Macri diz ter confiança de reverter derrota de domingo após peso despencar com resultados das primárias

Macri diz ter confiança de reverter derrota de domingo após peso despencar com resultados das primárias

Macri culpou a oposição de centro-esquerda pela queda nos índices financeiros, dizendo que o candidato peronista Alberto Fernández não inspira confiança nos investidores.

O presidente argentino, Mauricio Macri, disse nesta segunda-feira(12)  que espera “reverter a eleição ruim de ontem”, depois que a oposição conseguiu uma expressiva e surpreendente vantagem nas primárias, fato que derrubou as ações e a moeda da Argentina.  

Macri culpou a oposição de centro-esquerda pela queda nos índices financeiros, dizendo que o candidato peronista Alberto Fernández não inspira confiança nos investidores. 

As ações e o peso despencaram 30% nesta segunda, com temores de um possível retorno às políticas intervencionistas, depois que o ortodoxo Macri perdeu por uma margem muito maior do que a esperada para a oposição nas primárias presidenciais.

O peso recuperou parte das perdas, negociado a 52,15 por dólar, depois de ter caído para uma mínima histórica de 61,99 por dólar. O banco central vendeu 105 milhões de dólares de suas próprias reservas, que não eram usadas desde setembro do ano passado, para defender a taxa de câmbio. 

O principal índice de ações do país registrou a maior queda de sua história, com todos os componentes no vermelho, enquanto o custo de proteção contra um calote da dívida soberana da Argentina disparou quase 1.000 pontos-base.

Confio que vamos reverter esse resultado ruim de ontem e que vamos ter uma eleição mais parelha em outubro que irá permitir que cheguemos ao segundo turno”, disse o presidente em uma coletiva de imprensa. 

Com 98,7% das urnas apuradas, a coalizão Frente de Todos, de Fernández, tinha conseguido 47,7% dos votos, contra 32,1% do Juntos pela Mudança, de Macri, segundo a contagem oficial.

Fernández disse que buscaria “retrabalhar” o acordo de 57 bilhões de dólares da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma porta-voz do FMI se recusou a comentar o resultado das eleições primárias argentinas, citando uma política de não comentar sobre desdobramentos políticos.  Apesar das dificuldades de Macri para endireitar a economia do país sul-americano, investidores vêem a candidatura de Fernández como uma perspectiva mais arriscada. 

Macri, herdeiro de uma das famílias mais ricas da Argentina, chegou ao poder em 2015 com promessas de recuperar a terceira maior economia da América Latina com uma onda de medidas liberais.  Mas a prometida recuperação não se materializou, e a Argentina passa por recessão com uma inflação acima de 55%. 

Uma grave crise financeira no ano passado atingiu o peso e forçou Macri a tomar um empréstimo no FMI em troca da promessa de equilibrar o déficit público argentino. 

O resultado de domingo indica que Fernández tem apoio suficiente para garantir a vitória eleitoral no primeiro turno em outubro, sem precisar do segundo turno em novembro. Um candidato precisa de ao menos 45% dos votos, ou 40% e uma diferença de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado para assegurar uma vitória já no primeiro turno. 

Imagem: Reuters

Fonte: Reuters

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