Não tenham piedade dele. Eliminem de Israel a culpa pelo derramamento de sangue inocente, para que tudo vá bem com vocês.

Deuteronômio 19:13.

Acredito que todos já sabem sobre a caso do Rhuan que foi, durante anos maltratado, sendo assinado brutalmente por quem devia o defender. Em Brasília, a mãe e sua companheira mataram Rhuan Castro, de apenas 9 anos. Não se trata, porém, de um “simples” caso de filicídio. Os detalhes do caso são muito mais cruéis. Em 2015, a mãe fugiu do Acre levando Rhuan, alienando-o do convívio com seu pai. Ele não foi matriculado na escola e era vítima de maus-tratos. Acreditando que Rhuan era uma menina, a mãe e a companheira extirparam o membro viril da criança em casa. O próximo elo da corrente de horrores foi o assassinato e o esquartejamento do cadáver.

São vários crimes e contradições penais, unidos em um único caso, que se fossem apresentados através do âmbito jurídico, meu texto se tornaria demasiadamente extenso.

Pois bem, o que trago aqui é um assunto que, através deste triste relato, me trouxe à memória um tema temido e pouco debatido entre os conservadores e cristãos: A Pena de morte.

Até ande deve o direito penal ir em sua função punitiva? Existem crimes que justificam o estado secular ter o poder de punir retirando da vida do criminoso? Em casos que ultrapassam todos os limites da civilidade e valores morais?

Um versículo muito usado para contestar a pena de morte é esse: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire a pedra” (João 8:7). Isto não deve ser usado para indicar que Jesus rejeitava a pena de morte em qualquer situação. Jesus estava simplesmente expondo a hipocrisia dos fariseus. Os fariseus queriam fazer Jesus violador da lei do Antigo Testamento, eles realmente não se importavam com o fato de a mulher ser apedrejada (onde estava o homem pego em adultério?).

Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a Sua imagem.

Gênesis 9:6.

Foi Deus quem instituiu a pena de morte, Jesus concordaria com a pena de morte em alguns casos. Jesus também demonstrou graça quando a pena de morte foi imputada a alguém (João 8:1-11). O apóstolo Paulo definitivamente reconheceu o poder do governo para instituir a pena de morte onde fosse apropriado (Romanos 13:1-5). Então, basicamente, estamos de volta ao lugar onde começamos. Sim, Deus permite a pena de morte. Mas ao mesmo tempo, Deus nem sempre exige a pena de morte quando ela é aplicável. Qual deveria ser a visão de um cristão acerca da pena de morte, então?

Primeiro, devemos nos lembrar de que Deus instituiu a pena de morte na Sua Palavra; portanto, seria presunçoso da nossa parte pensar que nós podemos instituir um padrão mais alto que o Dele ou que nós podemos ser mais bondosos do que Ele. 

Segundo nós devemos reconhecer que Deus deu ao governo a autoridade de determinar quando a pena de morte deve ser dada (Gênesis 9:6; Romanos 13:1-7). Não é bíblico afirmar que Deus se opõe à pena de morte em qualquer situação, os cristãos não devem lutar contra o direito do governo de executar os autores dos crimes mais hediondos.

Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim revogar, mas cumprir.

Mateus 5:17.

Fica a pergunta: Dar ao estado o poder punitivo de retirar a vida física é um caminho diante de crimes tão monstruosos como o que vimos no caso do garoto Rhuan de 9 anos.

Fica o debate para vocês nos comentários.

Fonte: Bíblia. (2005). Bíblia Thompson. Frank Charles Thompson, Edição Contemporânea, João Ferreira De Almeida (p. 1750). São Paulo: Editora Vida.