A esperança em uma vida melhor no Brasil é o maior motivacional para que a população siga lutando diariamente uma luta vã.
Acordar quando ainda é madrugada, levar mais de uma hora para chegar ao serviço (muitas vezes, de pé, dentro de um transporte cheio) e passar mais tempo no ambiente de trabalho, com os colegas de trabalho do que em casa com a família (se é que é possível desfrutar algum tempo em família, pois, muitas pessoas trabalham também nos finais de semana e feriados porque necessitam aumentar a renda a fim de poder honrar suas despesas): esse é um retrato sem retoques de uma vida de escravidão. Tempo demais fora de casa, trabalhando em um emprego que nem se gosta muito (ou definitivamente odeia) e sacrificando-se para obter um salário que basicamente apenas serve para pagar contas. E, depois, morrer, sem deixar nenhum legado real a não ser um imóvel ou carro pelo qual os herdeiros brigarão por anos a fio, afastando-se uns dos outros, e, por fim, estabelecendo uma divisão familiar tantas vezes irreversível.

Em casa, a vida escrava segue seu rumo. Ou utiliza-se o lar como mero dormitório, deixando a instituição familiar sem um lugar de convivência, acolhimento e interação; ou leva-se tempo demais trabalhando dentro de casa: lavando louça, passando roupa, pendurando roupa no varal, passando pano, varrendo, varrendo, varrendo a casa…Casa que, geralmente, é uma verdadeira fortaleza: muros altos, grades, câmeras de segurança, seguranças por todas as partes.
Onde é que eu fui amarrar o meu burrinho? É a pergunta que não quer calar, afinal, acordar com grandes esperanças e chegar ao final do dia sem nenhuma grande mudança, como todos os outros dias, todos os anos, por anos e anos, poderia isso ser considerado vida?

Entra governo, sai governo e nada parece mudar em efetivo: as pessoas seguem escravas de todo um sistema dentro e fora de casa (ainda que muitos não se vejam como escravos…) e prisioneiros dentro de suas próprias casas que mais se assemelham a complexos penitenciários (ainda que muitos não se vejam como prisioneiros…).

Os questionamentos aqui são:

  1. Quais são as características de um sistema de escravidão?
  2. Não vivem os condenados trancafiados em um lugar, qual seja, seu próprio domicílio?
  3. Quem pode ir e vir para onde desejar sem ser impedido ou incomodado?
  4. Os direitos mais básicos são respeitados?
  5. Os impostos são tão bem aplicados que todos estão satisfeitos com o que pagam poque, afinal, tudo funciona maravilhosamente bem?
  6. Todos podem sair a qualquer hora, em qualquer lugar, e se sentir seguro e protegido?
  7. Quantos princípios e direitos humanos são diariamente violados e as pessoas acham que é “normal”?

Seja quais forem as respostas, fatos e dados demonstram que com uma democracia zero em que não é permitido expressar-se abertamente e com uma liberdade de ir e vir altamente duvidosa, o burrinho continua empacado na República do Brasil…