Recursos para apoiar a pesquisa do Brasil na Antártica

A pesquisa brasileira na Antártica ganha um novo impulso com a liberação de R$ 2 milhões pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Os recursos vão ser empregados na montagem de 17 laboratórios, 16 do próprio MCTIC e um da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fazem parte da estrutura da nova Estação Comandante Ferraz. São geladeiras, freezers, destiladores que são fundamentais para a execução da atividade científica no continente antártico.

Para a pesquisadora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, USP, Vivian Helena Pellizari, que realiza estudos de microbiologia polar na Antártica desde a década de 90, os novos laboratórios e os recursos para equipamentos vão permitir que sejam desenvolvidas pesquisas no próprio continente antártico, não precisando transportar as amostras congeladas para as diferentes instituições de pesquisa aqui no Brasil. O que permitirá, segundo a pesquisadora, potencializar os estudos e garantir melhores resultados. “Eu inicio processando as amostras coletadas iniciando o cultivo dos micro-organismos extremófilos lá no laboratório incito. Ela resulta em mais sucesso do que congelar essa amostra, transferir pra cá, pra USP (Universidade de São Paulo), para iniciar essas atividades com os micro-organismos”, explicou.

Vivian Pellizari afirma ainda que os estudos na Antártica tem um impacto direto no Brasil. Como os micro-organismos que existem lá resistem a condições extremas, eles podem ser utilizados como matérias-primas para as indústrias de cosméticos, alimentícia e de medicamentos. Isso além dos estudos sobre o clima, que têm repercussão em toda a América do Sul e no território brasileiro. “Eu acho que o Brasil, dentro do comitê de ciências antárticas, ele tem um papel e atuação bastante importante. Ele atua na produção de dados científicos com a mesma qualidade dos programas de outros países desenvolvidos”.

A Estação Comandante Ferraz está sendo reconstruída depois de um incêndio que destruiu o local em 2012 e recebeu um investimento do Programa Antártico Brasileiro de US$ 100 milhões.

Programa Antártico

O Programa Antártico Brasileiro foi lançado em 1982 para explorar a Antártica em termos científicos. O Proantar, como também é chamado, é desenvolvido pela Marinha Brasileira em parceria com o ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Toda a pesquisa e ciência no continente gelado têm como referência a Estação Comandante Ferraz, que foi inaugurada em 1984 e agora foi totalmente reconstruída, com previsão de inauguração em janeiro de 2020.

Segundo o Tratado Antártico, que é de 1959, a única atividade prevista na Antártica até 2048 é a exploração científica, que é desenvolvida por dezenas de países. Não são permitidas a ocupação territorial e militar no continente, que tem 14 milhões de km2, e é rico em petróleo e gás natural em seu subsolo.