Mesmo que o pensamento do ex-presidente Juscelino Kubistchek tenha sido desenvolvedor de um País crescido às margens da costa oceânica, acreditamos que a construção de Brasília foi um dos piores erros políticos ocorridos. Logicamente, não é este o único episódio responsável pelo atual momento político. Ao ser retirada a capital administrativa do centro populacional, configurou-se tal acontecimento em incalculável prejuízo ao desenvolvimento da cidadania. Começando pelo fato de Brasília ser um centro eminentemente administrativo, pois os funcionários públicos que lá habitam, por estado de necessidade, podem se limitar aos reclamos dos seus direitos laborais. Por essa situação que se consolidou o alijamento a população brasileira de melhor realizar suas expressões políticas. De maneira que a capital recebe a visitação para reivindicações das lideranças classistas, sindicalistas que algumas das vezes almejam à persistência dos problemas, para se justificar nos cargos, motivando as idas e vindas à capital, a fim de aparentar relevância de ações.

Frequentada por lobistas e grandes empresários, no encaminhamento dos seus interesses. Diferentemente do que poderia acontecer se a capital administrativa estivesse ao melhor acesso onde está concentrada a população. Refletimos se não poderíamos estar vivenciando outro momento político? Brasília se estabeleceu castelo neutro cômodo para que políticos, diretores da administração pública, longe das massas, possam arquitetar suas manobras. Mesmo sob a era da tecnologia informativa, nos restou a alienação completa de muitos importantes assuntos lá definidos. A nossa única saída seria fazer valer, colocando em mesa o Pacto Federativo previsto na Constituição brasileira. A ideia do legislador constituinte foi a de descentralizar, cada vez mais, o poder para os demais entes federados, retirando, gradativamente, as competências administrativas dos poderes da União e demais órgãos federais. Teríamos de debater o sistema concentrador imposto pela União resistente em se sobrepor sobre os demais entes, sob o conceito abusivo invertido da cooperação administrativa. Haveríamos de forçar a mudança desses pontos de referências legais. Para mudar e reparar esse grande erro é preciso consciência e uma enorme pressão cívica.

Website Comments

  1. Pics Pic

    Wesley, sua pequena nota é absolutamente correta. E, como mostra o primeiro comentário, os que moram em Brasília têm verdadeira urticária quando este assunto é levantado.

    Sou brasiliense de nascimento, portanto creio poder afirmar sem sombra de dúvidas que você tem razão: Brasília foi o maior erro político da história do Brasil. Quase sessenta anos depois, e a cidade continua exclusivamente dependente do dinheiro federal.

    O único desenvolvimento que a região teve nas últimas décadas, o agro, teria ocorrido de qualquer modo, na medida em que as ondas de produtores do centro-sul, especialmente dos três estados do sul, buscaram novas fronteiras agrícolas. O Paraná não precisou mudar a sua capital para o desenvolvimento do Norte Paranaense na primeira metade do século XX, nem São Paulo nas décadas anteriores para as fronteiras agrícolas do norte paulista. Evidentemente, de Rondônia ao cerrado da Bahia, as fronteiras vieram a ser ocupadas na medida da necessidade humana, e o órgão mais importante do Estado para isso foi e é a Embrapa, que poderia ser sediada em qualquer lugar (e é essencialmente descentralizada).

    Trincheira, ilha, bolha, isolada do “core” geopolítico e demográfico do País (que era onde estava a antiga capital), Brasília é uma mistura de Versalhes e antro, multiplicador do estatismo e das mordomias.

    Como se não bastasse, destruiu-se a cidade que continua sendo a “capital” do Brasil para o mundo, símbolo de brasilidade.

    Enfim, uma catástrofe.

  2. Vera Helena Pancotte Amatti

    Wesley, discordo frontalmente de você. Brasília não nasceu dos planos de Juscelino, mas foi um sonho de São Bosco no século 18. Antes de morar em Brasília, eu pensava como você, por desconhecimento dos fatos. Se queremos um Brasil desenvolvido e soberano, temos que ocupar os espaços que nos cabem, não lamentar as mudanças necessárias para nos tirar da província que fomos, como era dos planos de d. Pedro II, para que fôssemos um gigante poderoso, multicultural, justo, rico e espiritualizado. Seu artigo repete muito das ideologias que não queremos transmitir como conservadores, pois é essa a ideia que a esquerda tem de nós, saudosistas, rabugentos até, e a imagem que você faz de Brasília nem sequer reflete os corredores da Câmara e do Senado! Peço que reveja sua posição, pois estou aqui e a realidade é outra, mas foi bom ter lido, pois vou escrever um artigo de desagravo.