Parece loucura, mais esse é o quadro que vem se desenhando, um governo paralelo estalado no Congresso Nacional.
Hoje o que se pode afirmar, no mínimo, é que as relações entre o governo Bolsonaro e o Legislativo vão seguindo como num jogo de xadrez, com recuos e avanços, mas com uma ligeira vantagem para os políticos, que dia a dia vão tomando ciência da capacidade de obstruir e esvaziar os planos do governo, levando o Executivo para uma situação de xeque-mate. Não é por outro motivo que já se ouvem nos corredores do Congresso o retorno do tema parlamentarismo.
Líderes de partidos na Câmara terminaram a semana falando em implantar no Brasil o que estão chamando de “parlamentarismo branco”.
Ao anunciar compromisso com a pauta econômica avançando com a reforma tributária e colocando digital própria na reforma da Previdência, o entorno de Rodrigo Maia reforça a estratégia de se afastar do governo e tocar uma agenda própria.
Os congressistas vão reforçar a Bolsonaro a ideia de que ele é mais dependente do Legislativo do que o parlamento dele.
No atual momento, será aprovada a matéria que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com apoio do Centrão, quiser.
Parlamentares de partidos como PP, PRB, PR, DEM, PSD e setores do MDB operam na retaguarda a construção da agenda do parlamentarismo branco em sintonia com o Rodrigo Maia. A elaboração de uma nova proposta de PEC da Previdência pelos deputados vai nessa direção, uma que vai contra a de Paulo Guedes que garante equilíbrio e justiça para todos por uma que vai manter suas benesses.
Cabe aos apoiadores do presidente Bolsonaro, que foi eleito para ser presidente, não Rodrigo Maia, mostrar sua força e apoio ao mandatário do Brasil.