Não vou aqui neste meu texto chover no molhado e ficar tecendo elogios mil a coragem da Princesa Isabel, pois, quem nega isto, parafraseio o samba – É Ruim da cabeça ou doente… e esquerdopata. O Brasil carece de jeito e você por acaso vê algum expoente da esquerda abrindo mão do anseio ao poder, e aí cito um dito preso da Polícia Federal, pelo bem do Brasil? NUNCA. Cada dia mais querem, avidamente, dominar o poder novamente, querem por que querem a dominação dos altos cargos, das bocadas as quais durante décadas dominaram e se aboletaram do rico dinheirinho dos contribuintes em proveito próprio ou de seus anseios maiores com vertente comunista no Brasil, e continuo a fazer daí duas perguntas: Qual país foi assolado pelo Comunismo e deu certo? E Quem matou Marielle? Para não deixar calado, já que eles se calaram.

Mas, vejamos… Vamos fazer um esforço de imaginação e, pegando uma carona na “Máquina do Tempo” de H. G. Wells, ou na Experiência da USAF, “Operação Cavalo de Troia” de J. J. Benítez, voltamos ao fatídico dia 14 de maio de 1888.

A sociedade acorda atônita.

– A Princesa libertou os negros.

– Mas, como? Ainda tinham eles como mão de obra… E agora? Como ficamos?

Certamente a indignação maior vinha das fazendas, principalmente as do Vale do Paraíba do Sul, região que nesta época já encontrava a decadência da cafeicultura, ainda arraigada a velha prática dos Nobres, que, mesmo falidos, mantinham sua pompa e circunstância, pois, eram NOBRES da Corte. Diria Olavo de Carvalho… Grande Bosta, Porra. Porém, sem terem o que fazer além de respeitarem o decreto imperial, tinham de abrir as senzalas e liberar os negros. É exatamente aí que começa a minha divagação.

Sem terem o que fazer, os todo poderosos cafeicultores do vale, se veem de uma hora para outra tolhidos de seus braços de trabalho. Os Barões do Café do Oeste Paulista, pouco se importam, pois, já a tempos apostavam na mão de obra imigrante. Porém, falamos de um Brasil machista, dominado por homens poderosos pela terra e muitas vezes incultos, tendo apenas a riqueza oriunda da agricultura monocultora e latifundiária como força, mas, pouco juízo de valores.

Associado a este percentual de donos de terras, teremos os Republicanos que brotam de Itu a partir de 18 de abril de 1873, ávidos pelo poder, e opostos a Monarquia, queriam a todo jeito tomarem para si o poder do país. Poder esse que sempre havia ficado nas mãos dos Donos de Terra desde o tempo do Brasil Colônia – Os Homens Bons – Eram os senhores de engenho que detinham o poder local (nas vilas e nas cidades) organizado nas  Câmaras Municipais onde esses “homens bons” se reuniam para resolver questões referentes a vida política, econômica e social das suas regiões.

Imaginem na mente desses Homens, uma Mulher, ser a mandatária maior do País, aquela que se sentaria ao Trono e aos quais ficariam sujeitos Senadores, Deputados, Ministros e demais homens públicos ao crivo e observação firme e poderosa tendo a seu lado o maior legado deixado por seu avô, D. Pedro I, na constituição de 1824 – O Poder Moderador e o deixado por seu pai, nosso magnânimo imperador Pedro II – “O Caderninho Preto”. Quanto poder essa mulher teria? Primeira senadora brasileira e primeira mulher a assumir uma chefia de Estado no continente americano, a princesa Isabel se revelou uma política liberal nas três vezes que exerceu a Regência do país. Abolicionista convicta, já havia lutado pela aprovação da Lei do Ventre Livre, em 1871, e financiava com dinheiro próprio não só a alforria de dezenas de escravos, mas, também o Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas – a flor-símbolo da abolição.

