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Os chocolates e a Noruega

Noruegueses comem mais chocolates que suecos, dinamarqueses e finlandeses. Cada norueguês come cerca de 9,5 quilos de chocolate por ano, ainda que estejam atrás de outros europeus como suíços, belgas, alemães, irlandeses, ingleses e austríacos.

A história do chocolate na Noruega começou no século XVIII, segundo a tradição, graças a um comerciante da Cidade de Trondheim, situada no Fiorde com o mesmo nome, bem no centro da Noruega, que teria colocado o seguinte anúncio no jornal: 

Um tipo de alimento medicinal que ajuda estômago, peito, é bom para curar tosse, se livrar da tontura, eliminar o catarro e encorajar o cumprimento dos deveres conjugais. ”

Pouco tempo depois do anúncio, no início do século XIX, a Noruega, possivelmente devido a sua independência do Reino da Suécia, decide batizar os chocolates de acordo com a sociedade norueguesa e com suas próprias belezas naturais, como por exemplo, os chocolates “Bispen” (o bispo) e o Fjeldsæter (fazenda da montanha). No entanto, a “jogada de mestre” viria anos depois, quando o chocolate passou a ser incluído no matpakken de crianças e adultos. As propagandas eram muito convincentes. A marca Nidar promovia o slogan: 

Grandes almoços embalados são uma bagagem impraticável e completamente desnecessária. Algumas barras de chocolate no bolso não ocupam espaço algum. ”

A publicidade convenceu e, até os dias de hoje, o chocolate é parte do “lanchinho” de qualquer viagem, seja para escola, trabalho, caminhada ou passeios; salientando a preferência pelo chocolate ao leite e por marcas nacionais como a tradicional Nidar ou o artesanal “Fjordnær”. Além dessas, as mais famosas marcas de chocolate na Noruega são: Freia, Minde Sjokolade e Hval.

Naqueles tempos, os noruegueses adotaram um estilo de vida que não apenas se preocupava com a saúde do corpo, mas também com a saúde mental. Caminhadas e passeios ao ar livre eram incentivados, e chocolates no bolso eram recomendados como uma opção prática e nutritiva. E assim, os noruegueses tinham sempre uma barrinha à mão.

Especificamente em relação a marca Freia, a empresa forneceu apoio para a pesquisa, inclusive por meio de uma fundação médica fundada em 1919 por Johan Throne Holst, que estava à frente da fábrica, onde parte da pesquisa visava demonstrar a relação entre alimentação / nutrição e a saúde das pessoas.

Curiosamente, hoje, em muitas partes do mundo, estudos nessa área seguem em andamento. Investigações científicas têm escrutinado a relação do cacau com a saúde; e até o momento, as conclusões têm sido de que o cacau poderia realmente evitar problemas como insuficiência renal e diabetes. Um estudo americano, inclusive, chega a mencionar que o cacau ajuda a combater o problema, ajudando os pacientes no tratamento.

Em uma das edições de 2017 do Journal of Nutritional Biochemistry, a Universidade Brigham Young (BYU), dos Estados Unidos apresentou dados que demonstram que a ingestão do cacau, na verdade de um composto do cacau, poderia melhorar a resistência à insulina. O responsável por tal estudo, realizado em parceria com o Instituto Politécnico e Universidade Estadual da Virgínia (Virginia Tech), é Jeffrey Tessem, professor assistente de nutrição, dietética e ciência alimentar da BYU, e contou com a participação de uma equipe da BYU composta por estudantes de graduação e pós-graduação que utilizaram os laboratórios dos Professores da BYU Jeffrey Tessem, Ben Bikman e Jason Hansen (estes dois últimos professores de Fisiologia e Biologia do Desenvolvimento, respectivamente).

Quanto maior o teor de cacau da barra, melhor será para a sua saúde. Procure por barras com 70% de cacau ou mais“.

(Howard LeWine, Diretor Médico Chefe da Harvard Health Publishing)

Como diferentes áreas do cérebro precisam de mais energia para completar suas tarefas, elas também precisam de um fluxo sanguíneo maior. Essa relação, chamada de acoplamento neurovascular, pode desempenhar um papel importante em doenças como a doença de Alzheimer“.

( Farzaneh A. Sorond)

No tratamento de outra enfermidade, a anemia, inacreditavelmente, o astro seria de novo ele: o chocolate! Mais precisamente o chocolate amargo, isso porque o cacau é rico em vitaminas e sais minerais como potássio, magnésio, cobre e ferro, ferro justamente que previne e combate a anemia. A anemia é uma condição que também tema ver com o sangue. Ela constitui uma situação relativamente comum que pode ocorrer devido à falta de nutrientes e vitaminas no sangue, sobretudo o ferro, o zinco e a vitamina B12, e cujos principais sintomas são cansaço, sonolência, falta de disposição, tontura e cefaléia.

Bem, no final das contas, parece que o comerciante norueguês do século XVIII não estava tão longe da verdade…

Seja como for uma coisa é certa: o amor ao chocolate é universal e comer chocolates na Noruega é uma tradição. 

Saiba mais:

Guia de chocolates da Noruega e Suécia

Chocolate in Norway

Medical News Today

American Cancer Society

Harvard Health Publishing

University of Delaware, Laboratório de Educação alimentar e nutricional 

Universidade de Michigan – Medicina Integrativa

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Paulo Fernando De Barros

Colunista e editor para a Noruega em Duna Press Jornal e Magazine, reportando os assuntos e informações sobre atualidades culturais, sócio-políticas e econômicas da região.
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