Nesta semana, no dia 20 de maio, celebrou-se o Dia Mundial das Abelhas, um dia de relevância singular para a humanidade e para o planeta. A data traz à lume o alerta da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre a polinização, que é essencial para o sucesso de muitas culturas agrícolas, para a sobrevivência dos ecossistemas e dos seres humanos; e também sobre a situação crítica por que o mundo passa com a destruição das florestas, e consequentemente, do habitat dos insetos, a agricultura intensiva, as queimadas, o uso de pesticidas, lixo tratado incorretamente e os equívocos nos setores de saneamento/ gestão de resíduos e esgoto, todos fatores que estão colocando a existência das abelhas em sério perigo. E abelhas em perigo significa planeta em perigo.

No ano passado, o Reino da Noruega lançou uma estratégia para ajudar a ampliar o conhecimento das pessoas sobre os insetos polinizadores, em especial, as abelhas. O governo apresentou medidas concretas em diferentes setores, a partir da elaboração de ferramentas capazes de identificar e iniciar novas medidas necessárias para garantir as condições de vida dos polinizadores em uma perspectiva de longo prazo. Um objetivo importante dessa estratégia do governo é estabelecer um alvo comum e uma área de foco para um esforço nacional coordenado. (*)

A produção mundial de alimentos depende de insetos polinizadores, razão pela qual é imperativo criar condições boas para abelhas e outros insetos como as borboletas. As abelhas operam em uma estrutura bem organizada de polinização. Já as borboletas, contribuem para ecossistemas prósperos e podem indicar o estado da saúde de um ecossistema em específico. Como as abelhas, borboletas são polinizadoras de plantas e fornecem controle populacional para várias espécies de plantas e até de insetos. Elas também servem de sustento (alimento) para outras espécies. Sim, como as abelhas, as borboletas estão fortemente envolvidas na polinização das plantas, contudo, elas fazem isso de uma maneira muito diferente das abelhas, e não apenas delas, mas de qualquer outro animal do nosso planeta.

As borboletas são conhecidas por percorrer longas distâncias, cobrindo uniformemente grandes áreas de plantas em uma única sessão, ainda que recolham menos pólen do que as abelhas (borboletas têm as pernas mais longas e, assim, ficam mais distantes das flores). Não é segredo que 90% de todas as plantas precisam de polinizadores para se reproduzir, e com o atual declínio da população de abelhas, as borboletas têm sido as únicas à frente da missão, entretanto, elas também correm perigo, e já estão, assim como as abelhas, ameaçadas de extinção…

As borboletas desempenham um papel importante na polinização de flores, especialmente as flores que têm cheiro forte, como as de tons vermelhos e amarelos, que produzem uma grande quantidade de néctar. O néctar é um componente vital da dieta de uma borboleta. Embora borboletas polinizem as flores com menos eficiência do que as abelhas, seu papel é muito útil: o pólen se acumula no corpo da borboleta enquanto ela se alimenta do néctar de uma flor, conforme a borboleta se move para uma nova flor, ela carrega o pólen com ela. Sabe-se também que as borboletas fornecem assistência na variação genética das espécies de plantas das quais coletam néctar, em grande parte, graças à sua longa distância – permitindo que o pólen seja compartilhado entre diferentes grupos de plantas que estão a quilômetros de distância umas das outras. Em síntese, as borboletas adultas bebem o néctar das flores e plantas de cores fortes. Como as abelhas e outros polinizadores, as borboletas pegam o pólen enquanto bebem o néctar de uma flor. Uma vez que elas pousam sobre outra planta, o pólen vai com elas, ajudando a polinizar as espécies de plantas. As borboletas não têm os corpos peludos nem pernas curtas como as abelhas têm, então carregam menos pólen, mas cobrem maiores distâncias, fortalecendo a variação genética do DNA nas plantas, o que é simplesmente incrível porque torna as plantas mais resistentes e menos propensas a serem vítimas de doenças (pragas). Cerca de um terço da comida que as pessoas comem depende do trabalho dos polinizadores, como as abelhas e as borboletas.

A abundância de borboletas é freqüentemente uma indicação de que um ecossistema está prosperando. Isto é devido ao fato de que as borboletas são um componente importante de uma cadeia alimentar, como predadores e presas. Borboletas e lagartas adultas são uma importante fonte de alimento para outros animais. Juntamente com o néctar, as borboletas comem uma variedade de plantas. Algumas espécies também acabam por compor uma forma natural de controle de pragas. 

