plantas e planta era associada à idéia da primavera, de renascimento e esperança. Outro costume que nos acompanha desde a idade média é o anel, uma antiga tradição egípcia. O uso do anel, naqueles tempos representava a ligação do coração de um nubente ao outro. Eles acreditavam que existia uma veia que ia do dedo anelar esquerdo ao coração e usar um anel naquele dedo era sinal de amor perpétuo. Ao colocar um anel no dedo anelar esquerdo era como um selo de lealdade, fidelidade e respeito, símbolos máximos do amor eterno. O anel poderia ser simples, mas precisava conter pelo menos uma pedra de Vênus (diamante), já que se acreditava que a pedra de Vênus trazia prosperidade e saúde.

O buquê de flores era a parte mais interessante. As flores usadas eram escolhidas cuidadosamente e entremeadas de algumas ervas. O objetivo era afastar os invejosos e eliminar todo e qualquer o “olho-gordo”! E esse constituía um outro motivo bastante forte para que os casamentos fossem realizados em maio: era preciso colher flores e ervas frescas.

Naqueles tempos, no entanto, os vestidos não eram brancos e sim de cores que combinavam com a natureza e tinham um significado ligado à primavera. Normalmente as noivas usavam vestidos de tons verdes, azuis ou vermelhos. O uso do vestido branco em cerimônias de bodas só tornou-se “moda” após a Rainha Victoria, da Inglaterra ter usado um vestido branco no dia de seu casamento. O uso do véu, também é graças a Rainha Victoria que o popularizou. O antigo costume grego que tinha o objetivo de proteger a noiva da inveja alheia foi revisitado pela Rainha e teve o forte apoio da Igreja Católica na ocasião em que se citou a personagem bíblica Rebeca que cobriu o rosto com um véu quando se aproximou de Isaac, seu futuro esposo, antes da benção matrimonial, como sinal de respeito. O hábito foi considerado muito oportuno já que o casamento constitui, para os cristãos, um mandamento de Deus: “deixará o homem pai e mãe e unir-se-á à sua mulher”.

Casamento é um termo que tem origem no latim medieval e significa casa e patrimônio, que podemos expandir para a idéia de coabitação e bem. De fato, não há bem maior que a família, a célula máter da sociedade; e, aliás, matrimônio, deriva justamente de máter.

O casamento é o ato que dá oficialmente início a instituição familiar cuja importância está em que um país de famílias fortes é uma nação inabalável. 

  • Todas as fotos por Clarissa Xavier Machado