A terceira regência da princesa Isabel, iniciada a 3 de junho de 1887, foi marcada pelas relações tensas da regente com o Ministério, presidido pelo conservador João Maurício Wanderley (1815-1889), o Barão de Cotegipe. Na verdade, a princesa forçou Cotegipe a demitir-se, nomeando, em março de 1888, João Alfredo Correia de Oliveira (1835-1915), para primeiro-ministro. Com isso, ela consegue encaminhar a pauta da libertação em definitivo dos escravos, visto que nessa época apenas 16% dos negros eram mantidos em cativeiro, os demais já haviam conquistado a sua liberdade através das leis abolicionistas anteriores a Lei Áurea, e a participação negra na Guerra do Paraguai. Mas, ainda caia sobre os ombros do Brasil o peso de ser uma nação escravista. Cotegipe ainda alerta a Princesa Regente – “Vossa Alteza libertou uma raça, mas, perdeu o trono”. Nesta fala, vemos o desdém e o preconceito com que a Princesa era vista e tratada.

Como então não observar o que estava se tramando desde então. Convergiam as forças Republicanas vindas do poderoso Oeste Paulista, centro de maior riqueza brasileira, local onde se concentrava a maior de todas as riquezas do Brasil, a Cafeicultura exportadora. Aliada a isto vamos ter o falido e combalido Vale do Paraíba do Sul, berço de grande parte dos Políticos ainda poderosos do Império por serem detentores de terras. Sempre foi assim no Brasil – Terra é Poder, como bem é explicado em “Os Donos do Poder” de Raimundo Faoro. Aliado a isso tudo, surgia uma nova vertente no Brasil, os militares seguidores do Positivismo. É desse tripé de poderes que vai surgir as tramas para a derrubada do poder monárquico no Brasil.

Precisava apenas observar o momento certo para tal derrubada, não poderia ser uma coisa sem pensar, algo sem planejar e tempo era tudo o que tinham. O Desgosto dos velhos barões de terem de ceder suas mãos de obra sem receberem nenhum vintém de restituição ou paga. Os novos poderosos do café, querendo extrapolar o sentimento republicano acima e sobre o poder monárquico que mantinha um velho imperador nobre e altivo, inteligente e ponderado, humano e sensível, diferente dos ímpetos devastadores dos republicanos que se interessavam apenas nos seus ganhos e lucros, pouco ou nada se importando com o povo de uma forma geral, e o poder armado que se moldava sob a ótica cientificista dos Positivistas.

O Momento certo se dá em Novembro de 1889, um ano e seis meses após a derrota desses poderosos diante de uma mulher de pouco mais de quarenta anos, forte, imponente, e preparada para ser a futura imperatriz do Brasil, uma mulher a frente de seu tempo, que discutia a possibilidade de, além de ter livrado o Brasil da mancha da Escravidão, dar trabalho e terras aos recém libertos, dignificando-os como seres humanos e brasileiros, o que muito contrariou aos escravistas, além de expor ideias avançadas para seu tempo como Voto Feminino. Quando o Visconde de Ouro Preto, último Primeiro Ministro do Império, Liberal como a princesa, levanta em seus estudos o fim do Voto Censitário e abertura desse amplamente como a princesa desejava, além de gerar projetos de Escolas para toda a população em idade escolar, entre outros pontos, era o momento de dar o golpe fatídico, que se consuma em 15 de novembro de 1889.

Era a onda do Efeito Borboleta causado pela Libertação dos últimos escravos do Brasil. Que de uma só tacada, a partir da proclamação da República, ferem com lança firme a monarquia que sucumbe no Brasil e ai mesmo tempo sobre uma fantasia de liberdade, escraviza agora Brancos e Negros sob a sombra da República, que nestes 130 anos vai carcomendo cada dia mais a sociedade brasileira, formalizando apenas uma casta ignóbil e pusilânime de Políticos, que assim como os que não quiseram a liberdade dos negros em 1888 hoje, não querem a liberdade do Brasileiro como um todo de seu jugo tirânico, despótico, sanguessuga e malévolo, soterrando cada dia mais a sociedade em mentiras e descasos para apenas garantirem suas prerrogativas de poder e mando.

Assim, foi tudo começando num simples, mas, fatídico 14 de maio, a 131 anos atrás.

Rio 14 de maio de 2019

Luiz Gustavo Chrispino