Mesmo que o pensamento do ex-presidente Juscelino Kubistchek tenha sido desenvolvedor de um País crescido às margens da costa oceânica, acreditamos que a construção de Brasília foi um dos piores erros políticos ocorridos. Logicamente, não é este o único episódio responsável pelo atual momento político. Ao ser retirada a capital administrativa do centro populacional, configurou-se tal acontecimento em incalculável prejuízo ao desenvolvimento da cidadania. Começando pelo fato de Brasília ser um centro eminentemente administrativo, pois os funcionários públicos que lá habitam, por estado de necessidade, podem se limitar aos reclamos dos seus direitos laborais. Por essa situação que se consolidou o alijamento a população brasileira de melhor realizar suas expressões políticas. De maneira que a capital recebe a visitação para reivindicações das lideranças classistas, sindicalistas que algumas das vezes almejam à persistência dos problemas, para se justificar nos cargos, motivando as idas e vindas à capital, a fim de aparentar relevância de ações.

Frequentada por lobistas e grandes empresários, no encaminhamento dos seus interesses. Diferentemente do que poderia acontecer se a capital administrativa estivesse ao melhor acesso onde está concentrada a população. Refletimos se não poderíamos estar vivenciando outro momento político? Brasília se estabeleceu castelo neutro cômodo para que políticos, diretores da administração pública, longe das massas, possam arquitetar suas manobras. Mesmo sob a era da tecnologia informativa, nos restou a alienação completa de muitos importantes assuntos lá definidos. A nossa única saída seria fazer valer, colocando em mesa o Pacto Federativo previsto na Constituição brasileira. A ideia do legislador constituinte foi a de descentralizar, cada vez mais, o poder para os demais entes federados, retirando, gradativamente, as competências administrativas dos poderes da União e demais órgãos federais. Teríamos de debater o sistema concentrador imposto pela União resistente em se sobrepor sobre os demais entes, sob o conceito abusivo invertido da cooperação administrativa. Haveríamos de forçar a mudança desses pontos de referências legais. Para mudar e reparar esse grande erro é preciso consciência e uma enorme pressão cívica.