Da série: 50 máquinas que mudaram o rumo da História. Vamos falar sobre a Máquina de Gramme.

Foi o primeiro motor elétrico comercialmente viável a trabalhar em corrente contínua (CC), foi protagonista na transformação do mundo da Primeira Revolução Industrial, alimentado a vapor e a luz de gás, enquanto na Segunda Revolução Industrial era movido e iluminado por eletricidade.

Embora a “eletricidade” já fosse conhecida pelos antigos, ela recebeu esse nome apenas em 1600, o nome é derivado grego elektron, que significa “âmbar”, pelo fato da eletricidade estática poder ser produzida pela fricção desse material. Mas até as descobertas feitas por diversos cientistas do século XIX o fenômeno continuou praticamente incompreendido. Os cientistas que merecem destaque são: o físico e químico dinamarquês Hans Christian Ørsted (1777-1851) e também físico e químico inglês Michael Faraday (1791-1867). Diante da nova compreensão teve inicio as tentativas de comercializar a eletricidade como fonte de energia e luz para o consumo industrial e residencial. A principio magnetos e dínamos movidos a vapor foram usados para gerar eletricidade, mas por não serem bem projetados produziam emissões fracas e intermitentes. Até que no inicio da década de 1870, o inventor belga Zénobe Gramme (1826-19010), marceneiro por profissão, desenvolveu dínamos particularmente eficazes, ele fabricou dois modelos movidos a vapor: uma máquina de baixa voltagem com um cavalo-vapor de potência para fins de galvanização e um dínamo de voltagem com 4 cavalos-vapor de potência para fins de iluminação.

Em 1873, Gramme estava exibindo seus dínamos em uma exposição de máquinas industriais em Viena, onde acidentalmente seu assistente conectou cabos de saída de dois dínamos. No momento que um motor a vapor acionou o primeiro dínamo, fez o segundo começar a girar a alta velocidade, onde ele percebeu que o segundo dínamo havia se tornado um poderoso motor elétrico com desempenho superior a qualquer outro dispositivo existente. Em seguida ele apressou-se a capitalizar esse ato fortuito ao montar uma nova atração para a exposição: conectou dois dínamos separados um do outro por cerca de 1,6km, com o “motor” bombeando água para uma pequena cascata, ou seja, um simples amparado que demostrou dois princípios que transformariam o mundo: primeiro, após algumas modificações os dínamos poderiam ser convertidos em motores elétricos capazes de impulsionar equipamentos industriais e o segundo (mais importante), a energia mecânica poderia ser gerada em um local, convertida em eletricidade com dínamo, transmitida para longas distâncias por cabos e transformada de volta em energia mecânica por motores elétricos na outra ponta.

“Gramme nos apresentou todo um mundo elétrico em miniatura: um sistema integrado que incluía um dínamo a vapor que fornecia corrente para motores, possibilitava a galvanização e gerava luz elétrica”. M. Schiffer, Power Struggles(2008).

Referências Bibliográficas

CHALINA, Eric. 50 Máquinas que mudaram o Rumo da História. Tradução de Fabiano Morais. Rio de Janeiro. Sextante. 2014. 

JúNIOR, Joab Silas da Silva. “Hans Christian Oersted”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/hans-christian-oersted.htm. Acesso em 04 de julho de 2019.

SOUZA, Líria Alves de. “Michael Faraday”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/michael-faraday.htm. Acesso em 04 de julho de 2019.

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