A perda de habitat é o grande problema justamente porque as borboletas desempenham esse papel único na cadeia alimentar. Embora as adultas normalmente não cacem animais, pelo menos uma espécie de borboleta – a colheitadeira – ajuda a controlar as populações de pulgões, comendo-os. Outras espécies de borboletas adultas comem frutas podres, carniça ou excremento de animais, e, em geral, durante qualquer fase do seu ciclo de vida, as borboletas fornecem uma fonte de alimento para outros animais. Aves, aranhas, lagartos, pequenos mamíferos e até outros insetos são todos predadores de borboletas. As aves, em particular, gostam muito de lagartas de borboletas porque se movem lentamente e são fáceis de capturar. 

Os cientistas usam a presença ou ausência de borboletas como um indicador de um ecossistema saudável. Por serem tão sensíveis às mudanças em seus ecossistemas, os estudiosos utilizam a população de borboletas e mudanças de comportamento delas como métricas para mudanças e problemas em ambientes locais. Alguns cientistas, inclusive, apelidaram carinhosamente as borboletas de “barômetros naturais”. O que ocorre é que as mudanças no clima afetam as borboletas porque mudanças de temperatura e a quantidade de chuva podem alterar os padrões de migração e o tempo de migração. Os estudiosos da área de Biodiversidade e Clima estudam o comportamento das borboletas porque o número da população e os padrões de migração auxiliam a determinar o impacto em questões ambientais. As borboletas têm sido cada vez mais e amplamente usadas pelos cientistas como organismos modelo para estudar o impacto da perda e fragmentação do habitat e as mudanças climáticas. No tempo presente, as florestas, os parques nacionais e os espaços abertos são fragmentados e isolados, e as cidades vivem de ‘programas de melhoramento de jardins’ promovendo decks e paisagismo, o que é positivo, mas não é suficiente; ainda há poucos lugares para as abelhas e borboletas hibernarem, se reproduzirem, se abrigarem e comerem; em um comparativo com tempos pretéritos. A perda ou fragmentação do habitat, a supressão de áreas verdes como resultado da construção ou desfolhação desregula a predação e afeta diretamente a cadeia alimentar.

Atualmente, infelizmente, abelhas estão desaparecendo. E quanto às borboletas, já há mais de 30 espécies ameaçadas. A destruição das florestas e o lixo prejudicam insetos como abelhas e borboletas, que têm importância primordial para a biodiversidade. É vital ter em mente que sem florestas: sem águas, sem águas: sem vida… Adeus, planeta.

Cada vez que se joga lixo “no mato” como se o mato fosse um depósito de detritos se está intoxicando e matando animais que vivem nesse “mato”. A cada esgoto lançado em áreas verdes e em terrenos baldios milhares de espécies de insetos estão sendo afetadas. E, por mais que não pareça, isso volta para o ser humano e para o planeta, de alguma forma, em algum momento. Mato não é lixeira! Árvores não são caçambas de entulho. Selva não é depósito de resíduos!

Urge um trabalho forte de educação e prevenção para que seja possível reverter esse quadro. A vida do planeta depende disso. Por isso, encoraje crianças e jovens a pensar formas de salvar abelhas e borboletas. Não tenha medo de começar. A salvação do planeta está em nossas mãos!

Para saber como é possível realizar um trabalho excelente de gestão e administração do lixo e do esgoto, não deixe de ler:

Saiba mais sobre o tema e sobre borboletas em:

Noruega – O governo está lançando uma nova estratégia para polinizadores

(*) Candidate-se a subsídios para melhorar as condições de insetos polinizadores na Noruega. Através do sistema de subsídios “programa ambiental regional”, os fundos vão para medidas que contribuem para salvaguardar a diversidade biológica, paisagens culturais e proteção de plantas. Este ano também é possível solicitar suplementos para semear misturas de sementes benéficas para os insetos polinizadores. 

Candidate-se a subsídios ambientais da Direção da Agricultura aqui

Regjeringen

Euronews – Dia Mundial das Abelhas

Academia Nacional de Ciências: Mudança Climática nas Academias Nacionais: Edith’s e Quino Checkerspot Butterflies

Associação Norte-Americana de Borboletas: Perguntas e Respostas sobre Borboletas

Baylor University: Butterfly Lore

BioEssays: asas de borboleta: a evolução do desenvolvimento de padrões de cores

Butterfly Conservation Europe: Por que borboletas e traças são importantes

Conservação de borboletas: por que as borboletas importam

Museu do Deserto do Arizona-Sonora: Butterflies

National Park Service: Polinizadores – borboleta monarca

Universidade de Kentucky: Tudo sobre borboletas

Universidade de Michigan: Biokids: Borboletas e traças

Universidade Estadual da Carolina do Norte: uma classe de distinção

The Ecologist

National Geographic

Fotos por Clarissa Xavier Machado

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